Livros Espíritas
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Figuier. Sobre os adeptos da doutrina ela não poderá ter nenhuma influência, pois eles reconhecerão imediatamente os pontos vulneráveis. Sobre os outros, terá o efeito de todas as críticas: o de provocar a curiosidade. Depois da aparição, ou melhor, da reaparição do Espiritismo, muito se tem escrito contra ele. Não lhe pouparam sarcasmos, nem injúrias. Apenas de uma coisa ele não teve a honra, graças aos costumes do tempo: a fogueira. Isto o impediu de progredir? Absolutamente, pois hoje conta seus aderentes por milhões em todas as partes do mundo e estes todos os dias aumentam. Para isto, e sem o querer, muito contribuiu a crítica, porque, como dissemos, seu efeito é o de provocar o exame. Querem ver o pró e o contra e ficam admirados por encontrarem uma doutrina racional, lógica, consoladora, que acalma as angústias da dúvida, resolvendo o que nenhuma filosofia pôde resolver, quando pensavam apenas encontrar uma crença ridícula. Quanto mais conhecido o nome do contraditor, mais repercussão tem a sua crítica e mais bem ela pode fazer, chamando a atenção dos indiferentes. A esse respeito, a obra do Sr. Figuier está nas melhores condições: além de escrita de maneira muito séria, não se arrasta na lama das injúrias grosseiras e do personalismo, únicos argumentos dos críticos de baixo nível. Desde que pretende tratar o assunto do ponto de vista científico, e sua posição lho permite, ver-se-á nisso a última palavra da Ciência contra esta doutrina e então o público saberá a quantas se anda. Se a douta obra do Sr. Figuier não tiver o poder de lhe dar o golpe de misericórdia, duvidamos que outros sejam mais felizes. Para combatê-la com eficácia, ele só tem um meio, que lhe indicamos com prazer. Não se destrói uma árvore cortando-lhe os galhos, mas a raiz. É necessário, pois, atacar o Espiritismo pela raiz, e não nos ramos, que renascem à medida que são cortados. Ora, as raízes do Espiritismo, desta alucinação do século dezenove, para nos servirmos de sua expressão, são a alma e os seus atributos. Que, pois, ele prove que a alma não existe e não pode existir, porquanto sem almas não há mais Espíritos. Quando tiver provado isto, o Espiritismo não terá mais razão de ser e nós nos confessaremos vencidos. Se o seu cepticismo não chega até esse ponto, que prove, não por uma simples negação, mas por uma demonstração matemática, física, química, mecânica, fisiológica ou qualquer outra: 1o Que o ser que pensa em vida é incapaz de pensar após a morte; 2o Que, se pensa, não deve mais querer comunicar-se com aqueles a quem amou; 3o Que, se pode estar em toda parte, não pode estar ao nosso lado; 4o Que, se está ao nosso lado, não pode comunicar-se conosco; 5o Que, por seu envoltório fluídico, não pode agir sobre a matéria inerte; 6o Que, se pode agir sobre a matéria inerte, não pode agir sobre um ser animado; 7o Que, se pode agir sobre um ser animado, não pode dirigir-lhe a mão para fazê-lo escrever; 8o Que, podendo fazê-lo escrever, não pode responder às suas perguntas e lhe transmitir o pensamento. Quando os adversários do Espiritismo nos tiverem demonstrado que isso é impossível, através de razões tão patentes quanto aquelas pelas quais Galileu demonstrou que não é o Sol que gira em torno da Terra, então poderemos dizer que suas dúvidas são fundadas. Infelizmente, até este dia, toda a sua argumentação se reduz nestas palavras: Não creio; logo é impossível. Sem dúvida dirão que a nós cabe provar a realidade das manifestações; nós as provamos pelos fatos e pelo raciocínio; se não admitem nem uns, nem o outro, se negam o que vêem, a eles cabe provar que nosso raciocínio é falso e que os fatos são impossíveis. Em outro artigo examinaremos a teoria do Sr. Figuier. Fazemos votos para que seja de melhor qualidade que a teoria do músculo estalante de Jobert (de Lamballe).
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