Livros Espíritas
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As comunicações obtidas por esses diferentes processos apresentam grande variedade de estilo e são de valor muito desigual. Na maior parte, não contêm senão banalidades, mas há também algumas notáveis pela beleza da forma e elevação do pensamento. Damos, a seguir, alguns exemplos, obtidos por diferentes médiuns. * A Prece Médium, Sra. F. “É chegado o momento de poder a inteligência, suficientemente desenvolvida no homem, compreender a ação, significação e alcance da prece. Certo de ser compreendido, posso, pois, dizer: Não mais incredulidade, nem fanatismo! antes a completa segurança da força que Deus concede a todos os seres, quando a Ele se eleva o pensamento. “Na prece, na lembrança volvida a esse Pai, fonte inexaurível de bondade e caridade, longe de vós essas palavras aprendidas, que os lábios pronunciam num hábito adquirido, mas deixam frio o coração em seus impulsos. Reanimados e atraídos para Ele pelo conhecimento da verdade, pela fé profunda e a verdadeira luz, enviai ao Eterno os vossos corações num pensamento de amor, de respeito, de confiança e abandono; em um transporte, enfim, de todo o ser, esse veemente impulso interior, único, a que se pode chamar prece! “Desde a aurora, a alma que se eleva, pela prece, ao infinito, experimenta uma como primavera de pensamento que, nas circunstâncias diversas da existência, a conduz ao fim preciso, que lhe é designado. “A prece conserva a infância, essa inocência em que sentis ainda a pureza, reflexo do repouso que a alma fruiu no espaço. Para o adolescente é o freio repressor da impetuosidade, que nele brota como vigoroso fluxo; seiva geratriz, se é seguida, perda certa em caso de desfalecimento, mas resgate, se a alma pode e sabe retemperar-se na prece. “Depois, na idade em que, na plenitude de sua força e faculdade, o homem sente em si a energia que, muitas vezes, o deve conduzir às grandes coisas, a concentração em que se firma o pensamento, esse grito da consciência que lhe dirige os atos não é ainda a prece? “E do fraco, poderoso amparo, não é a prece o consolo, a luz que o auxilia a dirigir-se, como o prisma do farol que indica ao náufrago a praia salvadora? “No perigo, mediante estas duas palavras proferidas com fé “meu Deus!” – envia o homem toda uma prece ao Criador. Esse brado, essa deprecação ao Todo-Poderoso não exprime, como recordação, o instinto do socorro que ele espera receber? “O marinheiro exposto aos perigos, à mingua de todo socorro em meio dos elementos desencadeados, formula em sua fé profunda um voto: é prece cuja sinceridade sobe radiosa Àquele que o pode salvar! “E quando ruge na Terra a tempestade, grandes e pequenos tremem ao considerar a própria impotência e, a essa voz poderosa que repercute nas profundezas da terra, oram e confiantes dizem estas palavras: Deus! preserva-nos de todo perigo! – Abandono completo, na prece, Àquele que, por sua vontade, tudo pode. “Quando chega a idade em que nos desaparece a força, em que os anos fazem sentir todo o seu peso, em que a alma ensombrada pelos sofrimentos, pela fraqueza que a invade, se sente incapaz de reagir; quando, finalmente, o ser se vê acabrunhado pela inação, a prece, caudal refrigerante, lhe vem acalmar e fortalecer as derradeiras horas que deve permanecer na Terra. “Em qualquer idade, quando vos assediam as provas, quando sofre o corpo e, sobretudo, o coração amargurado já não deixa repousar feliz o pensamento no que consola e atrai, à prece, unicamente à prece, reclamam a alma, o pensamento, o coração, a calma que já não possuem. “Quando o encarnado, na plenitude de suas energias, inspirado pelo desejo do belo e do grande, refere suas aspirações a tudo que o rodeia, pratica o bem, torna-se útil, auxilia os desgraçados e, celeste prece, força do pensamento, em seus atos é amparado pelo fluido poderoso que do Além se lhe associa, constante e invisível cadeia do encarnado com os desencarnados e, para mim, prece! “Direi, pois, a todos que a bondade inspira, aos que, neste século em que o pensamento inquieto investiga sem firmeza, sentem a necessidade de uma fé profunda e regeneradora: – Ensinai a prece à criança, desde o berço! Todo ser, mesmo no extravio das paixões, conserva a lembrança da impressão recebida no limiar da vida e torna a encontrar como consolação, no crepúsculo da existência percorrida, o encanto ainda presente dos anos abençoados em que a criança, iniciando-se na vida, respira sem temor, vive sem inquietação, proferindo nos braços de sua mãe este nome tão grande e tão doce – “Deus!” que ela lhe ensina a murmurar. “Haurindo força e convicção nessa piedosa lembrança, ele repetirá com toda a confiança, no último adeus à Terra, a prece aprendida no primeiro sorriso.” JERÔNIMO DE PRAGA. * O Céu Estrelado. Os Mundos Médium, Srta. M L. “Claridades siderais, vias do céu! Vós, que indicais às almas as linhas ideais de sua evolução; vós, que vos estendeis pelas profundezas dos espaços! Planetas, donde as almas vos contemplam, não sois mais que poeiras douro, luminosos traços no escuro céu de estio. Para aqueles que, porém, já não aprisiona o túmulo da carne, planetas, estrelas, sois os verdadeiros mensageiros do divino pensamento; escreveis no misterioso e divino livro da Criação os gloriosos salmos com que Deus quis assinalar a sua obra. Sois o perpétuo assombro das criaturas e vosso esplendor lhes há de sempre dar as sensações vertiginosas do infinito! Ó nebulosas, vias-lácteas, constelações inumeráveis, sois como bacantes pelo pensamento de Deus embriagadas! Projetais vossos eternos giros ao redor dos sóis, como as antigas sacerdotisas em torno ao carro do deus. Sacudis nos espaços as luminosas cabeleiras e assim lançais, através dos tempos, um testemunho fulgurante de vossas existências. Vossos cíngulos se desenrolam, nas noites de verão, em feixes ígneos; os bólidos, os globos abrasados se vos desprenderam dos flancos e cingis assim o mundo, nos sulcos luminosos por eles dourados no seio dos espaços. “Vossas vibrações harmônicas fazem acompanhamento ao hino sagrado das almas, e nunca a vossa melodiosa trajetória parece mais bela aos nossos olhos do que à hora em que terminado, finalmente, o percurso que Deus vos assinou, ou acabada a vossa tarefa de pátria de alma em evolução, ides despedaçar-vos contra o obstáculo por Deus indicado, projetando através dos espaços, assombrados com o vosso desaparecimento, as partículas dessa matéria de que éreis formados e que vai regressar ao seio de Deus, para reconstituir outros universos. “Passai, estrelas e planetas; seguis rápidos e vários e vosso giro, vossas órbitas imensas, parecem o símbolo da eternidade; sois belos e deslumbrais os humanos olhares; mas que sois para a alma? Lugares de passagem, o caro albergue em que nos demoramos uma noite, a escutar os sons melodiosos que desferem as árvores ao vento. Mas o viajante partiu, a casa com as paredes fendidas se desmoronou; só restam as velhas pedras, douradas pelo Sol de estio, a meio cobertas pelas desordenadas ervas invasoras. “Assim vos haveis de destruir, estrelas e planetas; não sereis mais que uma poeira de astro, planetas vagabundos pelo céu. Mas a alma permanecerá fiel à vossa lembrança e, quando perto lhe passar um desses bólidos, há de ela reconhecer algo da antiga morada que Deus lhe destinara. “Terra, tu que me viste passar, que em teu seio recolhes-te às lágrimas que vertia o homem pela dor acabrunhado, vais desmoronar-te perante o teu Senhor. Já a alma prevê o tempo em que hás de ser apenas um planeta sem vida e receamos o teu desaparecimento. Assim é a lei. Ó Terra, ó minha mãe! tu morrerás; mas os milhões de almas embrionárias que constituíam tua matéria, serão então libertados e prosseguirão noutro lugar a sua evolução. Não deploremos, pois, a tua sorte; ela é grande, é nobre, está em harmonia com a lei de Deus. E quando, atingidas outras altitudes morais, meus olhos contemplarem extasiados as fulgurantes constelações na profundeza dos espaços, procurarei o lugar em que, radiante dos pensamentos que teu divino vestuário agita, deverias passar. “Nada mais verei que uma lembrança; encontrarei outras estrelas em formação, o espaço será ainda imutável, outros planetas serão outras tantas terras, portadoras de almas como as que hoje trazes. Mas o que foram tuas montanhas, teus vales benditos em que ressoa a voz da Humanidade, já nem mesmo será uma poeira no seio dos firmamentos. Nada mais restará de tua antiga forma. Ufana-te, porém, ó Terra! terás cumprido o teu dever. As almas, graças a ti, se terão transportado a outros lugares, aos espaços em que circulam constantemente os pensamentos do amor impenetrável, que são a vida e a existência das almas deslumbradas por esse foco incessantemente renovado. “A Deus, Terra, ao teu Senhor deves o amor e o reconhecimento, e eu sei que lhe rendes homenagem, porque ouço extasiado os melodiosos cantos que tua atmosfera, ao passar no eterno éter, entoa como as almas conscientes da verdade. “Estrelas, inclinai-vos em vossas órbitas radiosas: lançai eternamente ao firmamento os feixes de luz que vos revelam. Estais no seio daquele que É!” R. * Recordações Terrestres. O Deserto Médium, Srta. M L.
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