Livros Espíritas
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“Estava certa de que havíeis de evocar-me logo depois da minha morte e pronta me achava para vos responder, pois não conheci a perturbação. Só os que têm medo são envolvidos por suas trevas espessas. “Pois bem, meu amigo, agora estou feliz. Estes pobres olhos que se haviam enfraquecido e só me deixavam a lembrança dos prismas que tinham colorido minha juventude com seu brilho cintilante, abriram-se aqui e reencontram os esplêndidos horizontes que alguns de vossos grandes artistas idealizam em suas vagas reproduções, mas cuja realidade majestosa, severa e, contudo, cheia de encantos, é moldada na mais completa realidade. “Apenas há três dias estou morta, e sinto que sou artista. Minhas aspirações para o ideal da beleza na arte mais não eram que a intuição de uma faculdade que eu tinha estudado e adquirido em outras existências e que se desenvolveram na última. Que devo fazer, porém, para reproduzir uma obra-prima digna da cena que comove o Espírito, quando se chega na região da luz? Pincéis! pincéis! Provarei ao mundo que a arte espírita é o coroamento da arte pagã, da arte cristã que periclita, e que só ao Espiritismo está reservada a glória de fazê-la reviver com todo o seu brilho no vosso mundo deserdado. “Basta para a artista. Agora é a vez da amiga. “Por que, boa amiga (Sra. Allan Kardec), vos afetar assim pela minha morte? Sobretudo vós, que conheceis as decepções e as amarguras de minha vida, deveríeis, ao contrário, alegrar-vos por ver que agora não mais devo beber a taça amarga das dores terrenas, que esvaziei até o fim. Crede-me: os mortos são mais felizes que os vivos; pranteá-los é duvidar da veracidade do Espiritismo. Tende certeza de que me vereis novamente; parti primeiro, porque minha tarefa na Terra havia terminado; cada um tem a sua a cumprir aí e, quando a vossa estiver acabada, vireis repousar um pouco junto a mim, para recomeçar em seguida, se necessário, levando-se em conta que não está na natureza ficar inativo. Cada um tem suas tendências e a elas obedece; é uma lei suprema que prova o poder do livre-arbítrio. Assim, boa amiga, indulgência e caridade, pois todos necessitamos, reciprocamente, seja no mundo visível, seja no invisível. Com esta divisa, tudo vai bem. “Não me mandastes parar; sabeis que converso longamente pela primeira vez! Mas eu vos deixo; é a vez do meu excelente amigo, Sr. Kardec. Quero agradecer-lhe as afetuosas palavras que dirigiu à amiga que o precedeu no túmulo; porque nós quase partimos juntos para o mundo onde me encontro, meu amigo! (Alusão à moléstia de que falara o Dr. Demeure.) Que diria então a companheira dos vossos dias, se os Espíritos bons nisto não tivessem posto boa ordem? Teria chorado e gemido, o que até certo ponto compreendo. Mas também é preciso que ela vele para que não vos exponhais novamente a novo perigo, antes que tenhais acabado o vosso trabalho de iniciação espírita, sem o que vos arriscais a chegar cedo demais entre nós e, como Moisés, só ver a Terra Prometida de longe. Mantende-vos em guarda, pois é uma amiga quem vos previne. “Agora vou embora. Volto para junto de meus caros filhos; depois vou ver, além dos mares, se minha ovelha viajante finalmente chegou ao porto, ou se é joguete da tempestade. (Refere-se a uma das filhas que residia na América.) Que os Espíritos bons a protejam; vou juntar-me a eles para isto. Voltarei a conversar convosco, pois, como lembrais, sou uma faladora infatigável. Adeus, bons e caros amigos. Até breve!” Viúva Foulon
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