Livros Espíritas
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Lave a sua mente na água viva da confiança em Deus, e caminhe. Para a nova experiência você não pode levar senão o patrimônio divino já adquirido com o seu esforço para a vida eterna, constituído pelas ideias enobrecedoras e luzes íntimas que o seu Espírito já conquistou. Não se detenha, desse modo, em lembranças dos aspectos exteriores de nossas atividades neste Plano. Persistir em semelhantes estados dalma poderá trazer consequências muito graves, porquanto a sua inadaptação perturbaria o desenvolvimento fetal e determinaria a morte prematura de seu novo aparelho físico, no período infantil. Não se prenda a receios pueris. É verdade que você deve e precisa pagar, mas, em sã consciência, qual de nós não é devedor? Com tristeza e abatimento nunca resgataremos nossos débitos. É indispensável criar esperanças novas. Segismundo fez um gesto significativo de afirmação e sorriu com dificuldade, mostrando-se menos triste. — Não perturbe o seu trabalho valioso do momento. Recorde as graças que temos recebido e não tema! Calando-se o mentor, notei que Segismundo, sob forte emoção, não conseguia recursos para manter a palestra. Vi-o, porém, tomar a destra de Alexandre, com infinito esforço, beijando-a, respeitoso, em sinal de reconhecimento. Ponderei, então, no concurso enorme que todos recebemos em regressando ao Círculo carnal. Aqueles devotados benfeitores auxiliavam Segismundo, desde o primeiro dia, e, ainda ali, diante do possível recuo do interessado, eles mesmos se mostravam dispostos a consolar-lhe todas as tristezas, levantando-lhe o ânimo para o êxito final. Os Espíritos Construtores começaram o trabalho de magnetização do corpo perispirítico, no que eram amplamente secundados pelo esforço do abnegado orientador, que se mantinha dedicado e firme em todos os campos de serviço. Sem que me possa fazer compreendido, de pronto, pelo leitor comum, devo dizer que “alguma coisa da forma de Segismundo estava sendo eliminada”. Quase que imperceptivelmente, à medida que se intensificavam as operações magnéticas, tornava-se ele mais pálido. Seu olhar parecia penetrar outros domínios. Tornava-se vago, menos lúcido. A certa altura, Alexandre falou-lhe com autoridade: — Segismundo, ajude-nos! Mantenha clareza de propósitos e pensamento firme! Tive a impressão de que o reencarnante se esforçava por obedecer. — Agora, — continuou o instrutor, — sintonize conosco relativamente à forma pré-infantil. Mentalize sua volta ao refúgio maternal da carne terrestre! Lembre-se da organização fetal, faça-se pequenino! Imagine sua necessidade de tornar a ser criança para aprender a ser homem! Compreendi que o interessado precisava oferecer o maior coeficiente de cooperação individual para o êxito amplo. Surpreendido, reconheci que, ao influxo magnético de Alexandre e dos Construtores Espirituais, a forma perispiritual de Segismundo tornava-se reduzida. A operação não foi curta, nem simples. Identificava o esforço geral para que se efetuasse a redução necessária. Segismundo parecia cada vez menos consciente. Não nos fixava com a mesma lucidez e suas respostas às nossas perguntas afetuosas não se revelavam completas. Por fim, com grande assombro meu, verifiquei que a forma de nosso amigo assemelhava-se à de uma criança. O fenômeno espantava-me e não pude conter as interrogações que se me represavam no íntimo. Observando que Alexandre e os Construtores se dispunham a alguns minutos de intervalo, antes da penetração na câmara conjugal, acerquei-me do prestimoso orientador, que me percebeu, num relance, a curiosidade. Acolheu-me, cortês como sempre, e falou: — Já sei. Você permanece torturado pelo espírito de pesquisa. Sorri desapontado, mas cobrei ânimo e indaguei: — Como pode ser o que vejo? Ignorava que o renascimento compelisse o Plano espiritual a serviços tão complexos! — O trabalho enobrecedor está em toda parte, — acentuou Alexandre, intencionalmente. — O paraíso da ociosidade é talvez a maior ilusão dos princípios teológicos que obscureceram na Crosta o sentido divino da verdadeira Religião. Fez uma pausa, fixou um gesto expressivo e continuou: — Quanto à estranheza de que se sente possuído, não vemos razão para tanto. A desencarnação normal na Terra obriga o corpo denso de carne a não menores modificações. A enfermidade mortal, para o homem terreno, não deixa, em certo sentido, de ser prolongada operação redutiva, libertando por fim a alma, desembaraçando-a dos laços fisiológicos. Há pessoas que, depois de algumas semanas de leito, se tornam francamente irreconhecíveis. E devemos considerar que o aparelho físico permanece muito distante da plasticidade do corpo perispiritual, profundamente sensível à influenciação magnética. A explicação não podia ser mais lógica. — O que vimos, porém, com Segismundo, — perguntei, — é regra geral para todos os casos? — De modo algum, — respondeu o instrutor, atencioso, — os processos de reencarnação, tanto quanto os da morte física, diferem ao infinito, não existindo, segundo cremos, dois absolutamente iguais. As facilidades e obstáculos estão subordinados a fatores numerosos, muitas vezes relativos com o estado consciencial dos próprios interessados no regresso à Crosta ou na libertação dos veículos carnais. Há companheiros de grande elevação que, em voltando à Esfera mais densa em apostolado de serviço e iluminação, quase dispensam o nosso concurso. Outros irmãos nossos, contudo, procedentes de zonas inferiores, requisitam cooperação muito mais complexa que a exercida no caso de Segismundo. — Não deveriam renascer, porém, — interroguei, curioso, — tão somente aqueles que se revelassem preparados? — Não podemos esquecer, no entanto, — refutou meu esclarecido interlocutor, — que a reencarnação é o curso repetido de lições necessárias. A Esfera da Crosta é uma escola divina. E o amor, por intermédio das atividades “intercessórias”, reconduz ao banco escolar da carne milhões de aprendizes, diariamente. O orientador amigo calou-se por alguns instantes, e prosseguiu: — A reencarnação de Segismundo obedece às diretrizes mais comuns. Traduz expressão simbólica da maioria dos fatos dessa natureza, porquanto o nosso irmão pertence à enorme classe média dos Espíritos que habitam a Crosta, nem altamente bons, nem conscientemente maus. Acresce notar, todavia, que a volta de certas entidades das regiões mais baixas ocasiona laboriosos e pacientes esforços dos trabalhadores de nosso Plano. Semelhantes seres obrigam-nos a processos de serviço que você gastará ainda muito tempo para compreender. As elucidações de Alexandre calavam-me fundo, satisfazendo-me a pesquisa intelectual; entretanto, novas indagações surgiam-me na mente sequiosa. Foi então que, premido por intensa e legítima curiosidade, perguntei, respeitoso: — O auxílio que vemos atingirá, porventura, a todos? Aqui nos encontramos num lar em bases retas, segundo sua própria afirmação. Mas… e se nos achássemos numa casa típica de deboche carnal? E se fôssemos aqui defrontados por paixões criminosas e desvarios desequilibrantes? O instrutor meditou gravemente e redarguiu: — André, o diamante perdido no lodo, por algum tempo, não deixa de ser o diamante. Assim, também, a paternidade e a maternidade, em si mesmas, são sempre divinas. Em todo lugar desenvolve-se o auxílio da Esfera superior, desde que se encontre em jogo o trabalho da Vontade de Deus. Entretanto, devemos considerar que, em tais circunstâncias, as atividades de auxílio são verdadeiramente sacrificiais. As vibrações contraditórias e subversivas das paixões desvairadas da alma em desequilíbrio, comprometem os nossos melhores esforços, e, muitas vezes, nessas paisagens de irresponsabilidade e viciação, para ajudar, em obediência ao nosso ministério, devemos, antes de tudo, lutar contra entidades monstruosas, dominadoras dos Círculos de vida dos homens e das mulheres que, imprevidentemente, escolhem o perigoso caminho da perturbação emocional, onde tais entidades ignorantes e desequilibradas transitam. Nesses casos, nem sempre a nossa colaboração pode ser perfeita, porquanto são os próprios pais que, menosprezando a grandeza do mandato que lhes foi confiado, abrem as portas de suas potências sagradas aos impiedosos monstros da sombra que lhes perseguem os filhos nascituros. Certas almas heroicas escolhem semelhante entrada na existência carnal, a fim de se fortalecerem nas resistências supremas contra o mal, desde os primeiros dias de serviço uterino. Entretanto, devemos considerar que é preciso ser suficientemente forte na fé e na coragem para não sucumbir. Nos renascimentos dessa espécie, o maior número de criaturas, porém, cumpre o programa salutar das provações retificadoras. Muitas fracassam; todavia, há sempre grande quantidade das que retiram os melhores lucros espirituais no setor da experiência para a vida eterna. Alexandre comentara o assunto com imponente beleza. Começava eu a compreender a procedência de certos fenômenos teratológicos e de determinadas moléstias congênitas que, no mundo, confrangem o coração. As asserções do momento induziam-me a novo e fascinante estudo — a questão das provas retificadoras e necessárias. Em seguida Alexandre convidou os Construtores a examinarem os mapas cromossômicos, em companhia dele, junto de Herculano. Acompanhei o trabalho com interesse, embora absolutamente desprovido de competência para ajuizar, com precisão, relativamente aos caprichosos desenhos sob nosso olhar.
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[Vide no , um exemplo do que se passa quando um dos cônjuges, de reta conduta, consegue proteger o tálamo conjugal de ligações com entidades inferiores.]
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