Livros Espíritas
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Resp. – Eu estava cercado de Espíritos desesperados; eu mesmo imaginava que jamais sairia desse estado infeliz. Nenhum vislumbre de esperança brilhava para minha alma endurecida. A visão da vítima rematava o meu martírio. 23. Como chegastes a um estado melhor? Resp. – Do meio de meus irmãos em desespero, certo dia divisei uma meta, que logo compreendi só poder atingir pelo arrependimento. 24. Qual foi essa meta? Resp. – Deus, do qual, mau grado seu, todos têm uma idéia. 25. Já dissestes duas vezes que em breve iríeis reencarnar. Seria indiscrição perguntar que gênero de prova escolhestes? Resp. – A morte ceifará todos os seres que me forem caros e eu mesmo sofrerei as mais abjetas enfermidades. 26. Sois feliz agora? Resp. – Em termos relativos, sim, pois entrevejo um termo aos sofrimentos. De fato, não. 27. Desde o momento em que caístes em letargia, até o despertar no caixão, vistes e ouvistes o que se passava ao redor? Resp. – Sim, mas tão vagamente que julgava sonhar. 28. Em que ano morrestes? Resp. – Em 1612. 29. [A São João Batista] Não teria G. Remone, como punição, sido obrigado a anuir à nossa evocação para confessar o crime? Isto parece resultar de sua primeira resposta, na qual fala da justiça de Deus. Resp. – Sim. Foi forçado, mas se resignou de boa vontade, quando viu um meio a mais de agradar a Deus, servindo aos vossos estudos. 30. Por certo o Espírito equivocou-se quando disse (questão 6): “Eu sabia que devia cometer um crime.” Pro-vavelmente sabia estar exposto a cometer um crime, mas, dotado de livre-arbítrio, bem podia não sucumbir à tentação. Resp. – Ele se explicou mal. Deveria ter dito: “Sabia que minha vida estaria cheia de remorsos.” Era livre para escolher outro gênero de prova. Ora, para sentir remorsos, é preciso imaginar que cometesse uma ação má. 31. Não se poderia admitir que só tivesse tido o livre-arbítrio no estado de erraticidade, ao escolher tal ou qual prova? Isto é, uma vez escolhida a prova, não mais teria, como encarnado, liberdade de não cometer a ação, devendo o crime, desse modo, ser cometido necessariamente? Resp. – Ele podia evitá-lo. Era dotado de livre-arbítrio na condição de Espírito e como encarnado; podia, pois, resistir, mas as paixões o arrastaram. Observação – Evidentemente o Espírito não se dava perfeita conta da situação; confundiu a prova, isto é, a tentação de fazer, com a ação. E como sucumbiu, acreditou numa ação fatal, por ele mesmo escolhida, o que não seria racional. O livre-arbítrio é o mais belo privilégio do Espírito humano e uma prova incontestável da justiça de Deus, que torna o Espírito o árbitro de seu destino, pois dele depende abreviar o sofrimento ou prolongá-lo por seu endurecimento e má vontade. Supor que pudesse perder a liberdade moral como encarnado, seria tirar-lhe a responsabilidade de seus atos. Por aí se pode ver que não devemos admitir certas respostas dos Espíritos senão após maduro exame, sobretudo quando não se conformam com a lógica em todos os pontos. A. K. 32. É lícito supor possa um Espírito escolher como prova uma vida de crimes, desde que tenha escolhido o remorso, que mais não é que a infração da lei divina? Resp. – Pode escolher a prova e a ela ser exposto; como, porém, tem livre-arbítrio, pode também não falir. Assim, G. Remone havia escolhido uma vida cheia de desgostos domésticos, que, ao suscitar a idéia do crime, devia encher-lhe a vida de remorsos, se o realizasse. Quis, pois, tentar essa prova na expectativa de sair vitorioso. Vossa linguagem está tão pouco em harmonia com a maneira de se comunicarem os Espíritos que muitas vezes se tornam necessárias retificações em algumas frases, dadas pelos médiuns, sobretudo dos médiuns intuitivos. Pela combinação dos fluidos nós lhes transmitimos a idéia, que traduzem mais ou menos bem, conforme seja mais ou menos fácil a combinação entre o fluido do nosso perispírito e o fluido animal do médium.
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(52) N. do T.: Mateus, 26:52.
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