Livros Espíritas
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Espiritos:
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A faculdade de ver os Espíritos pode, sem dúvida, desenvolver-se, mas é uma daquelas cujo desenvolvimento deve processar-se naturalmente, e não provocado, caso não se queira ser joguete da própria imaginação. Quando o gérmen de uma faculdade existe, ela se manifesta por si mesma. Em princípio, devemos nos contentar com as que Deus nos concedeu, sem procurarmos o impossível. Quem quer ter demais, acaba correndo o risco de perder o que já tem. Quando dissemos que os casos de aparições espontâneas são frequentes (item 107), não quisemos dizer que sejam muito comuns. Quanto aos médiuns videntes propriamente ditos, ainda são mais raros e há muito que desconfiar dos que pretendem gozar dessa faculdade. É prudente só lhes dar crédito diante de provas positivas. Não nos referimos sequer aos que alimentam a ridícula ilusão de ver os Espíritos glóbulos, que descrevemos no item 108; falamos apenas dos que dizem ver os Espíritos de modo racional. Algumas pessoas, sem dúvida, podem enganar-se de boa-fé, mas outras também podem simular esta faculdade por amor-próprio ou por interesse. Neste caso, deve-se levar em conta principalmente o caráter, a moralidade e a sinceridade habituais; todavia, é sobretudo nas particularidades que se pode encontrar o meio mais seguro de controle das manifestações, já que existem algumas que não podem dar margem a qualquer suspeita, como a exatidão em retratar Espíritos que o médium jamais conheceu quando encarnados. O fato seguinte pertence a esta categoria: Uma senhora viúva, cujo marido se comunica frequentemente com ela, estava certa vez em companhia de um médium vidente que não a conhecia nem a sua família. Em dado momento, o médium lhe disse: “Vejo um Espírito perto da senhora. — Ah! — disse ela por sua vez: — Com certeza é meu marido, que quase nunca me deixa. — Não — respondeu o médium —, é uma mulher de certa idade; está penteada de modo estranho; traz uma faixa branca na testa”. Por essa particularidade e outros detalhes descritos, a viúva reconheceu sua avó, em quem absolutamente não pensava naquele momento, de maneira tal a não deixar qualquer dúvida. Se o médium quisesse simular a faculdade, ser-lhe-ia mais fácil concordar com o pensamento da senhora. Entretanto, em vez do marido, que ocupava sua mente, o médium vê uma mulher, com uma particularidade no penteado, da qual coisa alguma lhe podia dar ideia. Este fato prova também que a visão do medianeiro não era reflexo de qualquer pensamento estranho. (Veja-se o item 102.)
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