Livros Espíritas
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Dizendo a Adão que ele tiraria da terra o alimento com o suor de seu rosto, Deus simboliza a obrigação do trabalho; mas por que fez do trabalho uma punição? Que seria da inteligência do homem se ele não a desenvolvesse pelo trabalho? Que seria da Terra se não fosse fecundada, transformada, saneada pelo trabalho inteligente do homem? Está dito (Gênesis, 2:5 e 7): “O Senhor Deus ainda não havia feito chover na Terra e não havia nela homens que a cultivassem. O Senhor formou então o homem do limo da terra.” Essas palavras, aproximadas destas outras: Enchei a Terra, provam que o homem, desde a sua origem, estava destinado a ocupar toda a terra e a cultivá-la; provam, também, que o paraíso não era um lugar circunscrito a um canto do globo. Se a cultura da terra houvesse de ser uma consequência da falta de Adão, resultaria que, se Adão não tivesse pecado, a terra permaneceria inculta e os desígnios de Deus não se teriam cumprido. Por que Ele disse à mulher que ela pariria com dor, em virtude de haver cometido a falta? Como pode a dor do parto ser um castigo, quando é um efeito do organismo e quando está provado, fisiologicamente, que é uma necessidade? Como pode ser punição uma coisa que se produz segundo as leis da natureza? É o que os teólogos ainda não explicaram, nem poderão explicar enquanto não abandonarem o ponto de vista em que se colocaram. Entretanto, podem justificar-se aquelas palavras que parecem tão contraditórias.
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