Livros Espíritas
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A fatalidade é o freio imposto ao homem por uma vontade superior à sua, e mais sábia que ele, em tudo o que não é deixado à sua iniciativa; mas jamais é um entrave ao exercício de seu livre-arbítrio, no que concerne às suas ações pessoais. Ela também não pode impor-lhe nem o mal, nem o bem; desculpar uma ação má qualquer pela fatalidade ou, como se diz muitas vezes, pelo destino, seria abdicar do julgamento que Deus lhe deu, para pesar o pró e o contra, a oportunidade ou a inoportunidade, as vantagens ou os inconvenientes de cada coisa. Se um acontecimento está no destino de um homem, ele se realizará, a despeito de sua vontade, e será sempre para o seu bem; mas as circunstâncias da realização dependem do uso que ele faça de seu livre-arbítrio, e muitas vezes ele pode fazer redundar em seu prejuízo o que deveria ser um bem, se agir com imprevidência, e se se deixar arrastar pelas paixões. Engana-se mais ainda se toma o seu desejo ou os desvios de sua imaginação por seu destino. (Vide O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, nos 1 a 11.) Tais são as reflexões que nos sugeriram os três ou quatro pequenos cálculos de concordância de datas, que nos foram apresentados, e sobre os quais pediram a nossa opinião. Elas eram necessárias para demonstrar que em semelhante matéria, de alguns fatos idênticos não se podia concluir por uma aplicação geral. Aproveitamo-los para resolver, por novos argumentos, a grave questão da fatalidade e do livre-arbítrio.
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(22) Nota da Editora: Ver “Nota Explicativa”, p. 543.
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