Livros Espíritas
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As condições em que se efetuou a desagregação da Lua pouco lhe permitiram afastar-se da Terra e a constrangeram a conservar-se perpetuamente suspensa no seu firmamento, como uma figura ovoide cujas partes mais pesadas formaram a face inferior voltada para a Terra e cujas partes menos densas constituíram o seu vértice, se com essa palavra se designar a face que, do lado oposto à Terra, se eleva para o céu. O que é certo é que esse astro nos apresenta sempre a mesma face. Para melhor compreender-se o seu estado geológico, ele pode ser comparado a um globo de cortiça, cuja base voltada para a Terra seria formada de chumbo. Daí, duas naturezas essencialmente distintas na superfície do mundo lunar: uma, sem qualquer analogia com o nosso, visto que os corpos fluidos e etéreos lhe são desconhecidos; a outra, leve, relativamente à Terra, uma vez que todas as substâncias menos densas se encaminharam para esse hemisfério. A primeira, perpetuamente voltada para a Terra, sem água se sem atmosfera, anão ser aqui e ali, nos limites desse hemisfério terrestre; aoutra, rica de fluidos, perpetuamente oposta ao nosso mundo.⁴⁸,⁴⁹
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(⁴⁸) Nota de Allan Kardec: Esta teoria da Lua, inteiramente nova, explica, pela lei da gravitação, a razão pela qual esse astro apresenta sempre a mesma face para a Terra. Tendo o centro de gravidade num dos pontos de sua superfície, em vez de estar no centro da esfera, e sendo, em consequência, atraído para a Terra por uma força maior do que a que atrai as partes mais leves, a Lua pode ser tida como uma dessas figuras chamadas vulgarmente joão-teimoso, que se levantam constantemente sobre a sua base, ao passo que os planetas, cujo centro de gravidade está a distâncias iguais da superfície, giram regularmente sobre o próprio eixo. Os fluidos vivificantes, gasosos ou líquidos, em virtude da sua leveza específica, se encontrariam acumulados no hemisfério superior, constantemente oposto à Terra. O hemisfério inferior, o único que vemos, seria desprovido de tais fluidos e, por isso, impróprio à vida que, no entanto, reinaria no outro. Se, pois, o hemisfério superior é habitado, seus habitantes jamais viram a Terra, a menos que excursionem pelo outro, o que lhes seria impossível, já que este não dispõe das condições indispensáveis à vitalidade. Por mais racional e científica que seja essa teoria, como ainda não foi confirmada por nenhuma observação direta, não pode ser aceita senão a título de hipótese e como ideia capaz de servir de baliza à Ciência. Não se pode, porém, deixar de convir em que é a única, até o presente, que dá uma explicação satisfatória das particularidades que apresenta o globo lunar.
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(⁴⁹) N.E.: A Lua é o único satélite natural da Terra. Atualmente, a teoria mais aceita para a origem da Lua surgiu em 1975, a teoria do Grande Impacto, proposta pelo Instituto de Ciências Planetárias de Tucson e pelo Instituto Harvard-Smithsonian de Astrofísica. Após a análise de amostras de solo e rochas lunares coletadas pelas missões Apollo, os cientistas chegaram à conclusão que há cerca de 4,5 bilhões de anos, durante a formação da Terra, um objeto do tamanho de Marte colidiu com a Terra, essa violenta colisão lançou material, pedaços de rocha líquida, para a órbita da terra; a Lua teria se formado, então, a partir da condensação do material expelido por essa colisão, tendo ficado aprisionada pelo campo gravitacional da Terra. A Lua leva o mesmo tempo (27,3 dias terrestres) para girar ao redor de seu eixo e para orbitar em volta da Terra; assim, a mesma face (o lado visível) está sempre voltada para a Terra. A quantidade da superfície que podemos ver — a fase da Lua — depende de que fração do lado visível está recebendo a luz do Sol. Allan Kardec em suas palavras já demonstrou a necessidade da observação direta da Lua para confirmação de seus dados. Em 1959, a sonda soviética Luna 3 esteve na órbita da Lua, enviando mensagens do lado oculto, encerrando as especulações de que o campo gravitacional lunar seria mais intenso naquela face, tornando possível a existência de atmosfera e vida. Há uma dissimetria entre o lado oculto e o lado visível, uma vez que a crosta na face oculta atinge 100 quilômetros de espessura, enquanto na face visível só atinge um máximo de sessenta quilômetros.
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