Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
É a existência desse mundo invisível que o Espiritismo demonstra, pelas relações que com ele é possível estabelecer, e porque aí encontramos aqueles que conhecemos. Já não se trata de uma vaga esperança: é uma prova patente. Ora, a prova do mundo invisível é a prova da vida futura. Adquirida esta certeza, as idéias mudam completamente, porque a importância da vida terrena diminui à medida que cresce a da vida futura. Esta a fé no mundo invisível que possuía o Sr. Sanson. Via e compreendia tão bem que, para ele, a morte era apenas um limiar a transpor, a fim de passar de uma vida de dores e de misérias para uma vida bem-aventurada. A serenidade de seus últimos instantes era, pois, ao mesmo tempo, o resultado de sua confiança absoluta na vida futura, que ele já entrevia, e uma consciência irreprochável, que lhe dizia nada dever recear. Esta fé tinha sido haurida no Espiritismo, porque – forçoso é reconhecer – antes da época em que conheceu esta doutrina consoladora era céptico, embora não fosse materialista. Mas suas dúvidas cederam ante a evidência dos fatos que testemunhou; desde então, tudo mudou para ele. Colocando-se, pelo pensamento, fora da vida material, não mais a via senão como um dia maravilhoso entre um número infinito de dias felizes. Longe de se lamentar da amargura da vida, bendizia os sofrimentos como provas que deveriam acelerar o seu progresso. Caro Sr. Sanson, sois testemunha da sinceridade do pesar de todos nós que vos conhecemos e cuja afeição sobrevive à vossa morte. Em nome de todos os meus colegas presentes e ausentes, em nome de todos os vossos parentes e amigos, eu vos digo adeus, mas não um eterno adeus, o que seria uma blasfêmia contra a Providência e uma negação da vida futura. Nós, espíritas, menos que as demais pessoas, não devemos pronunciar esta palavra. Até à vista, pois, caro Sr. Sanson. Que possais fruir, no mundo em que vos encontrais agora, da felicidade que mereceis e vir estender-nos a mão, quando chegar a nossa vez de nele entrar. Permiti-me, senhores, pronunciar uma curta prece sobre esta tumba, antes que ela seja fechada: “Deus Todo-Poderoso, que a vossa misericórdia se estenda sobre a alma do Sr. Sanson, que acabais de chamar. Possam as provas que sofreu na Terra lhe serem levadas em conta, e as nossas preces suavizar e abreviar as penas que talvez ainda tenha de suportar como Espírito! “Espíritos bons que viestes recebê-la, e sobretudo vós, seu anjo-da-guarda, assisti-a, para auxiliá-la a se desembaraçar da matéria; dai-lhe a luz e a consciência de si mesma, a fim de subtraí-la da perturbação que acompanha a passagem da vida corporal à vida espiritual. Inspirai-lhe o arrependimento das faltas cometidas e que lhe seja permitido o desejo de as reparar, a fim de apressar o seu progresso para a vida eterna bem-aventurada. “Alma do Sr. Sanson, que acabais de entrar no mundo dos Espíritos, estais presente entre nós; vedes e nos ouvis, porquanto entre vós e nós não há senão o corpo perecível, que há pouco deixastes e que logo será reduzido a pó. “Esse corpo, instrumento de tantas dores, ainda está lá, ao vosso lado. Vós o vedes como o prisioneiro vê as cadeias de que acaba de se libertar. Abandonastes o vosso invólucro grosseiro, sujeito às vicissitudes e à morte, apenas conservando o envoltório etéreo, imperecível e inacessível aos sofrimentos. Se já não viveis pelo corpo, viveis a vida do Espírito, e esta vida é isenta das misérias que afligem a Humanidade. “Não mais tendes o véu que oculta aos nossos olhos os esplendores da vida futura; doravante podereis contemplar novas maravilhas, enquanto ainda estamos mergulhados nas trevas. “Ireis percorrer o espaço e visitar os mundos em completa liberdade, enquanto nos arrastamos penosamente na Terra, retidos pelo nosso corpo material, que se nos assemelha fardo por demais pesado. “O horizonte do infinito vai desdobrar-se diante de vós e, na presença de tanta grandeza, compreendereis a esterilidade de nossos desejos terrenos, de nossas ambições mundanas e de nossas vãs alegrias, transformadas em delícias pelos homens. “Entre os homens a morte não passa de uma separação material que dura alguns instantes. Do lugar do exílio, onde ainda nos retém a vontade de Deus, bem como os deveres que devemos cumprir na Terra, nós vos seguimos em pensamento até quando nos for permitido reunir-nos a vós, como agora vos reunis àqueles que vos precederam. “Se não pudermos ir até vós, podeis vir a nós. Vinde, pois, entre os que vos amam e que amastes; sustentai-os nas provas da vida; velai pelos que vos são caros; protegei-os conforme o vosso poder e abrandai os seus pesares pelo pensamento de que agora estais mais feliz e pela certeza consoladora de que um dia estaremos reunidos num mundo melhor. “Que, doravante, para a vossa felicidade futura, possais ficar inacessível aos ressentimentos terrenos! Perdoai aos que cometeram faltas para convosco, como eles vos perdoam as que podeis ter cometido para com eles.” Amém. Conversas Familiares de Além-Túmulo
Mais opções
Nota 1:
5000
caracteres restantes
(27) N. do T.: Estaria o Espírito se referindo ao ano de 1796?
Formatar
Nova Nota
Nota 2:
5000
caracteres restantes
(28) N. do T.: Grifo nosso. No original: réincarcérer.
Formatar
Nova Nota
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×