Livros Espíritas
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A afeição espiritual tem por base a afinidade fluídica espiritual que, atuando só, determina a simpatia. Quando é assim, é a alma que ama a alma e essa afeição só toma força pela manifestação dos sentimentos da alma. Dois Espíritos unidos espiritualmente se buscam e tendem sempre a aproximar-se; seus fluidos são atrativos. Se estiverem num mesmo globo, serão impelidos um para o outro; se separados pela morte terrena, seus pensamentos se unirão na lembrança e a reunião far-se-á na liberdade do sono; e quando a hora de uma nova encarnação soar para um deles, procurará aproximar-se de seu amigo, entrando no que é a sua filiação material, e o fará com tanto mais facilidade quanto seus fluidos perispirituais materiais encontrarão afinidades na matéria corporal dos encarnados que deram à luz o novo ser. Daí um novo aumento de afeição, uma nova manifestação de amor. Tal Espírito amigo que vos amou como pai, vos amará como filho, como irmão ou como amigo, e cada um desses laços aumentará de encarnação em encarnação e se perpetuará de maneira inalterável quando, realizado o vosso trabalho, viverdes a vida do Espírito. Mas esta verdadeira afeição não é comum na Terra e a matéria a vem retardar, anular-lhe os efeitos, conforme domine o Espírito. A verdadeira amizade, o verdadeiro amor, sendo espiritual, tudo que se refere à matéria não é de sua natureza e em nada concorre para a identificação material. A afinidade persiste, mas fica em estado latente até que, triunfando o fluido espiritual, o progresso simpático se efetue novamente. Em síntese, a afeição espiritual é a única resistente no domínio do Espírito. Na Terra e nas esferas do trabalho corporal, concorre para o avanço moral do Espírito encarnado que, sob a influência simpática, realiza milagres de abnegação e de devotamento aos seres amados. Aqui, nas moradas celestes, ela é a completa satisfação de todas as aspirações e a maior felicidade que o Espírito possa desfrutar. V O progresso entravado pela reencarnação indefinida Até aqui a reencarnação tem sido admitida de maneira muito prolongada; não se pensou que esse prolongamento da corporeidade, embora cada vez menos material, acarretava necessidades que deviam atrasar o progresso do Espírito. Com efeito, admitindo a persistência da geração nos mundos superiores, se atribuem ao Espírito encarnado necessidades corporais, dão-lhe deveres e ocupações ainda materiais, que o sujeitam e detêm o impulso dos estudos espirituais. Qual a necessidade desses entraves? Não pode o Espírito gozar das alegrias do amor sem sofrer as enfermidades corporais? Mesmo na Terra, esse sentimento existe por si mesmo, independente da parte material do nosso ser; por mais raros que sejam, há exemplos suficientes para provar que deve ser sentido, de modo mais geral, entre os seres mais espiritualizados. A reencarnação proporciona a união dos corpos; o amor puro, apenas a união das almas. Os Espíritos se unem segundo afeições iniciadas em mundos inferiores, e trabalham juntos por seu progresso espiritual. Têm uma organização fluídica totalmente diferente da que era conseqüência de seu aparelho corporal, e seus trabalhos se exercem sobre os fluidos, e não sobre os objetos materiais. Vão a esferas que, também, realizaram seu período material e cujo trabalho humano ensejou a desmaterialização, esferas que, chegadas ao apogeu de seu aperfeiçoamento, também passaram por uma transformação superior que as torna apropriadas a experimentar outras modificações, mas num sentido inteiramente fluídico. Agora compreendeis a imensa força do fluido, força que mal podeis constatar, mas que não vedes nem apalpais. Num estado menos pesado ao em que estais, tereis outros meios de ver, tocar, trabalhar esse fluido, que é o grande agente da vida universal. Por que, então, o Espírito ainda teria necessidade de um corpo para um trabalho que está fora das apreciações corporais? Dir-me-eis que esse corpo estará em relação com os novos trabalhos que o Espírito deverá realizar; mas, levando-se em conta que esses trabalhos serão completamente fluídicos e espirituais nas esferas superiores, por que lhe dar o embaraço das necessidades corporais, uma vez que a reencarnação determina sempre, como já disse, geração e alimentação, isto é, necessidades da matéria a satisfazer e, em contrapartida, entraves para o Espírito? Compreendei que o Espírito deve ser livre em seu vôo para o infinito; compreendei que, tendo saído das fraldas da matéria, aspira, como a criança, a marchar e a correr sem ser detido pelo zelo materno, e que essas primeiras necessidades da primeira educação da criança são supérfluas para a criança crescida, e insuportáveis para o adolescente. Não desejeis, pois, ficar na infância; olhai-vos como alunos que fazem os últimos estudos escolares e se dispõem a entrar no mundo, a nele ter a sua posição e a começar trabalhos de outro gênero, que seus estudos preliminares terão facilitado. O Espiritismo é a alavanca que, de um salto, erguerá ao estado espiritual todo encarnado que, querendo bem compreendê-lo e o pôr em prática, se empenhará em dominar a matéria, a tornar-se seu senhor, a aniquilá-la; todo Espírito de boa vontade pode pôr-se em condição de passar, ao deixar este mundo, para um estado espiritual sem retorno terrestre. Falta-lhe apenas fé ou vontade ativa. O Espiritismo a oferece a todos os que o quiserem compreender em seu sentido moralizador. Um Espírito protetor do médium Observação – Esta comunicação não traz outra assinatura, o que prova que não é necessário ter tido um nome célebre na Terra para ditar boas coisas. É de notar-se a analogia existente entre a comunicação de Sens, transcrita mais acima, e a primeira parte desta. Sem dúvida esta última é mais desenvolvida, mas a idéia fundamental sobre a necessidade da encarnação é a mesma. Citamos ambas para mostrar que os grandes princípios da doutrina são ensinados em toda parte e que é assim que se constituirá e se consolidará a unidade do Espiritismo. Essa concordância é o melhor critério da verdade. Ora, não passa despercebido que as teorias excêntricas e sistemáticas, ditadas por Espíritos pseudo-sábios são sempre circunscritas a um círculo estreito e individual, razão por que nenhuma prevaleceu, e também porque não são de temer, pois só têm uma existência efêmera, que se apaga como uma fraca luz ante a claridade do dia. Quanto à última comunicação, seria supérfluo ressaltar seu alto alcance, como fundo e como forma. Pode resumir-se assim: A vida do Espírito, considerada do ponto de vista do progresso, apresenta três períodos principais, a saber: 1o – Período material, no qual a influência da matéria domina a do Espírito. É o estado dos homens que se entregam às paixões brutais e carnais, à sensualidade; cujas aspirações são exclusivamente terrestres, ligados aos bens temporais, ou refratários às idéias espirituais; 2o – Período de equilíbrio, no qual as influências da matéria e do Espírito se exercem simultaneamente; em que o homem, embora submetido às necessidades materiais, pressente e compreende o estado espiritual; em que trabalha para sair do estado corporal; Nesses dois períodos o Espírito está sujeito à reencarnação, que se realiza nos mundos inferiores e médios. 3o – Período espiritual, no qual tendo o Espírito dominado completamente a matéria, não mais necessita da encarnação, nem do trabalho material, pois seu trabalho é inteiramente espiritual; é o estado dos Espíritos nos mundos superiores. A facilidade com que certas pessoas aceitam as idéias espíritas, das quais, parece, têm a intuição, indica que pertencem ao segundo período; mas entre este e os outros há uma multidão de graus que o Espírito transpõe tanto mais rapidamente quanto mais próximo do período espiritual. É assim que, de um mundo material como a Terra, pode ir habitar um mundo superior, como Júpiter, por exemplo, se seu avanço moral e espiritual for suficiente para o dispensar de passar pelos graus intermediários. Depende, pois, do homem deixar a Terra sem retorno, como mundo de expiação e prova para ele, ou a ela não voltar senão em missão.
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