Livros Espíritas
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Conheceis Lamennais há muito tempo e, certamente, apreciastes o quanto esse filósofo continuou apaixonado pela idéia abstrata; sem dúvida notastes o quanto ele acompanha com persistência, e com talento – devo dizê-lo – suas teorias filosóficas e religiosas. Logicamente deveis deduzir que o ser pessoal pensante prossegue, mesmo depois da tumba, seus estudos e trabalhos e que, por meio dessa lucidez que é o apanágio particular dos Espíritos, comparando seu pensamento espiritual com o seu pensamento humano, deve eliminar tudo quanto o obscurecia materialmente. Muito bem! o que é verdadeiro para Lamennais, o é igualmente para os outros, e cada um, no vasto país da erraticidade, conserva suas aptidões e sua originalidade. Buffon, Gérard de Nerval, o Visconde de Launay, Bernardin de Saint-Pierre conservam, como Lamennais, os gostos e a forma literária que observáveis neles, quando vivos. Creio útil chamar vossa atenção sobre essa condição de ser do nosso mundo de além-túmulo, para que não venhais a crer que abandonamos instantaneamente nossas inclinações, costumes e paixões quando despimos as vestes humanas. Na Terra, os Espíritos são como prisioneiros, que a morte deve libertar; no entanto, assim como aquele que está sob grades tem as mesmas propensões, conserva a mesma individualidade quando em liberdade, os Espíritos conservam suas tendências, originalidade e aptidões, ao chegarem entre nós. Contudo, à exceção dos que passaram, não por uma vida de trabalho e de provas, mas por uma vida de expiação, como os idiotas, os cretinos e os loucos, suas qualidades inteligentes, mantidas em estado latente, não despertam senão à saída da prisão terrestre. Como pensais, isto deve entender-se do mundo espírita inferior ou médio, e não dos Espíritos elevados libertos da influência corporal. Ides tomar as vossas férias, senhores associados. Permiti que vos dirija algumas palavras amigas, antes de nos separarmos por algum tempo. Creio que a doutrina consoladora que vos viemos ensinar só conta, entre vós, com adeptos fervorosos. Eis por que, como é essencial que cada um se submeta à lei do progresso, julgo dever aconselhar-vos a examinar, perante vós, que proveito haveis tirado pessoalmente de nossos trabalhos espíritas, e que progresso moral disso resultou em vossos meios recíprocos. Porque – bem o sabeis – não basta dizer: Sou espírita, e encerrar essa crença no seu íntimo; o que vos é indispensável saber é se vossos atos estão de acordo com as prescrições de vossa nova fé, que, nunca seria demais repetir, é Amor e caridade. Que Deus seja convosco! Erasto
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(39) N. do T.: Liga – Alusão ao movimento político-religioso que se opôs a Henrique III (Valois) e prosseguiu contra seu sucessor e ex- cunhado, Henrique IV (Bourbon), no período mais exacerbado das chamadas Guerras de Religião, na França.
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(40) Alusão a uma série de comunicações ditadas por Lamennais, sob o título de Meditações filosóficas e religiosas, que publicaremos no próximo número.
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(41) N. do T.: Ora aparece grafado Visconde Delaunay, ora Visconde de Launay. Preferimos esta última.
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