Livros Espíritas
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Estas citações dizem bastante para dar a conhecer o espírito dessa obra e tornar supérfluo qualquer comentário. Tendo perguntado ao guia de um dos nossos médiuns, Sr. Desliens, quanto à possibilidade de evocar o Espírito do autor, ele respondeu: “Sim, certamente, e com muito mais facilidade, porque não é a sua primeira comunicação. Vários médiuns já foram dirigidos por ele em diversas circunstâncias. Mas deixo a ele mesmo o encargo de se explicar. Ei-lo.” Depois de evocado e interrogado quanto às fontes onde teria haurido as idéias contidas em seu livro, o Espírito deu a seguinte comunicação (29 de junho de 1865): “Considerando-se que lestes uma obra cujo mérito não é apenas meu, deveis saber que o bem da Humanidade e a instrução dos meus irmãos foram o objetivo de meus mais caros desejos. Equivale a dizer que venho com prazer vos dar as informações que esperais de mim. Já compareci diversas vezes às sessões da Sociedade, não só como espectador, mas como instrutor; e não vos admireis do que avanço, quando vos disser, como já o sabeis, que os Espíritos tomam, em suas comunicações, o nome-tipo do grupo a que pertencem. Assim, tal Espírito que assina Santo Agostinho não será o Espírito Santo Agostinho, mas um ser da mesma ordem, chegado ao mesmo grau de perfeição. Isto posto, sabei que fui, quando na vida do corpo, um desses médiuns inconscientes que se revelam freqüentemente em vossa época. Por que falei de chofre, e de maneira que parece prematura? É o que vos vou dizer: “Para cada aquisição do homem, nas ciências físicas ou morais, diversas balizas, a princípio menosprezadas e repelidas para depois triunfarem, tiveram de ser plantadas a fim de insensivelmente preparar os Espíritos para os movimentos futuros. Toda idéia nova, fazendo, sem precedente, sua entrada no mundo que se costuma chamar sábio, quase não tem chance de êxito, em razão do espírito de partido e das oposições sistemáticas dos que o compõem. Entregar-se a novas idéias, cujo sabedoria entretanto reconhecem, é para eles uma humilhação, porque seria confessar sua fraqueza e provar a insanidade de seus sistemas particulares. Preferem negar por amor-próprio, por respeito humano, por ambição mesmo, até que a evidência os force a admitir que estão errados, sob pena de se verem cobertos do ridículo que tinham querido lançar sobre os novos instrumentos da Providência. “Foi assim em todos os tempos; também foi com o Espiritismo. Não fiqueis, pois, admirados por encontrar em épocas anteriores ao grande movimento espiritualista, diversas manifestações isoladas, cuja concordância com as da hora presente prova, mais uma vez, a intervenção da Onipotência em todas as descobertas que a Humanidade erroneamente atribui a um gênio humano particular. “Sem dúvida, cada um tem seu próprio gênio; mas, reduzido às próprias forças, que faria? Quando um homem, dotado de inteligência capaz de propagar novas instituições com alguma chance de sucesso, aparece na Terra ou alhures, é escolhido pela hierarquia dos seres invisíveis encarregados pela Providência de velar pela manifestação da nova invenção, a fim de receber a inspiração dessa nova descoberta e trazer, progressivamente, os incidentes que devem assegurar o seu êxito. “Dizer-vos o que me levou a escrever esse livro, manifestação verdadeira de minha individualidade, ter-me-ia sido impossível no tempo de minha encarnação. Agora vejo claramente que fui instrumento, em parte passivo, do Espírito encarregado de me dirigir para o ponto harmonioso, sobre o qual eu me devia modelar para adquirir a soma das perfeições que me era dado alcançar na Terra. “Há duas espécies de perfeições bem distintas uma da outra: as relativas, que são inspiradas pelo guia do momento, guia ainda muito longe de estar no topo da escada das perfectibilidades, mas apenas ultrapassando seus protegidos, em razão da compreensão de que são capazes; e a perfeição absoluta que, para mim, ainda não passa de uma aspiração velada, razão por que a ignoro e à qual se chega pela sucessão das perfeições relativas. “Em cada mundo que percorre, a alma adquire novos sentidos morais, que lhe permitem conhecer coisas de que não fazia a mínima idéia. Dizer-vos o que fui? que posição ocupo na escala dos seres? Para quê? Que utilidade teria para mim um pouco de glória terrestre?... Prefiro conservar a doce lembrança de ter sido útil aos semelhantes na medida de minhas forças e continuar aqui a tarefa que Deus, em sua bondade, me havia imposto na Terra. “Instruí-me instruindo os outros. Aqui faço o mesmo. Apenas vos direi que faço parte dessa categoria de Espíritos que designais pelo nome genérico de São Luís.” P. – Poderíeis dizer-nos: 1o – se, em vossa última encarnação éreis a pessoa designada no prefácio da reedição de vossa obra, sob o nome de Félix de Wimpfen? 2o – se fazíeis parte da seita dos teósofos, cujas opiniões se aproximavam muito das nossas; 3o – se deveis reencarnar em breve e fazer parte da falange de Espíritos destinada a acabar o grande movimento a que assistimos. O Sr. Allan Kardec tem a intenção de dar a conhecer o vosso livro e ficaria satisfeito se tivesse a vossa opinião a respeito. Resp. – Não; não fui Félix de Wimpfen, crede-me. Se o tivesse sido não hesitaria em vo-lo dizer. Ele foi meu amigo, bem como diversos outros filósofos do século dezoito; também partilhei de seu fim cruel. Mas, repito, meu nome ficará desconhecido e me parece inútil dá-lo a conhecer. Certamente fui um teósofo, sem partilhar do entusiasmo que distinguiu alguns dos partidários daquela escola. Tive relações com os principais dentre eles e, como pudestes ver, minhas idéias eram em tudo conformes às deles. Estou inteiramente submetido aos decretos da Providência, e se lhe aprouver mandar-me de novo a esta Terra para continuar a me purificar e esclarecer, eu bendirei sua bondade. Aliás, é um desejo que formulei e cuja realização espero ver em breve. Vindo o conhecimento de meu livro apoiar as idéias espíritas, só posso aprovar o nosso caro presidente por ter pensado nisto. Mas talvez ele não seja o primeiro instigador dessa diligência e, de minha parte, estou certo de que alguns Espíritos de meu conhecimento contribuíram para pô-lo entre suas mãos e para lhe inspirar as intenções que tomou a esse respeito. Quando me evocardes especialmente eu me farei reconhecer; mas se vier vos instruir como no passado, não reconhecereis em mim senão um dos Espíritos da ordem de São Luís. Dissertações Espíritas
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