Livros Espíritas
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“A multidão respondeu: Tens demônio; quem procura matar-te?” — (JOÃO, capítulo 7, versículo 20.) Não te prendas excessivamente aos juízos da multidão. O convencionalismo e o hábito possuem sobre ela forças vigorosas. Se toleras ofensas com amor, chama-te covarde. Se perdoas com desinteresse, considera-te tolo. Se sofres com paciência, nega-te valor. Se espalhas o bem com abnegação, acusa-te de louco. Se adquires característicos do amor sublime e santificante, julga-te doente. Se desestimas os gozos vulgares, classifica-te de anormal. Se te mostras piedoso, assevera que te envelheceste e cansaste antes do tempo. Se adotas a simplicidade por norma, ironiza-te às ocultas. Se respeitas a ordem e a hierarquia, qualifica-te de bajulador. Se reverencias a Lei, aponta-te como medroso. Se és prudente e digno, chama-te fanático e perturbado. No entanto, essa mesma multidão, pela voz de seus maiorais, ensina o amor aos semelhantes, o culto da legalidade e a religião do dever. Em seus círculos, porém, o excesso de palavras não permite, por enquanto, o reinado da compreensão. É indispensável suportar-lhe a inconsciência para atendermos com proveito às nossas obrigações perante Deus. Não te irrites, nem desanimes. O próprio Jesus foi alvo, sem razão de ser, dos sarcasmos da opinião pública.
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