Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
Voltemos às perguntas formuladas na introdução. Em primeiro lugar, o preparo, que consiste na educação e na instrução dos componentes do grupo que se planeja, nos leva a outro quesito preliminar: — quem devem ser os componentes? A tarefa começa, pois, com a seleção das pessoas que deverão participar dos trabalhos. Como todo grupamento humano, este também deve ter alguém que assuma a posição de coordenador, de condutor. É preciso, não obstante, muita atenção e vigilância desde esta primeira hora. Esse motivador, ou iniciador, não poderá fugir de certa posição de liderança, mas é necessário não esquecer nunca de que tal condição não confere a ninguém poderes ditatoriais e arbitrários sobre o grupo. Por outro lado, o líder, ou dirigente, terá que dispor de certa dose de autoridade, exercida por consenso geral, para disciplinação e harmonização do grupo. Liderar é coordenar esforços, não impor condições. O líder natural e espontâneo é aceito também com naturalidade e espontaneidade, sem declarar-se tal. É até possível que, nos trabalhos preliminares de organização do grupo, surja a sutil faculdade da liderança em pessoas nas quais mais inesperada ela parecia. Nestas condições, aquele que iniciou a ideia deve ter grandeza suficiente para reconhecer que o outro, que revelou melhores disposições, está mais indicado para a função do que ele próprio. Num grupo espírita, todos são de igual importância. O problema das rivalidades é tão antigo como a própria mediunidade. O apóstolo Paulo tratou dele, na sua notável Primeira Epístola aos Coríntios, capítulos 12, 13 e 14, e, especificamente, nos versículos 4 a 30 do capítulo 12.1 O primeiro passo, portanto, que deve dar alguém que pretenda organizar um grupo mediúnico é selecionar as pessoas que irão compô-lo. É bom que isto se faça mesmo antes de se decidir que tipo de trabalho será executado — do que falaremos mais adiante — e quem será incumbido da direção das tarefas. Os motivos são de fácil entendimento. Em primeiro lugar, o problema da liderança a que acima aludimos: é possível que a pessoa mais indicada para dirigir os trabalhos não seja aquela que se propõe, de início, a organizar o grupo, cumprindo-lhe provar, no decorrer das gestões preparatórias, a força tranquila e segura da sua personalidade. Em segundo lugar, o grupo será a soma dos seus componentes, disporá das forças de cada um e terá como pontos fracos as fraquezas dos seus participantes. Em terceiro lugar, a natureza dos trabalhos a serem programados dependerá dos diferentes tipos de mediunidade que for possível reunir, do grau de sensibilidade, tato, inteligência, conhecimento e evangelização de cada um e de todos, e da qualidade do relacionamento pessoal entre os que se propõem trabalhar juntos nesse campo. 1 Seria oportuna, sob este aspecto, a leitura do artigo “O Livro dos Médiuns de Paulo, o Apóstolo”, em REFORMADOR de fevereiro de 1974. Assim, não basta juntar alguns amigos e familiares, apagar a luz e aguardar as manifestações. Que amigos e familiares vamos selecionar? Essa tarefa é extremamente delicada e crítica, pois dela vai depender, em grande parte, o êxito ou fracasso do grupo. Será recomendável que a pessoa que pretenda fundar um grupo, mesmo de âmbito doméstico, de proporções modestas e sem grandes ambições, guarde consigo mesma, por longo tempo, as suas intenções; que se entregue à prece constante, à meditação e ao estudo silencioso e demorado de cada pessoa; que examine, sem paixões e sem preferências, com toda a imparcialidade possível, as potencialidades de cada um, bem como os seus defeitos, virtudes, inclinações, tendências e temperamento. Não nos devem guiar aqui as preferências pessoais: — “Vou incluir Fulano ou Sicrana porque gosto dele ou dela”. É essencial que todos se estimem no grupo, mas só isto não basta. Podemos amar profundamente uma criatura que não ofereça condições mínimas para um trabalho tão sério como esse. É claro, por outro lado, que não é aconselhável incluir aqueles que, embora ofereçam outras condições favoráveis, se coloquem na posição de adversários e críticos demolidores de qualquer outro componente do grupo. Até a discordância ideológica acentuada, mesmo em outros setores do pensamento, pode criar dificuldades ao trabalho. Isto não quer dizer que todos tenham que pensar igualzinho, ou se transformarem em criaturas invertebradas, sem ideias próprias, sem personalidade e opinião. A franqueza é também um dos ingredientes necessários ao bom trabalho, desde que não alcance os estágios da rudeza que fere, mas a homogeneização dos ideais e das aspirações é condição importante para o bom entendimento que precisa prevalecer durante todo o tempo. Um só membro que desafine dessa atmosfera de harmonia, poderá transformar-se em brecha por onde espíritos desajustados introduzirão sutilmente fatores de perturbação e eventual desintegração do grupo. É preciso entender, logo de início, que os componentes encarnados de um grupo são apenas a sua parte visível, O papel que lhes cabe é importante, por certo, mas nada se compara com as complexidades do trabalho que se desenrola do outro lado da vida, entre os desencarnados. Lá é que se realiza a parte mais crítica e delicada das responsabilidades atribuídas a qualquer grupo mediúnico, desde o cuidadoso planejamento das tarefas até a sua realização no plano físico, no tempo certo. Os componentes encarnados já fazem bastante quando não atrapalham, não perturbam, não interferem negativamente. É óbvio que ajudam de maneira decisiva, quando se portam com dignidade, em perfeita harmonia com o grupo; mas se não puderem ajudar, que pelo menos não dificultem as coisas. É melhor, por isso, recusar, logo de princípio, um participante em perspectiva, sobre o qual tenhamos algumas dúvidas mais sérias, do que sermos constrangidos, depois, a dizer-lhe que, infelizmente, tem que deixar o grupo, por não se estar adaptando às condições exigidas pelo trabalho. É por isso que se recomenda uma longa meditação antes de decidir quanto à composição humana do grupo, para não fazermos o convite senão àqueles dos quais podemos contar com um mínimo de compreensão, entendimento e entrosamento com os demais. Isto nos leva a uma outra questão, que deve ser logo decidida: Quantos componentes encarnados deve ter um grupo? A experiência recomenda que os grupos não devem ser muito grandes, pois, quanto maiores, mais difícil mantê-los em clima de disciplina e harmonia. Léon Denis, em seu livro NO INVISÍVEL, sugere de quatro a oito pessoas. O grupo pode funcionar bem até com duas pessoas, pois, segundo a palavra do Cristo, bastará que dois ou mais se reúnam em seu nome, para que Ele aí esteja. É claro, porém, que um grupo muito pequeno tem suas possibilidades também limitadas. No caso de apenas dois, por exemplo, um teria que ser o médium e o outro o doutrinador, e o médium não teria condições de prolongar o trabalho sem grande desgaste psíquico, mas é certo que, mesmo assim, alguma coisa séria poderia ser realizada. Acima dos oito componentes sugeridos por Denis, vai-se tornando mais difícil a tarefa, não apenas do dirigente encarnado do grupo, como de seus orientadores invisíveis, porque a equipe se torna mais heterogênea, o pensamento divaga, quebra-se com frequência o esforço de concentração, e o prejuízo é certo para a tarefa. É possível, no entanto, se alcançada impecável homogeneização, fazer funcionar razoavelmente bem um grupo com mais de oito pessoas, mas acima de doze vai-se tornando bastante problemática a sua eficácia. É bom começar sem grandes ambições ou planos grandiosos. O mais certo é que, ao se planejar a instalação de um grupo, ainda não saibamos quanto à intenção dos Espíritos que nos são familiares, nem quanto à natureza dos trabalhos que pretendem realizar conosco. É certo, porém, que, sempre que um grupo se dispõe a reunir-se, com a finalidade de entrar em contacto com os desencarnados, estes se apresentarão no momento oportuno. Isto é válido, tanto para os que se dedicam, com seriedade e boas intenções, quanto para aqueles outros que se reúnem para se divertirem ou, pior ainda, para práticas condenáveis. Se a intenção é apenas fazer passar o tempo, virão os Espíritos levianos, galhofeiros, fúteis e inconsequentes, quando não claramente mal- intencionados, do que poderão resultar obsessões penosas e tenazes. E, assim, chegamos a outro aspecto da questão: Para que desejamos um grupo? Para simples estudo da Doutrina? Para conversar sobre Espiritismo? Para oferecer condições à manifestação de Espíritos familiares, que venham trazer pequenas mensagens, mais ou menos íntimas? Para experimentação e observação de natureza cientifica? Para tarefas mais sérias, de caráter doutrinário? Para os chamados trabalhos de desobsessão? Esse ponto somente pode ser decidido, em definitivo, depois que tivermos selecionado os companheiros encarnados que vão compor a equipe. Por isso, logo que tenhamos resolvido, no silêncio da meditação e da prece, de que nomes deveremos cogitar para a composição do grupo, convém convocar uma reunião, para exame e debate das inúmeras questões que começam a colocar-se. Essa reunião, obviamente não mediúnica, para a qual deverão ser convidados aqueles cujos nomes foram lembrados para uma consulta, será aberta com a leitura de um texto evangélico e uma prece. Em seguida, aquele que tomou a iniciativa de convocá-la fará uma breve exposição de seus objetivos e intenções. A reunião será conduzida com descontração e espontaneidade, à medida que cada um apresentar sua contribuição ao debate. Serão arrolados os médiuns presentes, já atuantes, e os que tenham potencial mediúnico suscetível de desenvolvimento. Não está previsto no escopo deste livro um estudo sobre o desenvolvimento da mediunidade, pois o assunto, bastante complexo, tem sido tratado em várias obras de confiança, especialmente em O LIVRO DOS MÉDIUNS, de Allan Kardec.
Mais opções
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×