Livros Espíritas
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Resp. – Só têm o poder que lhes faculta a sua posição como Espírito. 12. Têm necessidade real de alimento? Resp. – Não; o corpo não é real. 13. Entretanto, embora não tivesse um corpo real, o jovem de Londres almoçava com seus amigos e apertou-lhes a mão. Em que se teria transformado o alimento absorvido? Resp. – Antes de apertar a mão, onde estavam os dedos que apertavam? Compreendeis que o corpo desapareça? Por que não quereis compreender que a matéria também desapareça? O corpo do rapaz de Londres não era uma realidade, visto estar em Boulogne. Era, pois, uma aparência; o mesmo ocorre com a nutrição que ele parecia absorver. 14. Se tivéssemos entre nós um ser semelhante, seria um bem ou um mal? Resp. – Seria antes um mal. Aliás, não se pode adquirir grandes conhecimentos com esses seres. Não vos podemos dizer muita coisa; tais fatos são excessivamente raros e jamais têm um caráter de permanência, notadamente as aparições instantâneas, como a de Bayonne. 15. O Espírito familiar protetor algumas vezes toma essa forma? Resp. – Absolutamente; não dispõe ele de recursos interiores? Manipula-os com mais facilidade do que o faria sob uma forma visível e se o tomássemos por um nosso semelhante. 16. Perguntam se o Conde de Saint-Germain não pertenceria à categoria dos agêneres. Resp. – Não; era um hábil mistificador. A história do jovem de Londres, relatada em nosso número de dezembro, é um fato de bicorporeidade, ou, melhor dizendo, de dupla presença, que difere essencialmente daquele de que tratamos. O agênere não tem corpo vivo na Terra; apenas seu perispírito toma uma forma palpável. O jovem de Londres estava perfeitamente vivo. Enquanto seu corpo dormia em Boulogne, seu Espírito, envolto pelo perispírito, foi a Londres, onde tomou uma aparência tangível. Conhecemos um fato quase análogo. Enquanto estávamos calmamente deitados em nosso leito, um de nossos amigos viu-nos diversas vezes em sua casa, embora sob uma aparência não tangível, assentando-nos a seu lado e com ele conversando. Certa vez nos viu em robe de chambre; em outras, de paletó. Transcreveu nossa conversa e no-la enviou no dia seguinte. Era, como não poderia deixar de ser, relativa aos nossos trabalhos prediletos. Querendo fazer uma experiência, ofereceu-nos refrescos. Eis a nossa resposta: “Não tenho necessidade disso, visto não ser o meu corpo que está aqui. Sabeis, assim, que não há necessidade de vos produzir uma ilusão.” . Uma circunstância assaz bizarra apresentou-se nessa ocasião. Seja por predisposição natural, seja como resultado de nossos trabalhos intelectuais, sérios desde a nossa juventude, e poderíamos dizer, desde a infância, o fundo de nosso caráter sempre foi de extrema gravidade, mesmo na idade em que não se pensa senão nos prazeres. Essa constante preocupação nos dá um semblante de frieza, de muita frieza mesmo. É, pelo menos, o que muitas vezes nos têm censurado. Entretanto, sob essa aparência glacial, talvez o Espírito sinta mais vivamente do que no caso de se permitir expansões exteriores. Ora, em nossas visitas noturnas ao nosso amigo, ele ficou bastante surpreendido por nos ver completamente diferente: estávamos mais abertos, mais comunicativos, quase alegres. Tudo em nós respirava a satisfação e a calma proporcionada pelo bem-estar. Não estará aí um efeito do Espírito desprendido da matéria?
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