Livros Espíritas
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É verdade que a Igreja admite uma posição especial em alguns casos particulares. As crianças falecidas em tenra idade, por não terem feito mal algum, não podem ser condenadas ao fogo eterno; mas, por outro lado, não tendo feito o bem, também não lhes cabe direito à felicidade suprema. Diz a Igreja que elas ficam nos limbos, situação mista jamais definida, na qual, se não sofrem, também não gozam da bem-aventurança. Já que a sorte delas é fixada irrevogavelmente, ficam privadas da felicidade por toda a eternidade. Tal privação equivale, então, a um suplício eterno e imerecido, visto não haver dependido dessas almas que as coisas assim sucedessem. O mesmo se dá quanto ao selvagem que, não tendo recebido a graça do batismo e as luzes da religião, peca por ignorância, entregue aos instintos naturais, não lhe cabendo nem a responsabilidade, nem o mérito daqueles que agem com conhecimento de causa. A simples lógica repele semelhante doutrina em nome da Justiça de Deus, que se contém integralmente nestas palavras do Cristo: “A cada um segundo as suas obras.” Obras sim, boas ou más, porém, praticadas livremente, voluntariamente, únicas que implicam responsabilidade; não é o caso da criança, do selvagem, nem, muito menos, daquele que não teve oportunidade de ser esclarecido.
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(¹⁹) N.T.: Em 2007, sob o pontificado do papa Bento XVI, a Igreja extinguiu o conceito teológico de limbo, “por refletir uma visão excessivamente restritiva da salvação”.
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