Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
Esse discretíssimo amigo espiritual foi mais uma presença do que uma pessoa concreta. Cerca de vinte anos depois, ela diria que só o viu quatro vezes. A primeira, no início, logo após a leitura dos livros de Kardec. Regina descreve-o como uma pessoa de elevada estatura e esguia. Apresentava-se vestido com uma túnica singela, meio 'evasée', abotoada na frente. Quando o viu pela primeira vez, ele trazia um livro nas mãos. - É o meu instrumento de trabalho - explicou ele. Era um exemplar do Evangelho. Ele e também outra entidade muito querida que mais tarde se manifestaria a ela somente acorrem nos momentos de crise excepcionalmente aguda ou quando decidem tomar a iniciativa para comunicar-lhe algo decisivo em relação à sua programação espiritual. Em tais casos, ela sente abrir-se um canal que conduz a um caminho luminoso que passa por uma espécie de túnel. É por ali que vem o pensamento deles. Quando um deles vem visitá-la, é por ali que o vê chegar e regressar. Regina os considera amores muito queridos de várias e remotas existências e que, adiantando-se na trilha evolutiva, estão sempre atentos, velando por ela dos elevados planos em que vivem. Sem que todos os seus problemas estivessem resolvidos por um passe de mágica, estava agora mais esclarecida acerca deles, bem como dos fenômenos que continuavam a ocorrer. Sabia ela, agora, que se chamava mediunidade ao conjunto de suas faculdades e que cada uma delas tinha sua classificação no quadro geral e uma função específica. Isto queria dizer também que, sendo médium, ela viera incumbida de uma tarefa e precisava desempenhá-la a contento. Que iria dizer, um dia, numa daquelas dramáticas prestações de contas, se não atendesse aos compromissos que certamente assumira? Mas, por onde começar? A quem recorrer? É o que veremos a seguir. 8. O SUSTO E A PRIMEIRA PSICOGRAFIA Lembrou-se, nessa altura, de uma conhecida sua que se dizia espírita. Procurou-a para uma conversa e relatou-lhe o que se passava com ela. Após ouvi-la. a senhora lhe disse que tinha uma irmã, médium, que dirigia um centro. Se Regina quisesse, poderia pedir ao guia da irmã para conceder-lhe uma 'consulta' e dizer-lhe como proceder. Sem nenhuma experiência de tais práticas e não tendo a quem mais recorrer no plano físico, Regina concordou com a proposta e aguardou com certa expectativa a consulta. No dia indicado, encontraram-se no local preestabelecido, sendo logo avisada pela sua companheira, algo desconcertada, que infelizmente não daria para fazer a consulta na residência da irmã, conforme ficara combinado. A outra tivera de ir ao centro para alguma tarefa inadiável e inesperada e era lá que Regina seria atendida. Inexplicavelmente, a mudança de planos causou certa inquietação à consulente. Teria preferido a consulta particular, que não a exporia mais do que o necessário. Não havia, contudo, como recuar, por isso seguiu em frente, a despeito de seus temores. O centro funcionava em bairro muito distante. Depois de longa viagem de ônibus, saltaram e seguiram por um caminho estreito ladeado de capim e arbustos. Crescia a inquietação de Regina. Algo não estava bem naquilo, mas ela atribuía tal sensação às reservas com as quais considerava a prática espírita em geral, sobre a qual ouvira comentários um tanto desairosos. Caminharam um bom trecho até chegar à casa onde funcionava a instituição. Sua companheira adiantou-se e entrou primeiro. Regina a seguiu. Mal transposta a entrada. Viu-se aturdida em frente a um enorme grupo de pessoas que se agitavam ritmadamente, em ambiente esfumaçado no qual se misturavam o odor acre do charuto e o dos defumadores. Os agitados bailarinos vestiam-se de branco; o ritmo dos instrumentos era ensurdecedor. Mesmo assim, Regina' ouviu' nitidamente uma voz interior que lhe dizia, imperiosa: "Vá embora! Volte para casa imediatamente!" Não havia tempo a perder Como uma mola comandada por irresistível força, ela virou-se e saiu porta afora com toda a pressa de que era capaz, quase correndo. Sua companheira saiu-lhe no encalço, preocupada, gritando pelo seu nome e pedindo-lhe que parasse. Mesmo que o desejasse, ela não conseguia deter os passos e logo adiantou-se tanto que a mulher desistiu de detê-la ou de segui-la. O problema agora era encontrar o caminho certo entre os inúmeros atalhos mal traçados pelo meio do mato. Conseguiu, contudo, chegar (esbaforida) ao caminho principal. Na verdade, não sabe ao certo como conseguiu safar-se daquele labirinto. Quando deu acordo de si, estava já na estrada principal pela qual percorrera bom pedaço. Estaria sob controle mediúnico de alguma entidade amiga? É o que ela supõe. Ficou ali por algum tempo, até que surgiu um ônibus e ela o tomou de volta. Só então pôde fazer uma avaliação mais serena da situação. Sentia-se arrasada, desconcertada e com um sentimento de vergonha. E principalmente confusa. Estranha angústia invadiu-a e as lágrimas começaram a correr-lhe. Se para ser médium precisava fazer aquelas coisas, então ela não o queria ser. Chegou em casa ainda perturbada e confusa. E sem saber o que fazer a seguir. Não tinha uma tarefa a realizar? Seria aquela a única maneira de desempenhá-la? Um pouco mais calma, lembrou-se de que afinal ela também era médium e que poderia tentar, naquela emergência - e era uma emergência -, receber uma orientação de seus amigos espirituais. Estranho que não havia antes pensado nisso! Deixara-se talvez empolgar pela aparente segurança e experiência da sua conhecida, que se oferecera para levá-la à irmã. Mesmo porque esta já era médium experiente e habituada, segundo parecia, ao trabalho de aconselhamento. Regina foi à estante, retirou de lá O livro dos médiuns e localizou a passagem em que Kardec transmite instruções sobre a maneira adequada de exercer a mediunidade psicográfica. Lá estava. Sentar-se comodamente, fazer uma prece, segurar o lápis pousado levemente sobre o papel e aguardar. Assim foi feito. Na prece, procurou com o pensamento e a emoção aquele amigo especial, pedindo-lhe se possível uma orientação. Se ela era médium, queria servir, sentia-se honrada com o mandato e julgava chegada a hora de dar início ao trabalho, mas por onde começar? Será que existia apenas aquela forma de exercício mediúnico que vira lá no centro do bairro distante? Era para lá que ela deveria ir, enfrentando todas as dificuldades que isso acarretava? Era lá que estaria posta a tarefa à sua espera? E que era aquilo, afinal, que lhe parecera tão diferente de tudo quanto lera a respeito? A prece ajudou-a a acalmar-se. Ficou ali, imóvel, apenas segurando o lápis, sem exercer maior esforço ou tensão sobre a superfície do papel. O braço foi ficando pesado, pesado e invadido por uma ligeira sensação de dor. De repente, ficou leve como se fosse flutuar, movimentou-se sozinho e sua mão começou a deslizar sobre o papel. Aquilo era novo para ela, uma verdadeira surpresa. Por alguns momentos ela ficou a observar o braço, a deslocar-se como se não fosse parte de seu corpo e sim um objeto destacado e autônomo, que se movia com seus próprios recursos. A mão, contudo, não conseguia traçar senão rabiscos sem sentido. Ela ficou, por um momento, sem saber o que fazer; em seguida, ouviu a voz do seu amigo, que lhe recomendava segurar o lápis com mais firmeza. Feito isso, assistiu maravilhada produzir-se ante seus olhos a primeira mensagem psicográfica, na qual seu amigo se utilizava de sua própria mão para dizer-lhe algo. Foi uma mensagem sucinta. Quando a escrita terminou, a mão tomou a iniciativa de abandonar o lápis sobre o papel e voltou à sua condição normal, ou seja, Regina reassumiu o comando sobre seus movimentos. Apanhou a folha de papel e leu o texto, com emoção e lágrimas nos olhos. Ali estava escrito que ela se acalmasse. Era médium, sim, e tinha tarefas a realizar, mas não se preocupasse demasiado com o assunto. Precisava, de fato, freqüentar um grupo para exercitar-se melhor. Procurasse alguém que conhecesse as obras de Kardec para pedir orientação. Desejou-lhe paz, abençoou-a em nome de Deus e assinou: "Um amigo". Ela se sentiu mais segura. O amigo querido ali estava, atento e disposto a ajudá-la. Ela sabia que podia confiar nele. 9. NOVAS DECEPÇÕES Dessa vez, ela procurou uma amiga que sabia estar familiarizada com a obra de Kardec. Essa moça já lhe dissera uma vez que tudo aquilo que acontecia com ela resultava de um potencial mediúnico que era preciso cultivar. Indicou-lhe um centro de sua confiança, ali mesmo nas redondezas e que ela freqüentava regularmente. Regina passou a comparecer as reuniões públicas de estudo. Durou pouco, no entanto, sua presença na instituição. Conheceu lá um senhor que fazia parte da diretoria que a ouviu pacientemente e prometeu ajudá-la. Houve, porém, um desentendimento qualquer entre os diretores; ele renunciou ao cargo que exercia e retirou-se da sociedade. Por solidariedade, ela entendeu que deveria também sair. Era um homem experimentado, simpático e parecia ser 'grande conhecedor' dos aspectos técnicos e práticos do espiritismo. Regina encontrara nele o apoio de que necessitava para suas perplexidades e sua busca. Ficou conhecendo sua esposa, passou a freqüentar sua casa e se tornaram, enfim, bons amigos. Regina decidiu, então, dar início a um culto doméstico para o qual convidou o casal e mais duas pessoas de suas relações de amizade. A idéia foi recebida com entusiasmo por ele. Logo na primeira reunião, surpreendeu-a com um livro de atas, um regulamento e nome já escolhido para o culto, emprestando- lhe as características de um pequeno centro espírita, ainda embrionário. Não era isso que Regina havia imaginado. Ela desejava apenas uma reunião informal para estudo e prece. Não via, porém, necessidade de impor suas idéias, mesmo porque seu amigo espiritual começou a comunicar-se regularmente, sem assinar as mensagens. Continuou utilizando-se da expressão inócua de sempre: "Um amigo". Somente ela sabia de quem se tratava, embora lhe ignorasse o nome.
Mais opções
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×