Livros Espíritas
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Isto me faz lembrar de uma curiosa e oportuna observação de um companheiro espiritual muito querido que freqüentava um antigo grupo ai eu doava minha quota de trabalho. Ele tivera uma existência de muitas dificuldades aqui mesmo no Rio de Janeiro, onde viveu pelos subúrbios, conseguindo bravamente manter-se vivo em condições precárias e sofridas. Nunca se queixava, porém. Jamais soube que ligações teria conosco e por que fora encaminhado ao nosso grupo. Foi acolhido com muito carinho e compreensão, e sentia-se bem entre nós. Percebíamos que, mesmo através do linguajar mais pobre, limitado ainda às experiências e à ausência de cultura intelectual daquela vida, sua experiência era rica e ele possuía uma inteligência desenvolvida, o que percebíamos pela profundidade do que conseguia dizer, mesmo com suas palavras singelas. Certa vez nos falou das inquietações que a maioria dos encarnados revela com relação ao corpo físico, enquanto desdobrados pelo sono. E concluiu, à sua maneira sábia e simples: - Eles ficam como quem está de longe, tomando conta de embrulho numa estação cheia de gente ... Ao menor sinal de perigo eles correm para os embrulhos ... Dizíamos, há pouco, das pessoas que no plano espiritual têm consciência de que não estão desempenhando suas tarefas de maneira satisfatória, embora aqui continuem a fazê-las do mesmo modo. Na realidade a ótica é de fato diferente, segundo a nossa posição, como sabe qualquer estudioso de perspectiva. Comentávamos, páginas atrás, que lamentamos os que morrem, quando estamos na carne, e os que renascem, quando estamos no mundo espiritual. Coisa semelhante ocorre com os desdobramentos. Quando em vigília, dizemos que adormecemos: mas se estamos do lado de lá à espera de companheiros que se acham acordados, segundo a ótica da carne, ficamos aguardando que adormeçam para acordar do outro lado e podermos seguir juntos para as tarefas programadas. Certa vez, por exemplo, um dos companheiros do nosso grupo estava de viagem. Uma noite, já bem tarde, Regina lia um livro quando, subitamente, viu-o de pé, sorrindo, à sua espera. Disse-lhe mentalmente que aguardasse alguns momentos; preparou-se para deitar, orou e logo abandonou o corpo físico para, em seguida, saírem para alguma tarefa. 2. INTERAÇÃO CORPO / PERISPÍRITO NO DESDOBRAMENTO Há desdobramentos durante os quais Regina é apresentada a pessoas conhecidas que posteriormente vem a encontrar no plano físico. Ela tem tido também oportunidade de conhecer centros de estudo e laboratórios onde vê aparelhos desconhecidos que acabam sendo aqui 'inventados'. Um desses, por ela há muitos anos observado, era um aparelho eletrônico que projetava em uma tela o traçado dos batimentos cardíacos. Vejamos como ela nos conta esta experiência. Certa noite, após o desdobramento pelo sono natural, ela se viu em um pequeno quarto de hospital, sentada numa cadeira ao lado de uma cama onde estava deitado um homem (encarnado). Aos pés da cama, na altura normal em que se colocaria um quadro, havia na parede uma pequena tela, como a de um vídeo. Aparentemente o homem não estava muito bem, e ela fora levada ali para ajudá-lo ou para assistir ao exame clínico. De repente, entraram dois jovens vestidos de jalecos brancos. Apanharam um gráfico impresso, enquanto examinavam atentamente a projeção na tela eletrônica. Regina perguntou-lhes: - Então? O que ele tem? Um dos rapazes respondeu: - Espere um pouco. Logo virá o médico que está cuidando do caso dele. Só ele poderá saber com certeza, porque nós dois não conseguimos chegar a um acordo. Os rapazes ficaram ainda algum tempo conversando, em voz baixa, enquanto Regina continuava em sua vigília, um pouco tensa. Ao cabo de algum tempo, entrou no aposento um senhor baixo, gordinho, simpático e também vestido com um jaleco branco. Os rapazes saudaram-no com respeito. Ele examinou o gráfico que lhe passaram às mãos, aproximou-se da tela, observou-a atentamente e disse: - Foi exatamente o que pensei: ele teve uma pequena isquemia, mas o perigo passou. Vai ficar bem. Pode voltar. Surgem, em seguida, mais uma pessoa, um senhor alto, esguio, muito simpático e bem-humorado, alegre mesmo, embora discreto. Regina e ele saíram com o antigo de volta à casa, ou seja, ao corpo físico. O homem estava ainda um pouco indisposto e enfraquecido, e caminhava devagar, amparado pelos dois. Durante a caminhada, o homem que viera ajudar a levar o doente ia desanuviando a tensão com suas bem- humoradas brincadeiras. Atrás deles vinha uma moça que Regina percebia ser encarnada (fácil de identificar pelo cordão fluídico, como se vê nas obras doutrinárias). Soube que a jovem estudava cardiologia na Terra e fazia estágios no mundo espiritual, quando desdobrada. Na semana seguinte, Regina teve oportunidade de encontrar-se, no mundo físico, com o companheiro que vira sendo examinado no plano espiritual. Não tinha ele consciência do fato que ela narrou, mas é verdade que acordara, naquela manhã específica, após o tratamento, sentindo-se algo debilitado e indisposto. Passara o dia, aliás, em completo repouso. É certo também que ele tinha problemas circulatórios e, ao que tudo indica, tivera uma crise atendida por antecipação, ou melhor, curada ainda no perispírito e, por isso, não chegou a acarretar transtornos ao corpo físico. Outro pormenor: algum tempo depois, Regina ficou conhecendo pessoalmente aquele senhor alto, elegante e simpático que a ajudara a trazer amigo combalido de volta ao corpo. Além de parente do outro, eram amigos fraternos de muitos e muitos anos. Se o leitor está achando algo fantástico tais tratamentos em hospitais invisíveis (para nós encarnados), deixe-me dizer que o amigo Luís Rodrigues autor de God bless the devil, lembrava a possibilidade - por enquanto apenas teórica - de realizar, por exemplo, o reparo 'cirúrgico' no perispírito de uma pessoa nascida com a abertura no palato e, em seguida, reconstituir-se corpo físico a membrana de vedação. Hernani Guimarães Andrade me comunicou há muitos anos a possilidade - para ele é certeza - de um dia a ciência ser capaz de reconstituir um membro decepado, como o antebraço ou uma perna, utilizando-se do campo magnético perispiritual que ali continua por algum tempo. Costuma-se caracterizar essa persistência com a expressão 'membro fantasma'. É comum pessoas que perderam parte de seus membros continuarem sentindo dores ou coceira, por exemplo, em pés que fisicamente não mais têm. Vejo em Delanne, alguns exemplos curiosos, colhidos em três livros por ele citados: Du sommeil, de Macário, Étude sur la medicine animique, de Charpignon, e De la medicine morale, de Padioleau, os dois últimos premiados pela Academia Francesa de Medicina. Alguns fatos bem - documentados são resumidos por Delanne como por exemplo a mulher que após 'sonhar' que via as coisas de maneira vaga e confusa, apareceu com uma ambliopia (enfraquecimento ou impedimento da visão - ensina Aurélio - sem lesão perceptível dos meios transparentes do olho ou do nervo ótico). Ao que parece, não foi propriamente um sonho, mas uma observação feita por ela mesma, em desdobramento. Ou seja, não foi uma premonição, porém uma verificação de problemas oculares que ainda não se haviam manifestado no corpo físico. Outra senhora sonhou que falava com um homem que não conseguia responder-lhe. Ao despertar, quem estava afônica era ela. Parece que ela transferiu para outra pessoa o problema que já estava criado nela mesma. Teste, ministro de Louis-Phillippe, acusado de peculato, sonhou na prisão que havia tido um ataque cardíaco. Três dias depois, foi o que o matou. Arnaud de Villeneuve viu- se em sonho mordido na perna por um cão. Dias depois manifestava-se, no exato local da mordedura, uma grave úlcera. Galeno menciona um doente que sonhou estar com a perna petrificada e que ficou paralítico dias depois. Conrad Gessner, sábio conhecido, sonhou que fora picado do lado esquerdo por uma serpente. Tempos depois surgiu, no local, um tumor que o levou à morte. Cornelius Rufus perdeu a vista após sonhar que havia ficado cego. O próprio Macário, autor de um dos livros citados, declara ter tido uma violenta amigdalite, dias após ter sonhado com ela. É admissível que alguns desses casos possam ser caracterizados como sonhos premonitórios, mas todos eles? É demais. Num episódio que me chegou em segunda mão por meio de pessoa em que deposito inteira confiança, um homem sentiu-se apunhalado por um inimigo quando em desdobramento no mundo espiritual. Acordou já um tanto sufocado, a expelir sangue pela boca. Buscou imediato socorro médico e não houve como explicar a hemorragia ou as dores que sentia no local da 'punhalada'. Tão misteriosamente como haviam ocorrido, dor e hemorragia cessaram após algum tratamento físico. E, afinal de contas, em que consiste a dinamização da técnica homeopática, senão um 'desdobramento' da energia contida na matéria dos medicamentos a fim de que a ação curativa se processe através do perispírito do paciente e acabe repercutindo no corpo físico? E o que é a somatização de problemas emocionais senão uma interação espírito/perispírito/corpo? Da mesma forma, com os sinais trocados, podemos criar condições de cura de males físicos por meio de um esforço da vontade dentro do mesmo circuito espírito/perispírito/ corpo. A primeira das inúmeras curas promovidas por Edgar Cayce foi a sua própria garganta, seriamente afetada. Depois de hipnotizado (e, portanto, desdobrado) ele revelou conhecer o diagnóstico e como curar a doença. Disse que a circulação na região afetada era insuficiente e que o hipnotizador lhe desse sugestões no sentido de fazer afluir para o local uma quantidade maior de sangue. Foi o que se deu. O local ficou vermelho e congestionado por algum tempo e depois voltou ao normal. Não é preciso dizer que Cayce ficou bom. Aí está porque nada tem de fantástico um tratamento feito no perispírito, de doentes, no mundo espiritual, e que evita a eclosão de problemas de saúde no corpo físico.
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