Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
Há muito tempo conhecemos pessoalmente o Sr. Jacob como médium escrevente e propagador zeloso do Espiritismo; sabíamos que havia feito alguns ensaios parciais de mediunidade curadora, mas parece que esta faculdade teve nele um desenvolvimento rápido e considerável durante sua estada no campo de Châlons. Um dos nossos colegas da Sociedade de Paris, o Sr. Boivinet, que reside no Departamento do Aisne, houve por bem nos enviar um relatório muito circunstanciado dos fatos que são de seu conhecimento pessoal. Seus profundos conhecimentos de Espiritismo, aliados a um caráter isento de exaltação e de entusiasmo, permitiram-lhe apreciar as coisas judiciosamente. Seu testemunho tem, pois, para nós, todo o valor de um homem honrado, imparcial e esclarecido, e seu relatório toda a autenticidade desejável. Temos, assim, os fatos atestados por ele como constatados, como se nós mesmos os tivéssemos testemunhado pessoalmente. A extensão desses documentos não nos permite publicá-los por inteiro nesta revista, mas nós os coordenamos para os utilizar posteriormente, limitando-nos por hoje a citar algumas de suas passagens essenciais: “...Com o intuito de bem justificar a confiança que depositastes em mim, informei-me, por mim mesmo e também por pessoas absolutamente honradas e dignas de fé, das curas bem constatadas, operadas pelo Sr. Jacob. Aliás, essas pessoas não são espíritas, o que tira às suas afirmações toda suspeita de imparcialidade em favor do Espiritismo. “Reduzo de um terço as apreciações do Sr. Jacob quanto ao número dos doentes por ele recebidos; mas parece que estou aquém, talvez muito aquém da verdade, estimando esta cifra em 4.000, sobre os quais um quarto foi curado e três quartos aliviados. A afluência era tal que a autoridade militar se inquietou, interditando as visitas futuras. Sei pelo próprio chefe da estação que o trem de ferro transportava diariamente massas de doentes ao campo. “Quanto à natureza das doenças sobre as quais exerceu mais particularmente a sua influência, é-me impossível dizê-lo. São, sobretudo, os enfermos que se dirigiram a ele e, por conseguinte, são eles que figuram em maior número entre seus clientes satisfeitos; mas muitos outros aflitos poderiam apresentar-se a ele com sucesso. “Foi assim que em Chartères, vilarejo bem próximo daquele em que habito, vi e revi um homem de cerca de cinqüenta anos que, desde 1856, vomitava tudo o que comia. No momento em que foi ver o zuavo, tinha partido muito doente e vomitava pelo menos três vezes ao dia. Vendo-o, o Sr. Jacob lhe disse: ‘Estais curado!’ e, durante a sessão, convidou-o a comer e beber. O pobre camponês, dominando sua apreensão, comeu e bebeu e não se sentiu mal. Há mais de três semanas que não sente o menor mal-estar. A cura foi instantânea. Inútil acrescentar que o Sr. Jacob não o fez tomar qualquer medicamento, nem lhe prescreveu nenhum tratamento. Somente a sua ação fluídica, como uma comoção elétrica, tinha bastado para restituir os órgãos ao seu estado normal.” Observação – Esse homem é dessas naturezas rudes, que se exaltam muito pouco. Se, pois, uma só palavra tivesse bastado para superexcitar sua imaginação a ponto de curar instantaneamente uma gastrite crônica, seria preciso convir que o fenômeno fosse ainda mais surpreendente que a cura, e bem merecesse alguma atenção. A filha do dono do “hôtel de la Meuse”, em Mourmelon, doente do peito, estava tão fraca a ponto de não poder deixar o leito. O zuavo a convidou a levantar-se, o que ela fez imediatamente; para estupefação dos numerosos espectadores, desceu a escada sem ajuda e foi passear no jardim com seu novo médico. Desde esse dia a moça passa bem. Não sou médico, mas não creio que esta seja uma doença nervosa. “O Sr. B..., gerente de pensão, que dá pulos à idéia da intervenção dos Espíritos no assunto, contou-me que uma senhora, há muito doente do estômago, tinha sido curada pelo zuavo e que, desde então, tinha engordado notavelmente, cerca de vinte libras.” Observação – Esse senhor, que se exaspera à idéia da intervenção dos Espíritos, não ficaria muito contrariado, quando, estando morto, seu próprio Espírito pudesse vir assistir as pessoas que lhe são caras, curá-las e lhes provar que ele não está perdido para elas? “Quanto aos enfermos propriamente ditos, os resultados por eles obtidos são mais estupefacientes, porque o olho aprecia imediatamente os resultados. “Em Treloup, vilarejo situado a 7 ou 8 quilômetro daqui, um velho de setenta anos estava entravado e nada podia fazer. Deixar sua cadeira era quase impossível. A cura foi completa e instantânea. Ontem ainda me falavam do caso. Pois bem! diziam-me, eu o vi, o pai Petit; ele ceifava! “Uma mulher de Mourmelon tinha a perna tolhida, imobilizada; o joelho estava à altura do estômago. Agora anda e passa bem. “No dia em que o zuavo foi interdito, um pedreiro percorreu exasperado o Mourmelon, dizendo que queria enfrentar os que impediam o médium de trabalhar. Esse pedreiro tinha os dois punhos voltados para o interior dos braços. Hoje os seus punhos se movem como os nossos e ganha dois francos a mais por dia. “Quantas pessoas chegaram carregadas e puderam voltar sozinhas, tendo recuperado o uso de seus membros durante a sessão! “Uma criança de cinco anos, trazida de Reims, que nunca tinha andado, andou imediatamente. “O fato seguinte foi, a bem dizer, o ponto de partida da faculdade do médium, ou, pelo menos, o exercício público dessa faculdade, tornada notável: “Chegando a Ferté-sous-Jouarre, e dirigindo-se para o campo, o regimento de zuavos estava reunido na praça pública. Antes de dispersar os soldados, a banda executa um trecho musical. No número dos espectadores achava-se uma menina num carrinho, empurrado pelos pais. A menina foi apontada ao zuavo por um de seus camaradas. Terminada a música, ele se encaminha para ela e, dirigindo-se aos pais, lhes pergunta: Então esta menina é doente? – Ela não pode andar, responderam-lhe. Há dois anos tem na perna um aparelho ortopédico. – Tirai, então, o aparelho; ela não precisa mais dele. Isto foi feito, não sem alguma hesitação, e a menina andou. Então foram ao café e o pai, louco de alegria, queria que o homem dos refrescos trouxesse todo o seu estoque, para que os zuavos bebessem. Agora vou dizer como o médium procedia, isto é, vou relatar uma sessão, à qual não assisti, mas que me foi detalhada por vários doentes. “O zuavo faz entrarem os doentes. As dimensões do local determinam o seu número. Assim, ao que afirmam, teve de transferir-se do ‘hôtel de l’Europe’, onde não podia admitir senão dezoito pessoas, por vez, para o ‘hôtel de la Meuse’, onde era possível admitir vinte e cinco a trinta. Entram. Os que moram nas regiões mais afastadas são geralmente convidados a vir primeiro. Certas pessoas querem falar: ‘Silêncio! diz ele; os que falarem eu os... ponho na rua!’ Ao cabo de dez a quinze minutos de silêncio e de imobilidade geral, ele se dirige a alguns doentes, raramente interroga, mas lhes diz o que sofrem. Depois, caminhando ao longo da grande mesa, em torno da qual estão sentados os doentes, fala a todos, mas sem ordem; toca-os, mas sem gestos que lembrem os dos magnetizadores; depois despede todos, dizendo a uns: ‘Estais curados; ide embora;’ a outros: ‘Curareis sem nada fazer; apenas tendes fraqueza;’ a alguns, mais raramente: ‘Nada posso por vós.’ Querem agradecer e ele responde muito militarmente, que nada há que agradecer e põe os clientes para fora. Às vezes lhes diz: ‘É à Providência que deveis dirigir os vossos agradecimentos.’ “No dia 7 de agosto uma ordem do marechal veio interromper o curso das sessões. Logo após a interdição, e visto a enorme afluência dos doentes em Mourmelon, tiveram de empregar a respeito do médium um meio sem precedentes. Como não havia cometido nenhuma falta e observava a disciplina com muito rigor, não podiam prendê-lo. Contrataram um plantonista para o seguir a toda parte e impedir que alguém se aproximasse dele, fosse quem fosse. “Disseram-me que todas essas curas seriam toleradas, desde que a palavra Espiritismo não fosse pronunciada, e não creio que o Sr. Jacob o tenha feito. Foi a partir desse momento que usaram de rigor contra ele. “De onde vem o pavor que causa o simples nome do Espiritismo, mesmo quando só faz o bem, consola os aflitos e alivia a Humanidade sofredora? De minha parte, creio que certa gente tem medo que ele faça muito bem. “Nos primeiros dias do mês de setembro o Sr. Jacob quis vir passar dois dias em minha casa, em cumprimento de uma promessa eventual que me fizera no campo de Châlons. O prazer que tive em recebê-lo foi decuplicado pelos serviços que pôde prestar a bom número de infelizes. Depois de sua partida, quase diariamente eu me punha ao corrente do estado dos doentes tratados e a seguir vos dou o resultado de minhas observações. A fim de ser exato como um levantamento estatístico, e a título de informações ulteriores, se for o caso, aqui os inscrevo nominalmente. (Segue uma lista de trinta e poucos nomes, com designação da idade, da doença e do resultado obtido).
Mais opções
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×