Livros Espíritas
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(Fábula do Espírito batedor de Carcassonne) Paciente, a trabalhar num ramo de jasmim, Tremia uma lagarta, ao ver chegar-lhe o fim, Dizia: “Eu estou bem adoentada, Já nem digiro a folha de salada; Que pena tanta couve e apetite não tendo; E a pouco e pouco eu morrendo; Como é triste morrer! Bem melhor não nascer. Convém sem queixas me submeter; Outras depois de mim sulcarão terra preta. – Mas tu não morrerás, diz-lhe uma borboleta; Pois se me lembro bem, na mesma plantação Contigo já vivi, sou tua irmã então; Prepara-te o futuro um destino feliz; Talvez um mesmo amor unir-nos Deus o quis. Espera!... pois do sono é rápida a passagem. Crisálida serás como eu em branda aragem; Como eu poderás, com tão brilhantes cores, Sorver o perfume das flores.” A velha respondeu: “Impostura, impostura! Nada fará mudar, eu sei, leis da Natura; O espinheiro jamais poderá ser jasmim. Em meus pobres anéis, juntas frágeis assim, Que artista poderá neles asas fixar? Louca, segue o teu caminhar. – Lagarta, tens razão; limitado é o possível, Exclama um caracol, em seus cornos, prazível.” Zomba um sapo. Um vespão, cujo dardo se avulta, A bela borboleta insulta. ............................................................................................ ............................................................................................ Não; nem sempre é verdade o que ostenta luz farta Sois cegos por obstinação, Negando aos mortos alma, ó doutos sem razão, Assemelhai-vos à lagarta. Dissertações Espíritas
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