Livros Espíritas
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Será uma verdade a teoria das almas gêmeas? — No sagrado mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua, como divino complemento da sua personalidade. Criadas uma para a outra, as almas gêmeas se buscam através da eternidade. A união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres transviados no crime ou na inconsciência, experimentam a separação da alma que os integra, como a provação mais ríspida e dolorosa e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas gêmeas evoluindo uma para a outra, num turbilhão de ansiedades angustiosas, atração que é superior a todas as expressões convencionais da vida terrestre. Quando se encontram, no acervo dos trabalhos humanos, sentem-se de posse da felicidade real para os seus corações, — a da ventura de sua união, pela qual não trocariam todos os impérios do mundo, e a única amargura que lhes empana a alegria é a perspectiva de uma nova separação pela morte, perspectiva essa que a luz da Nova Revelação veio dissipar, descerrando para todos os Espíritos, amantes do bem e da verdade, os horizontes eternos da vida.
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Nota de Allan Kardec: A teoria das metades eternas é uma figura da união de dois Espíritos simpáticos; é uma expressão usada mesmo na linguagem vulgar, por isso não devemos tomá-la ao pé da letra. Seguramente, os Espíritos que a têm utilizado não pertencem a uma ordem elevada, a esfera de suas ideias é necessariamente limitada e eles exprimiram o pensamento pelos termos de que se tinham servido durante a vida corporal. Deve-se, pois, rejeitar a ideia de dois Espíritos criados um para o outro e devendo um dia unir-se fatalmente para a eternidade, depois de ter estado separados por tempo mais ou menos longo.” Esta circunstância e a presunção, sempre cabível, de qualquer falha na captação mediúnica, tão sutil e delicada, nos levaram a formular ao médium, para que as submetesse ao seu preclaro Mentor e Autor deste livro, as seguintes objeções: “Esta teoria, ou hipótese, afigura-se-nos aqui algo obscura. Não satisfaz, e, da forma por que é apresentada, parece-nos ilógica e contraditória. De fato, essa criação original, dúplice, induz a concluir que as almas surgem incompletas. É ilação incompatível com a onisciência de Deus. Aliás, é ideia recusada por Allan Kardec, No Livro dos Espíritos. A afinidade espiritual deve ser extensiva a todas as criaturas e, se esse sistema de gênese binária pudesse justificar-se, a comunhão universal jamais seria una e integral. Como contingência acidental, na trajetória dos seres decaídos, poder-se-ia talvez admitir, mas, ainda assim, em caráter transitório, condicional, nunca absoluto. De outra forma, parece-nos, seria um dualismo excepcional, barreira oposta à lei do amor, que deve abranger todas as criaturas de Deus em perfeita identidade de origem e de fins. De resto, o nosso grande Amigo e lúcido Instrutor é presto no afirmar que Jesus escapa ou transcende à sua concepção. Ora, assente como postulado incontroverso, que há muitos Cristos, achamos nós que a teoria, ou sistema das almas gêmeas, deixa de ter cunho universal e desnecessário será equacioná-la. Para nós, o problema se ajusta muito melhor ao instituto da família, como ensaio de comunhão dual, mas sempre condicional ou acidental e transitória, colimando a unificação coletiva com o Cristo, para Deus.
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Mensagem de Emmanuel: Meu amigo, Deus te abençoe o coração nas lutas materiais. Agradecendo o teu carinho fraterno, na colaboração amiga e sincera de sempre, peço a modificação do texto da questão nº 378, do novo trabalho, que deverá ser apresentado nos seguintes termos: — “Grande número de almas desencarnadas nas ilusões da vida física, guardadas quase que integralmente no íntimo, conservam-se, por algum tempo, incapazes de apreender as vibrações do Plano espiritual, sendo conduzidas pelos seus guias e amigos redimidos às reuniões fraternas do Espiritismo evangélico, onde, sob as vistas amoráveis desses mesmos mentores do Plano invisível, se processam os dispositivos da lei de cooperação e benefícios mútuos, que rege os fenômenos da vida nos dois Planos.” “Devo a pequena confusão observada, concedendo à matéria certos ascendentes que só pertencem ao Espírito, a perturbações do método de “filtragem mediúnica”, onde o meu pensamento foi prejudicado. “Solicitando essa modificação, pediria a conservação no texto, da humilde exposição, relativa à tese das “almas gêmeas”, ainda que, em consciência, sejam os amigos da Casa de Ismael compelidos à apresentação de uma ressalva, em obediência à lealdade de um respeitável ponto de vista. A tese, todavia, é mais complexa do que parece ao primeiro exame, e sugere mais vasta meditação às tendências do século, no capítulo do “divorcismo” e do “pansexualismo”, que a ciência de confusão vem lançando nos espíritos. No caso do Cristo, devemos invocar toda a veneração para o trato de sua personalidade divina, motivo pelo qual apenas tratei do assunto com referência aos homens, para considerar que as uniões, em toda vida, são orientadas por ascendentes de amor mais profundos que aqueles entrosados nas humanas concepções, que se modificam na esteira evolutiva. Se possível, eis o que me permito solicitar, renovando ao querido irmão o meu agradecimento sincero e a minha afeição de todos os dias.
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