Livros Espíritas
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Seguramente a mais absoluta justiça preside a essas transformações, como a mais harmoniosa ordem brilha na eterna criação, nas variadas combinações que caracterizam todo organismo e todo ser vivo. Renascemos para a vida etérea e dela saímos sob essas mesmas condições de ordem e de harmonia. Tal a concepção do Sr. Renaud, que aqui não posso expor com todo o desenvolvimento desejável. É preciso recorrer ao seu livro, claro, simples, rápido, onde uma fé profunda, aliada a uma razão tão elevada quanto imparcial, prende constantemente o leitor sob o encanto de uma teoria de tal modo consoladora quanto religiosa e grandiosa. A livre espontaneidade do homem, sua solidariedade íntima e incessante com os semelhantes, com o seu globo, com o seu turbilhão, com o Universo, sua atividade cada vez mais progressiva, eficaz, irradiante, em harmonia com as leis divinas, uma cadeia infinita para sua eterna aspiração, a onipotência e a bondade de Deus justificadas, explicadas e glorificadas, o amor pelo vínculo entre Deus e o homem, eis o que ressalta deste opúsculo, o mais completo de todos os que foram escritos sob a inspiração desta grande palavra: “Os desejos do homem são as promessas de Deus.” É. de Pompéry Este artigo deu origem às duas cartas seguintes, igualmente publicadas na Presse de 31 de julho e 5 de agosto de 1862. “Paris, 29 de julho de 1862. “Ao redator. “Senhor, “Acabo de ler na Presse de ontem à tarde a seguinte passagem (artigo do Sr. de Pompéry, sobre a obra do Sr. Renaud): “O Sr. Renaud repele a hipótese de uma série indefinida de existências, quer na Terra, quer em outros globos... Hipótese a que abraçam mais ou menos os Srs. Jean Reynaud, Pierre Leroux, Henri Martin, Lamennais... Há um ponto capital que a destrói pela base: é a ausência da memória. De que me adianta uma imortalidade da qual não tenho consciência e que só Deus conhece? Para que minha imortalidade seja real, preciso é que, numa vida diferente da minha vida atual, eu guarde a lembrança de minhas existências anteriores e tenha consciência da continuidade e da identidade de meu ser. “Em minha opinião o Sr. Pompéry tem razão; uma metempsicose indefinida e sem memória não é a imortalidade. Mas, se tem razão quanto às idéias, equivoca-se quanto às pessoas. Dos quatro escritores citados, apenas um professou a doutrina que ele combate: é o Sr. Pierre Leroux, em seu livro Humanité. No que me concerne, já que ele me incluiu, embora sem títulos, para figurar ao lado de três filósofos célebres, devo dizer que não tenho outra opinião senão a que acaba de expressar acima o Sr. Pompéry. “Quanto ao Sr. Jean Reynaud, de certo modo ele fez de tal opinião o coroamento de seu livro Terre et Ciel, onde apresenta a ausência de memória como condição das existências inferiores, e a memória readquirida e conservada para sempre como um atributo essencial da vida superior. “Também não creio que o Sr. Lamennais, numa época qualquer de sua carreira, tenha, de algum modo, parecido inclinar-se à idéia da transmigração inconsciente e indefinida. Ela era muito contrária a todas as suas tendências. “Ser-vos-ei reconhecido, senhor redator-chefe, se vos dignardes acolher esta reclamação, e rogo aceiteis meus mais distintos sentimentos.” Henri Martin “Ao redator. “Senhor, “Ao tecer considerações sobre o livro do Sr. Renaud, disse eu, conforme este, que os Srs. Henri Martin, Jean Reynaud, Pierre Leroux e Lamennais não podiam, de acordo com os sistemas por eles adotados, admitir que o homem preservasse a memória em suas existências ulteriores. Isto não implica absolutamente que não estivesse, no pensamento desses filósofos, a idéia de que o homem conserva, em suas existências indefinidas, a identidade e a perpetuidade de seu ser por meio da memória. “A reclamação do Sr. Henri Martin seria, pois, muito justa, do ponto de vista de sua intenção, o que constato com prazer. Resta saber agora se o Sr. Renaud, discutindo os sistemas de seus ilustres contraditores, não tem razão de concluir pela sua insuficiência. Aí está toda a questão, na qual não posso entrar. É preciso ver o debate no livro do Sr. Renaud, que, aliás, dá testemunho da mais alta simpatia por estes homens eminentes. “Aceitai, etc.” E. de Pompéry Eis, pois, um debate travado seriamente num jornal, sem anedotas vulgares e tolas, sobre a questão da pluralidade das existências, uma das bases fundamentais da Doutrina Espírita, por homens cujo valor intelectual não poderia ser contestado, o que prova não ser ela tão absurda quanto a alguns apraz dizer. Se se quiser aprofundar mesmo as idéias emitidas no artigo do Sr. de Pompéry, nele encontrarão as da Doutrina Espírita sobre este ponto; nada falta para as completar, a não ser as relações entre os mundos visível e invisível, de que não se cogita. Tão-somente pela força do raciocínio e da intuição, esses senhores, aos quais poderiam juntar-se muitos outros, tais como Charles Fourier e Louis Jourdan, chegaram ao ponto culminante do Espiritismo sem ter passado pela fieira intermediária. A única diferença entre eles e nós é que encontraram a coisa por si mesmos, ao passo que a nós foi revelada pelos Espíritos, aí estando, aos olhos de certa gente, o seu maior erro.
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(29) 1 vol. in-18. Preço: 2 fr.; Ledoyen; Palais-Royal. Não confundir com Jean Reynaud.
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