Livros Espíritas
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Espiritos:
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De todos esses aspectos temos tido experiências altamente instrutivas e algumas de intensa dramaticidade. Já relatei algumas ao longo destas páginas. Veremos outros exemplos. São mais frequentes as oportunidades em que é preciso adormecer o Espírito, especialmente ao fim da conversa, de modo a serem conduzidos pelos trabalhadores desencarnados. É também comum o trabalho de “desfazer” vestimentas especiais, dentro das quais se julgam protegidos de nossos fluídos. Certo Espírito, além de capacete e couraça, ligava-se por um fio, segundo nos explicou, ao seu grupo. Cinquenta companheiros seus haviam ficado reunidos, em rigorosa concentração, para sustentá-lo na sua “perigosa” missão junto a nós. O passe pode “desfazer” os fios que ligam Espíritos aos seus redutos. Desta vez, porém, as ligações foram mantidas e, no devido tempo, os mentores do grupo utilizaram-se daqueles condutos para levar ao grupo deles uma vigorosíssima carga fluídica, que os desarvorou completamente. Numa dessas ocasiões, o fio também foi preservado, para que, através dele, se “retransmitisse”, aos comparsas do Espírito manifestado, as palavras que ele ouvia do doutrinador. Com mais frequência do que seria de supor-se, somos instruídos a provocar a desintegração de objetos e apetrechos, como no caso daquele que nos trouxe, para fins muito bem definidos, um invisível prato de sangue, que depositou sobre a mesa. São também constantes os fenômenos de regressão de memória, quase sempre reportando-se a vidas anteriores, nas quais se escondem núcleos de problemas afetivos, O passe ajuda os Espíritos, a despeito deles mesmos, nesses mergulhos providenciais no passado, mas nem sempre necessariamente em vidas anteriores. Lembro-me, a propósito, de um doloroso e comovente caso. O Espírito era agressivo, violento e de dificílima abordagem. Seu problema central é a mãe. Tem-lhe ódio mortal. Ao que parece, destacou-se na vida, mas nunca pôde esquecer-se de suas origens e perdoar a progenitora por ter sido uma pobre e infeliz peixeira do cais. Quando vê diante de si o Espírito de sua mãe, de braços estendidos, grita- lhe impropérios terríveis, manda-a de volta ao cais, ameaça bater-lhe e humilha-a de todas as maneiras. Creio que ele não conheceu o pai e, segundo diz, sofreu humilhações na escola, por causa de sua vida miserável, numa época de preconceitos muito severos. Ajudados por nossos passes, os amigos espirituais fazem com ele uma regressão de memória, até à infância, quando, muito pequeno, ainda aceitava a mãe, porque dependia dela e a consciência do seu drama interior estava adormecida. Ele se tornou sonolento e, com voz mansa, começou a chamar pela mãe, até que adormeceu sobre a mesa e foi retirado. Na semana seguinte, voltou novamente com todo o ímpeto, agora agravado pelos “ardis” que utilizamos contra ele, na sessão anterior. Ainda muito difícil, está pelo menos em condições de ouvir melhor o que lhe digo. Começo a pedir-lhe que procure compreender a mãe. Ele sabe que o espírito é imortal e que vivemos muitas vidas. Por que razão teria ele, por exemplo, escolhido aquela mãe, e não outra? É porque já estava ligado a ela anteriormente. Ademais, sabia ele das obsessões de que ela fora vítima? Foi isto, precisamente, que rompeu o dique das suas emoções represadas: ele próprio fora seu obsessor, enquanto ela se encontrava na carne e ele permanecia no mundo espiritual. A sua reencarnação através dela foi um recurso da lei divina do reajuste, necessário a ambos. Num “flash” doloroso, ele compreendeu todo o seu drama terrível e entrou numa tremenda crise de remorso. Ao cabo de uma longa conversa — e agora é o momento em que o doutrinador precisa de maior sensibilidade ainda — ele é novamente adormecido e levado. Em suma: o passe tem importante lugar no trabalho mediúnico, mas precisa ser utilizado com prudência e sob cuidadosa orientação dos trabalhadores desencarnados. Não deve ser empregado para atordoar o manifestante, exatamente quando precisamos de sua lucidez para argumentar com ele sobre o seu problema; mas, às vezes, precisa ser aplicado exatamente para serená-lo e prepará-lo para outra ocasião, em que se apresentará mais receptivo. Tenho perfeita consciência das dificuldades que o problema oferece e do embaraço em que me encontro para ser mais específico na formulação de observações concretas e de normas de ação mais definidas. Em assuntos dessa natureza, é melhor confessar a escassez de conhecimentos do que arriscar-se a ditar regras que não estão nitidamente definidas pela experiência. Se posso sugerir alguma Coisa, é que exercitem com parcimônia o recurso do passe em Espíritos desencarnados e observem atentamente seus efeitos e possibilidades. Um dia saberemos mais acerca desse precioso instrumento de trabalho, no campo mediúnico.
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