Livros Espíritas
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Sendo o mal o resultado das imperfeições do homem e tendo sido este criado por Deus, dir-se-á que Deus não deixa de ter criado, se não o mal, pelo menos a causa do mal. Se Deus houvesse criado perfeito o homem, o mal não existiria. Se o homem tivesse sido criado perfeito, fatalmente penderia para o bem. Ora, em virtude do seu livre-arbítrio, ele não pende fatalmente nem para o bem nem para o mal. Quis Deus que ele ficasse sujeito à lei do progresso e que o progresso fosse fruto do seu próprio trabalho, a fim de que tivesse o mérito deste, da mesma maneira que lhe cabe a responsabilidade do mal que pratique pela própria vontade. A questão, pois, consiste em saber-se qual é, no homem, a origem da sua propensão para o mal.²⁹
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(²⁹) Nota de Allan Kardec: O erro consiste em pretender-se que a alma tenha saído perfeita das mãos do Criador, quando este, ao contrário, quis que a perfeição fosse resultado da depuração gradual do Espírito e sua própria obra. Quis Deus que a alma, em virtude do seu livre-arbítrio, pudesse optar entre o bem e o mal e chegasse às suas finalidades últimas de forma militante e resistindo ao mal. Se tivesse criado a alma tão perfeita quanto Ele, e, saindo de suas mãos, a houvesse associado à sua beatitude eterna, Deus tê-la-ia feito não à sua imagem, mas semelhante a si próprio. (Bonnamy, juiz de instrução: A razão do Espiritismo, cap. VI.)
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