Livros Espíritas
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Quando desciam da montanha (depois da transfiguração), Jesus lhes fez esta recomendação: Não faleis a ninguém do que acabastes de ver, até que o filho do homem tenha ressuscitado dentre os mortos. Perguntaram-lhe então seus discípulos: — Por que dizem os escribas ser preciso que primeiro venha Elias? — Respondeu-lhes Jesus: — é certo que Elias há de vir e que restabelecerá todas as coisas, mas eu vos declaro que Elias já veio, e eles não o conheceram e o fizeram sofrer como entenderam. Do mesmo modo darão a morte ao filho do homem. — Compreenderam então seus discípulos que era de João batista que Ele lhes falava. (Mateus, 17:9 a 13.) Pois que João batista fora Elias, houve reencarnação do Espírito ou da alma de Elias no corpo de João Batista. Em suma, como quer que opinemos acerca da reencarnação, quer a aceitemos, quer não, isso não constituirá motivo para que deixemos de sofrê-la, desde que ela exista, malgrado todas as crenças em contrário. O essencial está em que o ensino dos Espíritos é eminentemente cristão; apoia-se na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, na Justiça de Deus, no livre-arbítrio do homem, na moral do Cristo. Logo, não é antirreligioso. Temos raciocinado, abstraindo, como dissemos, de qualquer ensinamento espírita que, para certas pessoas, carece de autoridade. Não é somente porque veio dos Espíritos que nós e tantos outros nos fizemos adeptos da pluralidade das existências. é porque essa Doutrina nos pareceu a mais lógica e porque só ela resolve questões até então insolúveis. Ainda quando fosse da autoria de um simples mortal, tê-la-íamos igualmente adotado e não houvéramos hesitado um segundo mais em renunciar às ideias que esposávamos. Sendo demonstrado o erro, muito mais que perder do que ganhar tem o amor-próprio, com o se obstinar na sustentação de uma ideia falsa. Assim, também, tê-la-íamos repelido, mesmo que provindo dos Espíritos, se nos parecera contrária à razão, como repelimos muitas outras, pois sabemos, por experiência, que não se deve aceitar cegamente tudo o que venha deles, da mesma forma que se não deve adotar às cegas tudo que proceda dos homens. O melhor título que, ao nosso ver, recomenda a ideia da reencarnação é o de ser, antes de tudo, lógica. Outro, no entanto, ela apresenta: o de a confirmarem os fatos, fatos positivos e, por bem dizer, materiais, que um estudo atento e criterioso revela a quem se dê ao trabalho de observar com paciência e perseverança e diante dos quais não há mais lugar para a dúvida. Quando esses fatos se houverem vulgarizado, como os da formação e do movimento da Terra, forçoso será que todos se rendam à evidência e os que se lhes colocaram em oposição ver-se-ão constrangidos a desdizer-se. Reconheçamos, portanto, em resumo, que só a doutrina da pluralidade das existências explica o que, sem ela, se mantém inexplicável; que é altamente consoladora e conforme a mais rigorosa justiça; que constitui para o homem a âncora de salvação que Deus, por misericórdia, lhe concedeu. As próprias palavras de Jesus não permitem dúvida a tal respeito. Eis o que se lê no Evangelho de João, 3:3 a 7: 3. Respondendo a Nicodemos, disse Jesus: – Em verdade, em verdade te digo que, se um homem não nascer de novo, não poderá ver o Reino de Deus. 4. Disse-lhe Nicodemos: — Como pode um homem nascer já estando velho? Pode tornar ao ventre de sua mãe para nascer segunda vez? 5. Respondeu Jesus: — Em verdade, em verdade te digo que, se um homem não renascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus. O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. Não te admires de que Eu te tenha dito: é necessário que torneis a nascer. (ver, adiante, o parágrafo “Ressurreição da carne”, questão 1010.)
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