Livros Espíritas
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O Sr. Albert Wolff disparou mais de uma seta no Espiritismo e nos espíritas, e eis que ele mesmo admite a possibilidade da segunda vista e, ainda mais, a previsão pela segunda vista. Provavelmente não se dá conta a que conseqüências conduz o reconhecimento de tal faculdade. Mais um que caminha ao lado do Espiritismo sem o suspeitar, talvez sem ousar confessá-lo, e que nem por isso deixa de atirar-lhe a pedra. Se lhe dissessem que é espírita, pularia de indignação, exclamando: Eu! crer nos irmãos Davenport! Porque para a maioria desses senhores o Espiritismo está inteirinho no golpe das cordas. Lembramos que um deles, a quem um correspondente censurava falar do Espiritismo sem o conhecer, respondeu em seu jornal: “Enganai-vos; estudei o Espiritismo na escola dos irmãos Davenport, e a prova é que isto me custou 15 francos.” Cremos ter citado o fato em alguma parte da Revista. Que se lhes pode pedir a mais? Não sabem mais que isto. O Siècle de 27 de agosto de 1866 citava as seguintes palavras da Sra. George Sand, a propósito da morte do Sr. Ferdinand Pajot: “A morte do Sr. Ferdinand Pajot é um fato dos mais dolorosos e lamentáveis. Este jovem, dotado de notável beleza e pertencente a excelente família, era, além disso, um homem de coração e de idéias generosas. Nós mesma o pudemos apreciar cada vez que invocamos a sua caridade para os pobres de nosso círculo. Dava largamente, com mais generosidade, talvez, do que o autorizavam os seus recursos, e dava com espontaneidade, com confiança, com alegria. Era sincero, independente, bom como um anjo. Casado há pouco com uma jovem encantadora, será lamentado como o merece. Devo lhe dar, depois desta cruel morte, uma terna e maternal bênção: ilusão, se se quiser, mas creio que entramos melhor na vida que se segue a esta, quando a ela chegamos escoltados pela estima e a afeição dos que acabamos de deixar.” A Sra. Sand é ainda mais explícita em seu livro Mademoiselle de la Quintinie. À página 318, lê-se: “Senhor abade, quando quiserdes que demos um passo para a vossa igreja, começai por nos fazer ver um concílio reunido e decretando mentira e blasfêmia o inferno das penas eternas, e tereis o direito de nos exclamar: Vinde a nós, vós todos que quereis conhecer a Deus.” Página 320: “Pedir a Deus que aniquile nossos sentidos, endureça o nosso coração, torne odiosos os nossos laços mais sagrados, é pedir-lhe que negue e destrua sua obra, que volte sobre os seus passos e nos faça voltar nós mesmos, fazendo-nos retrogradar para as existências inferiores, abaixo do animal, abaixo da planta, talvez abaixo do mineral.” Página 323: “Entretanto, seja qual for a vossa sorte entre nós, vereis claro um dia além da tumba e, como não creio mais nos castigos sem fim quanto nas provas sem fruto, anuncio-vos que nos encontraremos em alguma parte, onde nos entenderemos melhor e onde nos amaremos, em vez de nos combatermos; mas, também como vós, não creio na impunidade do mal e na eficácia do erro. Creio, pois, que expiareis o endurecimento do vosso coração por intensos sofrimentos da alma em outra existência qualquer.” Ao lado desses pensamentos eminentemente espíritas, aos quais só falta o nome que se obstinam em lhes recusar, por vezes se encontram outros, um pouco menos sérios, que lembram o belo tempo das zombarias mais ou menos espirituosas, sob as quais pensavam poder sufocar o Espiritismo. Pode-se julgá-lo pelas amostras seguintes, que são como os foguetes perdidos do fogo de artifício. O Sr. Ponson du Terrail, em seu Dernier mot de Rocambole, publicado em folhetim no Figaro, assim se exprime: “Entretanto, os ingleses se mostrariam superiores aos americanos em matéria de superstição. As mesas girantes, antes de fazer entre nós a felicidade de cem mil imbecis, passaram várias estações em Londres e aí receberam uma das hospitalidades mais corteses. Pouco a pouco o relato do coveiro tinha dado a volta em Hampstead, cidade célebre por seus burros e seus burriqueiros, e a gente importante da região não tinha hesitado um só instante em decidir que a casa de campo, à noite, era assombrada por Espíritos.” O Sr. Ponson du Terrail, que outorga tão generosamente um diploma de imbecilidade a cem mil indivíduos, crê, naturalmente, ter mais espírito do que eles, mas não crê albergar um Espírito, sem o que é provável que não os enviasse ao país dos burros. Mas, perguntará ele, que relação pode haver entre as mesas girantes e os sublimes pensamentos que citastes há pouco? Há, respondemos nós, a mesma relação que existe entre o vosso corpo, quando valsa, e o vosso espírito, que o faz valsar; entre a rã, que dançava no prato de Galvani, e o telégrafo transatlântico; entre a maçã que cai e a lei da gravitação, que rege o mundo. Se Galvani e Newton não tivessem meditado sobre esses fenômenos tão simples e tão vulgares, hoje não teríamos tudo o que a indústria, as artes e as ciências deles tiraram. Se cem mil imbecis não tivessem buscado a causa que faz girar as mesas, ainda hoje ignoraríamos a existência e a natureza do mundo invisível, que nos rodeia; não saberíamos de onde viemos antes de nascer e para onde vamos ao morrer. Entre esses cem mil imbecis, muitos talvez ainda acreditassem em demônios chifrudos, nas chamas eternas, na magia, nos feiticeiros e nos sortilégios. As mesas girantes são, para os pensamentos sublimes sobre o futuro da alma, o que o germe é para a árvore que dele saiu: são os rudimentos da ciência do homem. Lia-se no Écho d’Oran de 24 de abril de 1866: “Acaba de se passar em El-Afroun um fato que afetou penosamente a nossa população. O Sr. Pagès, um dos mais antigos habitantes de nossa cidade acaba de morrer. Sabeis que estava imbuído das idéias – eu ia dizer das loucuras – do Sr. Allan Kardec e que fazia profissão do Espiritismo. Fora dessa extravagância, era um homem honesto, estimado por todos os que o conheciam. Por isso, ficaram muito admirados quando souberam que o sr. cura se havia recusado a enterrá-lo, sob pretexto de que o Espiritismo é contrário ao Cristianismo. Não está no Evangelho: Retribuí o mal com o bem? Ora, se esse pobre Sr. Pagès é culpado por ter crido no Espiritismo, não era uma razão a mais para orar por ele?” O Sr. Pagès, que conhecíamos por correspondência há longa data, escrevia-nos isto: “O Espiritismo fez de mim um outro homem. Antes de o conhecer, eu era como muitos outros; não acreditava em nada e, contudo, sofria ao pensamento de que, morrendo, tudo está acabado para nós. Por vezes experimentava profundo desânimo, e me perguntava para que serve fazer o bem. Para mim o Espiritismo teve o efeito de uma cortina que se levanta para nos mostrar uma decoração magnífica. Hoje vejo claro; o futuro não é mais duvidoso e estou muito feliz. Dizer-vos da felicidade que experimento é impossível; parece que estou como um condenado à morte, a quem vêm dizer que não morrerá e que vai deixar sua prisão para ir a um belo país, viver em liberdade. Caro senhor, que efeitos isto devia produzir? A coragem me voltou com a certeza de viver sempre, porque compreendi que aquilo que adquirimos em bem não é pura perda; compreendi a utilidade de fazer o bem; compreendi a fraternidade e a solidariedade que ligam todos os homens. Sob o império deste pensamento esforcei-me por me melhorar. Sim, posso vos dizer sem vaidade, corrigi-me de muitos defeitos, embora me restem ainda muitos. Agora sinto que morrerei tranqüilo, pois sei que apenas trocarei a veste má, que me incomoda, por uma nova, na qual estarei mais à vontade.” Eis, pois, um homem que, aos olhos de certas pessoas, era razoável, sensato quando não acreditava em nada, e que é tachado de loucura pelo único fato de ter crido na imortalidade de sua alma pelo Espiritismo. E são essas mesmas pessoas, que nem crêem na alma nem na prece, que lhe atiraram pedras por suas crenças em vida e o perseguem com seus sarcasmos até depois de morto, que invocam o Evangelho contra o ato de intolerância e a recusa de preces de que ele foi objeto, ele que não acreditou no Evangelho e na prece senão pelo Espiritismo!
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