Livros Espíritas
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A famosa médium britânica Geraldine Cummins teve um de seus textos cronometrados, certa vez, em 16 de março de 1926, quando escreveu precisamente mil setecentas e cinqüenta palavras em uma hora e cinco minutos, quase vinte e sete palavras por minuto. A informação é de Nandor Fodor. Discorrendo sobre outra famosa psicógrafa, a sra. Curran, médium de um espírito que se chamava Patience Worth, o dr. Fodor também menciona a velocidade dos escritos, dizendo que as letras "tumbled in her mind", ou seja, eram despejadas em sua mente. Tanto a sra. Cummins como a sra. Curran escreveram livros do maior interesse literário e histórico, especialmente sobre as origens do cristianismo. O dr. Usher, professsor de história da Universidade de Washington, classifica o livro The sorry story, recebido pela sra. Curran, como "a maior história escrita sobre a vida e os tempos do Cristo, desde que os Evangelhos foram concluídos". Lembra, ainda, Regina que, nos seus encontros com o orientador espiritual do grupo, no plano invisível, as coisas se passam de maneira diferente, mesmo porque ela não tem de escrever o que ele lhe informa. Diz ela ver um suceder rapidíssimo de imagens como que comprimidas, no que ela chama de "frase pictórica". É a sensação de que ele está transmitindo todo um bloco de informações num único pensamento compactado, tal como Mozart dizia 'ouvir' toda uma sonata num só acorde. É como se o texto inteiro de uma comunicação extensa fosse 'despejado' subitamente, e de uma só vez, na mente dela, como ocorria com a sra. Curran. Caberá a Regina, posteriormente, desdobrar aquilo tudo quando em estado de vigília, caso resolva registrar por escrito as instruções recebidas em desdobramento. Só que 'lá', a comunicação foi de espírito a espírito, ressalvada a diferença de condição vibratória de cada um. De volta à carne, o problema não consiste mais em entender o que ele lhe transmitiu - que isso ela entendeu - mas em colocar tudo aquilo na seqüência certa, dentro das rígidas limitações de seu próprio ritmo e espaço mental de ser humano encarnado. Quando você vê toda uma paisagem iluminada pela poderosa descarga luminosa de um raio que durou exíguos segundos, poderá gastar muito tempo a descrevê-la a alguém que não viu a cena iluminada. Por isso Regina tem a convicção de que, em tais casos, não consegue fixar no papel nem um terço do que apreendeu com o espírito. Fica de tudo a essência, o relevante, nada mais. O resto é um vago agitar-se de imagens fugidias e sensações indefiníveis. Ela acha ainda que, ao transmitir-lhe esse espírito algo por intermédio da psicografia, ocorre fenômeno semelhante de compactação. Ele não escreve palavra por palavra o que quer dizer, mesmo procurando 'descer' - a palavra é dela - até ao seu nível e ritmo. Pode ocorrer, também, que ela receba 'recados' e comunicações brevíssimas de alguns dos mentores do grupo através de um fio luminoso, que vem não se sabe de onde e é ligado no alto de sua cabeça. De outras vezes, abre-se diante dela uma espécie de caminho ou canal luminoso que atravessa todo e qualquer obstáculo material - paredes, móveis, prédios. É por esse caminho ou tubo que a entidade desce até certo ponto e lhe fala dali ou, por outra, lhe transmite daquele ponto o informe que deseja dar. Como se vê, embora basicamente a estrutura do processo de comunicação seja sempre a mesma, a sua dinâmica varia segundo a condição do médium, do espírito comunicante ou das circunstâncias do momento, bem como da técnica utilizada, seja ela psicografia, psicofonia ou comunicação direta, mente a mente. Mas, e a chamada 'incorporação', como se processa? 14. INCORPORAÇÃO? A ligação do espírito manifestante com o médium se dá por uma espécie de acoplamento dos respectivos perispíritos na faixa da aura, onde em parte, se interpenetram. Daí a impropriedade do termo incorporação. O espírito desencarnado não entra, com o seu perispírito, no corpo médium após desalojar o deste. Não é preciso isso e nem possível. Kardec, adverte que o manifestante não se substitui ao espírito do médium. O que ocorre, portanto, é a ligação entre ambos pelas terminais do perispírito de cada um, como o plug de eletricidade se liga numa tomada. É pelo acoplamento que o médium cede espaço para que o manifestante tenha acesso aos seus comandos mentais (cerebrais) e, dessa forma, possa movimentar-lhe os instrumentos necessários à fala, ao gesto, à expressão de suas emoções e idéias. Observemos como Hernani Guimarães Andrade entende esse acoplamento: "o mecanismo da 'incorporação mediúnica' é fácil de compreender. Ela pode principiar pela aproximação da entidade que deseja comunicar-se. Esta poderá, eventualmente, influenciar o 'médium', facilitando-lhe o 'transe', O médium passa então a sofrer um desdobramento astral (OBE) e sua cúpula, juntamente com o corpo astral, deslocam-se parcial ou totalmente, de maneira a permitir que a cúpula e o corpo astral do espírito comunicante ocupem parcial ou totalmente o campo livre deixado pelo 'corpo astral' do médium. A incorporação é tanto mais perfeita quanto maior espaço é cedido pelo astral do médium ao afastar-se do seu corpo físico, deixando lugar para a cúpula com o corpo astral do comunicador. Este - o espírito comunicante - deverá também sofrer um processo semelhante ao desdobramento astral para permitir que sua cúpula e corpo astral possam justapor-se ao espaço livre deixado pelo médium". (Andrade. Hernani Guimarães. 1984). Encontramos, mais adiante, outra informação de nosso particular innteresse: ( ... ) a superposição do corpo astral do espírito ao restante equipamento mediúnico implica na justaposição do cérebro astral da entidade comunicadora ao cérebro fisiológico do médium. Embora grande parte da consciência do médium tenha se deslocado juntamente com sua contraparte astral, ele ainda mantém o controle da situação, graças à sua ligação com o corpo físico através do 'cordão prateado'. Por isso, o médium nunca está inteiramente inconsciente durante o processo da incorporação deste tipo. As idéias que lhe afluem ao cérebro por indução do cérebro da entidade podem, no momento, parecer-lhe idéias próprias. Mas, passado o transe, quase sempre ele se esquece exatamente do que acudiu à mente na ocasião. (Idem) Isto a que Andrade caracteriza como maior ou menor ocupação de espaço pelo espírito comunicante no médium é que parece graduar o tipo de manifestação. Como observa o cientista, em outro ponto de seu livro, a comunicação fica, às vezes, na faixa fenomênica da telepatia, que ele assim descreve: O médium, em transe, exterioriza-se ligeiramente, mas sem ocorrer a OBE (experiência fora-do-corpo). Dá -se, apenas, uma pequena disjunção da cúpula, o suficiente para facilitar o acesso à camada áurica interna. Esta operação facilita o contato entre a camada áurica do espírito e a do médium. A transmissão é então efetuada como já explicamos: o médium usa seus próprios meios de expressão, inclusive seu linguajar comum: mas isto não impede que as idéias transmitidas sejam as do espírito. (Idem) Continuamos, pois, dentro do inabalável ensinamento dos espíritos, segundo o qual, a linguagem deles é o pensamento. É nesse mesmo sentido - de gradação, no envolvimento mediúnico no processo - que podemos ler em Kardec (A Gênese, Cap. XIV, nº 47) a seguinte observação: "Na obsessão, em vez de agir exteriormente, o espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao espírito encarnado; toma-lhe o corpo para domicíliar sem que este, no entanto, seja abandonado pelo seu dono, pois isso só se pode dar pela morte". (Kardec. Allan, 1979). E mais adiante: De posse momentânea do corpo do encarnado, o espírito se serve dele, como se seu próprio fora: fala pela sua boca, vê pelos seus olhos, opera com seus braços, conforme faria se estivesse vivo. Não é como na mediunidade falante (psicofonia), em que o espírito encarnado fala transmitindo o pensamento de um desencarnado; no caso da possessão é mesmo o último que fala e obra. (idem). Sob esse mesmo aspecto do problema, encontramos em O livro dos médiuns, capítulo XXIII, item 240, a seguinte informação: "A subjugação pode ser moral e corporal. No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas: é como uma fascinação. No segundo caso, o espírito atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários. (Kardec, Allan, 1975). Da combinação de todas essas informações convergentes, podemos concluir que o espírito manifestante induz o médium a falar, converte seu pensamento em palavras ou se apossa mais amplamente dos controles mentais do médium, de tal maneira que ele mesmo fale ou aja como o corpo fosse seu. Isto parece contradizer o conceito de que a linguagem dos espíritos é sempre o pensamento, mas não é o que ocorre. Num caso, o pensamento do manifestante é induzido, como diz Andrade, cabendo ao médium vertê-lo em palavras. No outro, o próprio manifestante o converte, usando o instrumental de expressão do médium que, não obstante, continua a participar do processo sem contudo poder interromper ou mudar o fluxo das idéias que circulam pelo seu psiquismo. Em ambos os casos, a fonte geradora do pensamento é a mente do manifestante. Andrade explica a sutileza da participação sem interferência: esclarecer que "grande parte da consciência" do médium se desloca, quando seu perispírito se afasta, para ceder espaço à entidade manifestante de parte, não toda. Isto nos leva, ainda, a entender melhor a aparente contradição de Kardec ao afirmar que a entidade espiritual manifestante não se substituir ao espírito do médium, ao mesmo tempo em que declara, alhures pode tomar-lhe o corpo como se seu fosse. O grau dessa posse, consentida ou não, guarda relação direta com o maior ou menor 'espaço' ocupado no psiquismo do médium, mas nunca chega ao extremo de uma substituição, como adverte Kardec, ainda que, às vezes, assim se afigure ao observador despreparado.
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