Livros Espíritas
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Não permitais que o padrão vibratório das forças físicas vos apague a luz gloriosa da divina certeza deste momento, porque todos nós, amados amigos, nos encontramos diante da própria Espiritualidade sem fim, renovando energias viciadas de séculos consecutivos, a caminho de transformações que vós mal poderíeis imaginar, nos Círculos de vosso presente evolutivo! Elevemo-nos, pois, no espírito do Senhor, que nos convidou ao banquete da luz, desde hoje! Levantemo-nos para o porvir, não no sentido de menosprezar a Terra, mas no propósito de aperfeiçoar as nossas qualidades individuais, para sermos verdadeiramente úteis às suas realizações que hão de vir! Entreamemo-nos intensamente, realizando os preceitos evangélicos e edifiquemo-nos, cada dia, erguendo-nos para a redenção final. E, concluindo a formosa dissertação da noite, Alexandre rematou, depois de longa pausa, apelando sentidamente: — Unamo-nos todos no compromisso sagrado de cooperação legítima com Jesus! Se o braço humano modifica a estrutura geológica do Planeta, rasgando caminhos novos, edificando cidades magníficas e proporcionando fisionomia diferente ao curso das águas da Terra, intensifiquemos nosso esforço espiritual, renovando as disposições milenárias do pensamento animalizado do mundo, construindo estradas sólidas para a fraternidade legítima, concretizando as obras de elevação dos sentimentos e dos raciocínios das criaturas e formando bases cristãs que santifiquem o curso das relações entre os homens! Não provoqueis o desenvolvimento prematuro de vossas faculdades psíquicas! Ver sem compreender ou ouvir sem discernir pode ocasionar desastres vultosos ao coração. Buscai, acima de tudo, progredir na virtude e aprimorar sentimentos. Acentuai o próprio equilíbrio e o Senhor vos abrirá a porta dos novos conhecimentos! Se o desejo de transformar o próximo atormentar-vos a alma, lembrai-vos que há mil modos de auxiliar sem impor, e que somente depois do fruto amadurecido há provisão de sementes com que atender às necessidades de outros núcleos da semeadura! Desligai-vos do excessivo verbalismo sem obras! Não vos falo aqui tão somente das obras do bem, exteriorizadas no Plano físico, mas, muito particularmente, das construções silenciosas da renúncia, do trabalho de cada dia no entendimento de Jesus-Cristo, da paciência, da esperança, do perdão, que se efetuam portas a dentro da alma, no grande país de nossas experiências interiores! Em todos os labores terrestres, transformai-vos na Vontade de Nosso Pai! E em vossos serviços de fé, não intenteis fazer baixar até vós os Espíritos superiores, mas aprendei a subir até eles, conscientes de que os caminhos de intercâmbio são os mesmos para todos e mais vale elevar o coração para receber o infinito bem, que exigir o sacrifício dos benfeitores!… Jamais quebreis o fio de luz que nos liga, individualmente, ao Espírito Divino! Não permitais que o egoísmo e a vaidade, os apetites inferiores e as tiranias do “eu” vos empanem a faculdade de refletir a Divina Luz. Recordai que em nossa capacidade de servir, e em nossas posições de trabalho, estamos para Deus como as pedras preciosas da Terra estão para o Sol criador, — quanto mais nobre a pureza da pedra, mais possibilidades apresenta para refletir o brilho solar. Colocai as expressões fenomênicas de vossos trabalhos em segundo plano, lembrando sempre de que o Espírito é tudo! Nesse instante, Alexandre silenciou, mantendo-se, então, em muda rogativa. Admirado, comovido, notei que o generoso instrutor se transfigurava, ali, aos nossos olhos. Pela primeira vez, depois de meu retorno ao novo Plano, observava acontecimento tão singular. Suas vestes tornaram-se de neve radiosa, sua fronte emitia intensa luz e de suas mãos estendidas evolavam-se raios brilhantes que, caindo sobre nós, pareciam infundir-nos estranho encantamento. Profunda emoção dominou-me o íntimo e quase todos nós, sem definir a causa daquelas divinas vibrações, chorávamos de alegria, contendo o peito opresso de júbilo inesperado. Depois de alguns momentos de êxtase sublime, vi que Sertório compreendera a minha perplexidade. É verdade que, por várias vezes, presenciara a oração de entidades elevadas, oração que se fazia acompanhar sempre dos mais belos fenômenos de luz, mas nunca observara, dantes, semelhante transfiguração! Tocando-me o braço, de leve, o companheiro acentuou: — Todas as potências de natureza superior congregaram-se em torno de Alexandre, neste momento, transformando-o em intermediário de dádivas para nós. É por isso que ele irradia e resplandece com tamanha intensidade. Compreendi a beleza da cena e a sublimidade da lição. Decorridos alguns segundos, o grande orientador, retomando o seu aspecto habitual, elevava uma prece de reconhecimento ao Senhor e encerrava alegremente a divina reunião.
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Nota: No original, a partir do próximo parágrafo até o término da preleção de Alexandre, os parágrafos estão “entre aspas”.
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