Livros Espíritas
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Talvez se argumente que um médium, que consagra todo o seu tempo ao público, no interesse da causa, não o pode fazer de graça, porque precisa viver. Mas é no interesse da causa, ou no seu próprio interesse, que ele o emprega? Não será, antes, porque vê nisso um ofício lucrativo? A tal preço, sempre haverá gente dedicada. Não tem então ao seu dispor senão essa indústria? Não nos esqueçamos de que os Espíritos, seja qual for a sua superioridade ou inferioridade, são as almas dos mortos e que, quando a moral e a religião prescrevem como um dever que se respeitem os seus restos mortais, maior é ainda a obrigação, para todos, de lhes respeitarem o Espírito. Que diriam daquele que, para ganhar dinheiro, tirasse um corpo do túmulo e o exibisse por ser esse corpo capaz de provocar a curiosidade? Será menos desrespeitoso exibir o Espírito do que o corpo, sob o pretexto de que é curioso ver-se como age um Espírito? E note-se que o preço dos lugares será na razão direta dos truques que ele faça e do atrativo do espetáculo. Certamente, ainda que em vida tivesse sido um comediante, jamais suspeitaria que, depois de morto, encontrasse um diretor que, em proveito próprio, o fizesse representar de graça. Cumpre não esquecer, portanto, que as manifestações físicas, do mesmo modo que as manifestações inteligentes, só são permitidas por Deus para a nossa instrução.
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