Livros Espíritas
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Espiritos:
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Se o fato ficar comprovado, dirão eles, nós o aceitaremos. E aceitaríamos até mesmo a causa que lhe atribuís, a de um fluido desconhecido. Mas quem nos prova a intervenção dos Espíritos? Aí é que está o maravilhoso, o sobrenatural. Precisaríamos, neste caso, de uma demonstração completa, que, no entanto, não seria cabível, constituindo, além disso, uma repetição, porque ressalta de todas as outras partes do ensino. Todavia, para resumi-la em algumas palavras, diremos que ela se baseia, do ponto de vista teórico, no princípio de que todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente e, do ponto de vista prático, na observação de que os fenômenos ditos espíritas, por terem dado provas de inteligência, hão de ter sua causa fora da matéria; mais ainda: que essa inteligência, não sendo a dos assistentes — o que a experiência atesta — havia de estar fora deles. Visto que não se via o ser que atuava, deveria tratar-se, necessariamente, de um ser invisível. Assim foi que, de observação em observação, se chegou a reconhecer que esse ser invisível, a que deram o nome de Espírito, não é senão a alma dos que viveram corporalmente, aos quais a morte despojou de seu grosseiro envoltório visível, deixando-lhes apenas um envoltório etéreo, invisível no seu estado normal. Eis, pois, o maravilhoso e o sobrenatural reduzidos à sua expressão mais simples. Uma vez comprovada a existência dos seres invisíveis, a ação deles sobre a matéria resulta da natureza do corpo fluídico que os reveste. Essa ação é inteligente porque, ao morrerem, eles perderam tão somente o corpo, conservando a inteligência que lhes constitui a própria essência. Aí está a chave de todos esses fenômenos tidos erroneamente por sobrenaturais. A existência dos Espíritos não é, portanto, um sistema preconcebido, uma hipótese imaginada para explicar os fatos: é o resultado de observações e consequência natural da existência da alma. Negar essa causa é negar a alma e seus atributos. Os que pensam que podem encontrar, para esses efeitos inteligentes, uma solução mais racional, apontando, sobretudo, a razão de todos os fatos, tenham a bondade de fazê-lo. Só então será possível discutir-se o mérito de cada uma.
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