Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
“Estas perguntas, que ainda retinem aos nossos ouvidos, inspiraram o pensamento deste livro, que tem por objetivo responder a todas, nos limites de nossas forças. Por isso, a fim de estar mais seguros e convictos, jamais afirmamos coisa alguma sem uma autoridade grave, e nada decidimos que os bispos e Roma não tenham decidido. – Entre os que estudaram especialmente estas matérias, uns rejeitam em massa todos os fatos extraordinários que o Espiritismo se atribui. Outros, concedendo larga parte às alucinações e ao charlatanismo, reconhecem que é impossível deixar de admitir certos fenômenos inexplicáveis e inexplicados, tão inconciliáveis com os ensinamentos gerais das ciências naturais, quanto desconcertantes para a razão humana; contudo, procuram interpretá-los, ou por certas leis misteriosas da fisiologia, ou pela intervenção da grande alma da natureza, da qual a nossa é simples emanação, etc. Vários escritores católicos, forçados a admitir os fatos, achando a solução natural por vezes impossível e a explicação panteísta absurda, não hesitam em reconhecer em certos fatos do Espiritismo a intervenção direta do demônio. Para estes, o Espiritismo não passa da continuação dessa magia pagã, que aparece em toda a História, desde os mágicos do faraó, à pitonisa de Endor, os oráculos de Delfos, às profecias das sibilas e dos adivinhos, até as possessões demoníacas do Evangelho e aos fenômenos extraordinários e constatados do magnetismo contemporâneo. A Igreja não se pronunciou sobre as discussões especulativas; abandona a questão histórica das origens do Espiritismo e a questão psicológica de seus agentes misteriosos à vã disputa dos homens. Teólogos sérios, bispos e doutores particulares têm sustentado estas últimas opiniões; oficialmente, Roma não os aprova nem os censura. Mas se a Igreja prudentemente guardou silêncio sobre as teorias, levantou a voz nas questões práticas, e em presença das incertezas da razão, assinala perigos para a consciência. Uma ciência curiosa e em si mesma inocente, pode, por causa dos abusos freqüentes, tornar-se uma fonte de perigos; por isso, Roma condenou como perigosos para os costumes, certas práticas e certos abusos do magnetismo, cujos graves inconvenientes os próprios espíritas não dissimulam. Ainda mais, bispos julgaram dever interditar aos seus diocesanos e em qualquer hipótese, como supersticiosos e perigosos para os costumes e para a fé, não só os abusos do magnetismo, mas o hábito de interrogar as mesas girantes. “Para nós, na questão especulativa, posta em presença dos que vêem o demônio em toda parte e dos que não o vêem em parte alguma, quisemos, mantendo-nos a distância dos dois escolhos, estudar as origens históricas do Espiritismo, examinar a certeza dos fatos e discutir imparcialmente os sistemas psicológicos e panteístas pelos quais tudo querem interpretar. Evidentemente, quando refutamos vários desses sistemas, não pretendemos impor a ninguém os nossos próprios pensamentos, embora as autoridades sobre as quais nos apoiamos nos pareçam da mais alta gravidade. Separando das opiniões livres tudo o que é de fé, como a existência dos anjos e dos demônios, as possessões e as obsessões demoníacas do Evangelho, a legitimidade e o poder dos exorcismos na Igreja, etc., deixamos a cada um o direito, não de negar o comércio voluntário dos homens com o demônio, o que, segundo o padre Perronne, seria temerário, e conduziria ao pirronismo histórico; mas reconhecemos a todo católico o direito de não ver no Espiritismo a intervenção do demônio, se os nossos argumentos parecerem mais especiosos que sólidos, e se a razão e o estudo mais atento dos fatos provarem o contrário. “Quanto à questão prática, não nos reconhecemos o direito de absolver o que Roma condena; e se algumas almas ainda hesitassem, nós as remeteríamos simplesmente às decisões romanas, às interdições episcopais e mesmo às decisões teológicas, que reproduzimos integralmente. “O plano deste livro é muito simples. A primeira parte, ou parte histórica, depois de ter dado o ensino das Santas Escrituras e a tradição de todos os povos sobre a existência e o papel dos Espíritos, nos inicia nos fatos mais salientes do Espiritismo ou da magia, desde a origem do mundo até os nossos dias. “A segunda parte, ou parte doutrinária, expõe e discute os diversos sistemas imaginados para descobrir o agente verdadeiro do Espiritismo; depois de ter precisado o nosso melhor ensino da teologia católica sobre a intervenção geral dos Espíritos, e dado livre curso a opiniões livres sobre o agente misterioso da magia moderna, assinalamos aos fiéis os perigos do Espiritismo para a fé, para os costumes e mesmo para a saúde ou para a vida. “Possam estas páginas, mostrando o perigo, concluir o bem que outros começaram!... Inútil acrescentar que, filhos dóceis da Igreja, condenamos por antecipação tudo quanto Roma pudesse desaprovar.” O Sr. abade Poussin reconhece duas coisas: 1o – que o Espiritismo envolve, como numa imensa rede, a sociedade inteira; 2o – que prestou à Igreja o serviço de derrubar as teorias materialistas do século dezoito. Vejamos que conseqüências decorrem desses dois fatos. Como dissemos, o Espiritismo é recrutado, em grande maioria, entre os incrédulos. Com efeito, perguntai aos nove décimos dos adeptos, em que acreditavam antes de ser espíritas; eles responderão que não acreditavam em nada ou, pelo menos, que duvidam de tudo; para eles a existência da alma era uma hipótese, sem dúvida desejável, mas incerta; a vida futura uma quimera; Cristo era um mito ou, no máximo, um filósofo; Deus, se existisse, devia ser injusto, cruel e parcial, daí por que tanto gostavam de crer que ele não existia. Hoje crêem e sua fé é inabalável, porque assentada na evidência e na demonstração, e porque satisfaz à razão; o futuro não é mais uma esperança, mas uma certeza, porque vêem a vida espiritual manifestar-se aos seus olhos; dela não duvidam mais do que duvidam do nascer do Sol. É verdade que não crêem nos demônios e nem nas chamas eternas do inferno, mas, em compensação, acreditam firmemente num Deus soberanamente justo, bom e misericordioso; não crêem que o mal venha dele, que é a fonte de todo bem, nem dos demônios, mas das próprias imperfeições do homem; que o homem se reforma e o mal não existirá mais; vencer-se a si mesmo é vencer o demônio. Tal é a fé dos espíritas, e a prova de sua força é que se esforçam por se tornarem melhores, domarem suas inclinações más e porem em prática as máximas do Cristo, olhando todos os homens como irmãos, sem acepção de raças, de castas, nem de seitas, perdoando aos seus inimigos, retribuindo o mal com o bem, a exemplo do divino modelo. Sobre quem o Espiritismo devia ter mais fácil acesso? Não é sobre os que tinham fé e a quem esta bastava, que nada pediam e de nada precisavam; mas sobre aqueles a quem faltava a fé. Como o Cristo, foi aos doentes, e não aos que gozam de saúde; aos que têm fome, e não aos que estão saciados. Ora, os doentes são os que se acham torturados pelas angústias da dúvida e da incredulidade. E que fez para os trazer a si? Uma maciça propaganda? Indo pregar a doutrina nas praças públicas? Violentando consciências? Absolutamente, porque estes são os meios da fraqueza; e se os tivesse usado, teria mostrado que duvidava de sua força moral. Ele tem como regra invariável, conforme a lei de caridade, ensinada pelo Cristo, não constranger ninguém, respeitar todas as convicções; contentou-se em enunciar os seus princípios, desenvolver em seus escritos as bases sobre as quais estão assentadas as suas crenças, e deixou vir a ele os que quisessem. Se vieram muitos, é que a muitos conveio e muitos nele acharam o que não haviam encontrado alhures. Se recrutou principalmente entre os incrédulos, e se em alguns anos enlaçou o mundo, é porque os incrédulos e os que não estão satisfeitos com o que lhes dão são numerosos, desde que não se é atraído senão para onde se encontra algo melhor do que o que se tem. Dissemos centenas de vezes: Querem combater o Espiritismo? Que dêem melhor que ele. Reconheceis, senhor abade, que o Espiritismo prestou à Igreja o serviço de derrubar as teorias materialistas; sem dúvida é um grande resultado, do qual ele se glorifica. Mas, como o conseguiu? precisamente com o auxílio desses meios que chamais diabólicos, com as provas materiais que ele dá, da alma e da vida futura; foi com a manifestação dos Espíritos que ele confundiu a incredulidade e que triunfará definitivamente. E dizeis que tal serviço é obra de Satã? Mas, então, não deveríeis lhe querer tanto, já que ele próprio destrói a barreira que retinha os que ele prendera indevidamente? Lembrai-vos da resposta do Cristo aos fariseus, que lhe falavam exatamente a mesma linguagem, acusando-o de curar os doentes e de expulsar os demônios pelos demônios. Lembrai-vos, também, a respeito, das palavras de Monsenhor Frayssinous, bispo de Hermópolis, em suas conferências sobre religião: “Certamente, um demônio que procurasse destruir o reino do vício para estabelecer o da virtude seria um demônio singular, porque se destruiria a si mesmo.” Se esse resultado obtido pelo Espiritismo é obra de Satã, como é que a Igreja lhe deixou o mérito e não o obteve ela própria? Como é que deixou a incredulidade invadir a sociedade?
Mais opções
Nota 1:
5000
caracteres restantes
(1) Nota da Editora: Ver “Nota Explicativa”, p. 543.
Formatar
Nova Nota
Nota 2:
5000
caracteres restantes
(2) Um vol. in-12; preço: 3 fr. Sarlit, livreiro, 25, rue Saint-Sulpice, Paris.
Formatar
Nova Nota
Nota 3:
5000
caracteres restantes
(3) N. do T.: O abade não se está referindo a Tomé, apóstolo de Jesus, mas ao teólogo Tomás de Aquino.
Formatar
Nova Nota
Nota 4:
5000
caracteres restantes
(4) N. do T.: I Samuel, 28: 1 a 25.
Formatar
Nova Nota
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×