Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
Chegamos agora a um ponto particularmente delicado da questão. Exprobra-se muitas vezes aos espíritas o não viverem sempre em harmonia com os seus princípios; fazem observar que entre eles o sensualismo, os apetites materiais e o amor do lucro ocupam lugar muitas vezes considerável. Acusam-nos, principalmente, de divisões intestinas, rivalidades de grupos e de pessoas, que são grandes obstáculos à organização das forças espíritas e à sua marcha para diante. Não nos convém insistir sobre essas proposições; não queremos pronunciar aqui nenhum juízo desfavorável para quem quer que seja. Permita-se-nos somente fazer notar que não seria reduzindo o Espiritismo ao papel de simples ciência de observação, que se conseguiria iludir, atenuar essas fraquezas. Ao contrário, não faríamos mais que as agravar. O Espiritismo exclusivamente experimental não teria mais autoridade, nem força moral necessárias para ligar as Almas. Alguns supõem ver no afastamento da idéia de Deus uma aproveitável medida ao Espiritismo. Por nossa parte, diremos que é a insuficiência atual desta noção e, ao mesmo tempo, a insuficiência dos nobres sentimentos e das altas aspirações, que produzem a falta de coesão e criam as dificuldades da organização do Espiritismo. Desde que a idéia de Deus se enfraquece em uma Alma, a noção do eu, isto é, da personalidade, aumenta logo; e aumenta a ponto de se tornar tirânica e absorvente. Uma dessas noções não cresce e se fortifica senão em detrimento da outra. Quem não adora a Deus, adora-se a si mesmo, disse um pensador. O que é bom para os meios de experimentação espírita, é bom para a sociedade inteira. A idéia de Deus – nós o demonstramos – liga-se estreitamente à idéia de Lei, e assim à de dever e de sacrifício. A idéia de Deus liga-se a todas as noções indispensáveis à ordem, à harmonia, à elevação dos seres e das sociedades. Eis por que, logo que a idéia de Deus se enfraquece, todas essas noções se debilitam; desaparecem, pouco a pouco, para dar lugar ao personalismo, à presunção, ao ódio por toda autoridade, por toda direção, por toda lei superior. E é assim que, pouco a pouco, grau por grau, se chega a esse estado social que se traduz por uma divisa célebre, que ouvimos ecoar em toda parte: Nem Deus, nem Senhor! Tem-se de tal modo abusado da idéia de Deus, através dos séculos; tem-se torturado, imolado, em seu nome, tantas inocentes vítimas; em nome de Deus tem-se de tal modo regado o mundo de sangue humano, que o homem moderno se desviou Dele. Tememos muito que a responsabilidade desse estado de coisas recaia sobre aqueles que fizeram, do Deus de bondade e de eterna misericórdia, um Deus de vingança e de terror. Mas, não nos compete estabelecer responsabilidades. Nosso fim é, antes, procurar um terreno de conciliação e de aproximação, em que todos os bons Espíritos se possam reunir. Seja como for, os homens modernos, em grande maioria, não querem mais suportar acima deles nem Deus, nem lei, nem constrangimento; não querem mais compreender que a liberdade, sem a sabedoria e sem a razão, é impraticável. A liberdade, sem a virtude, leva à licença, e a licença conduz à corrupção, ao rebaixamento dos caracteres e das consciências, em uma palavra, à anarquia. Será somente quando tivermos atravessado novas e mais rudes provas que consentiremos em refletir. Então, a verdade se fará luz e a grande palavra de Voltaire se verificará aos nossos olhos: “O ateísmo e o fanatismo são os dois pólos de um mundo de confusão e de horror!” (A História de Jeni.). É verdade que muito se fala de altruísmo, nova denominação do amor da Humanidade, e se pretende que esse sentimento deve bastar. Mas, como se fará do amor da Humanidade uma coisa vivida, realizada, quando não chegamos, não direi a amar-nos, mas somente a suportar-nos uns aos outros? Para se gruparem os sentimentos e as aspirações, é necessário um ideal poderoso. Pois bem! Esse ideal não o encontrareis no ser humano, finito, limitado; não o encontrareis nas coisas deste mundo, todas efêmeras, transitórias. Ele não existe senão no Ser infinito, eterno. Somente Ele é bastante vasto para recolher, absorver todos os transportes, todas as forças, todas as aspirações da alma humana, para reconhecê-los e fecundá-los. Esse ideal é Deus! Mas que é o ideal? É a perfeição. Deus, sendo a perfeição realizada, é ao mesmo tempo o ideal objetivo, o ideal vivo!
Mais opções
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×