Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
Vinha de Jerusalém, bateu às portas da igreja e procurou in stantemente por Paulo, a fim de entregar -lhe uma carta confidencial. Defrontando o singular mensageiro, o Após tolo surpreendeu-se. Tratava-se do irmão Abdias, a quem Tiago incumbira de entregar a carta ao ex-rabino. Este, tomou-a e desdobrou-a um tanto nervoso. À medida que ia lendo, mais pálido se fazia. Tratava-se de um documento particular, da mais alta importância. O filho de Alfeu comunicava ao ex -doutor da Lei os dolorosos acontecimentos que se desenrolavam em Jerusalém. Tiago avisava que a igreja s ofria nova e violentíssima perseguição do Sinédrio. Os rabinos ha viam decidido reatar o fio das torturas infligidas aos cristãos. Simão Pedro fora banido da cidade. Grande número de confrades eram alvo de novas perseguições e martírios. A igreja fora assaltada por fariseus sem consciência e só não sofrera depredações de maior vulto em virtude do respeito que o povo lhe consagrava. Dentro de suas atitudes conciliatórias, conseguira aplacar os ânimos mais exaltados, mas o Sinédrio alegava a necessidade de u m entendimento com Paulo, a fim de conceder tréguas. A ação do Apóstolo dos gentios, in cessante e ativa, conseguira lançar as sementes de Jesus em toda parte. De todos os lados, o Sinédrio recebia consultas, reclamações, notícias alarmantes. As sinagogas iam ficando desertas. Tal situação requeria esclare cimentos. Baseado nesses pretextos, o maior Tribunal dos Israelitas desfechara tremendos ataques contra a organização cristã em Jerusalém. Tiago relatava os acontecimentos com grande serenidade e rogava a Paulo de Tarso não abandonasse a igreja naquela hora de lutas acerbas. Ele, Tiago, estava envelhecido e cansado. Sem a colaboração de Pedro, temia sucumbir. Pedia, então, ao convertido de Damasco fosse a Jerusalém, afrontasse as perseguições por amor a J esus, para que os doutores do Sinédrio e do Templo ficassem bastantemente escla recidos. Acreditava que lhe não poderia advir nenhum mal, porqüanto o ex -rabino saberia melhor dirigir -se às autoridades religiosas para que a causa lograsse justo êxito. A via gem a Jerusalém teria somente um objetivo: esclarecer o Sinédrio, como se fazia indispensável. Depois disso, que Tiago considerava de suma importância para salvar a igreja da capital do judaísmo, Paulo voltaria tranqüilo e feliz para onde lhe aprouvesse. A mensagem estava crivada de exclamações amargas e de apelos veementes. Paulo de Tarso terminou a leitura e lembrou o pas sado. Com que direito lhe fazia o Apóstolo galileu seme lhante pedido? Tiago sempre se colocara em posição antagônica. Em que pesasse à sua índole impetuosa, franca, inquebrantável, não podia odiá -lo; entretanto, não se sentia perfeitamente afim com o filho de Alfeu, a ponto de se tornar seu companheiro adequado em lance tão difícil. Procurou um recanto solitário da igreja, sentou e medit ou. Experimentando certas relutâncias ín timas em renunciar à partida para Roma, não obstante o projeto formulado em Éfeso nas vésperas da revolução dos ourives, de só visitar a capital do Império depois de nova excursão a Jerusalém, procurou consultar o E vangelho, por desfazer tão grande perplexidade. Desenrolou os pergaminhos e, abrindo -os ao acaso, leu a advertência das anotações de Levi: — “Concilia-te depressa com o teu adversário”. (1) Diante dessas palavras judiciosas, não dissimulou o assombro, rec ebendoas como um alvitre divino para que não desprezasse a oportunidade de estabelecer com o Apóstolo galileu os laços sacrossantos da mais pura fraternidade. Não era justo alimentar caprichos pessoais na obra do Cristo. No feito em perspectiva, não era T iago o interessado na sua presença em Jerusalém: era a igreja, era a sagrada instituição que se tornara tutora dos pobres e dos infelizes. Provocar as iras farisaicas (1) Mateus, capítulo 5º, versículo 25. — (Nota de Emmanuel.) sobre ela, não seria lanç ar uma tempestade de imprevi síveis conseqüências para os necessitados e desfavoreci dos do mundo? Recordou a juventude e a longa perseguição que chegara a mover contra os discípulos do Crucificado. Teve a nítida recordação do dia em que efetuara a prisão de Pedro entre os aleijados e os enfermos que o cercavam, soluçantes. Lembrou que Jesus o chamara para o divino serviço, às portas de Damasco; que, desde então, sofrera e pregara, sacrificando -Se a si mesmo e ensinando as verdades eternas, organiz ando igrejas amorosas e acolhedoras, onde os “filhos do Cal vário” tivessem consolo e abrigo, de conformidade com as exortações de Abigail; e assim chegou à conclusão de que devia aos sofredores de Jerusalém alguma coisa que era preciso restituir. Em outro s tempos, fomentara a confusão, privara -os da assistência carinhosa de Estevão, iniciara banimentos impiedosos. Muitos doentes foram obrigados a renegar o Cristo em sua presença, na cidade dos rabinos. Não seria aquela a ocasião adequada para resgatar a dí vida enorme? Paulo de Tarso iluminado agora pelas mais santas experiências da vida, com o Mestre Amado, levantou -se e a passos resolutos dirigiu-se ao portador que o esperava em atitude humilde: — Amigo, vem descansar, que bem precisas. Leva rás a resposta em breves dias. — Ireis a Jerusalém? — interrogou Abdias com certa ansiedade, como se conhecesse a importância do assunto. — Sim — respondeu o Apóstolo. O emissário foi tratado com todo o carinho. Paulo procurou ouvir -lhe as impressões pessoais sobre a pe rseguição novamente desfechada contra os discípulos do Cristo; buscou firmar idéias sobre o que competia fazer; mas, não conseguia furtar-se a certas preocupações im periosas e aparentemente insolúveis. Como proceder em Jerusalém? Que espécie de esclareci mentos deveria prestar aos rabinos do Sinédrio? Qual o testemunho que com petia dar? Grandemente apreensivo, adormeceu aquela noite, depois de pensamentos torturantes e exaustivos. Sonhou, porém, que se encontrava em longa e clara estrada tonaLizada de maravilhosos clarões opalinos. Não dera muitos passos, quando foi abraçado por duas entidades carinho sas e amigas. Eram Jeziel e Abigail, que o enlaçavam com indizível carinho. Extasiado, não pôde murmurar uma palavra. Abigail agradeceu -lhe a ternura das lembranças comovidas, em Corinto, falou-lhe dos júbilos do seu coração e rematou com alegria: — Não te inquietes, Paulo. Ë preciso ir a Jerusa lém para o testemunho imprescindível. No íntimo, o Apóstolo reconsiderava o plano de excursão a Roma, no seu nobre intuito de ensinar as verdades cristãs na sede do Império. Bastou pensá lo, para que a voz querida se fizesse ouvir novamente, em timbre familiar: Tranqüiliza-te, porque irás a Roma cumprir um sublime dever; não, porém, como queres, mas de acordo com os desígnios do Altíssimo... E logo esboçando angelical sorriso: — Depois, então, será a nossa união eternal em Jesus -Cristo, para a divina tarefa do amor e da verdade à luz do Evangelho. Aquelas palavras caíram -lhe nalma com a força de uma profunda revelação. O Apóstolo dos gentios não saberia explicar o que se passou no âmago do seu Espírito. Sentia, simultaneamente, dor e prazer, preocupação e esperança. A surpresa pareceu impedir o seguimento da visão inesquecível. Jeziel e a irmã, endereçando -lhe gestos amorosos, pareciam desaparecer numa faixa de névoas transparentes. Acordou em sobressalto e concluiu, desde logo, que devia preparar -se para os derradeiros testemunhos. No dia seguinte, convocou uma reunião dos amigos e companheiros de Corinto. Mandou que Abdias explicasse, de viva voz, a situação de Jerusalém e expôs o plano de passar pela capital do judaísmo antes de seguir para Roma. Todos compreenderam os sagrados imperativos da nova resolução. Lucas, todavia, adiantou-se e perguntou: — De acordo com a modificação do projeto, quando pretendes partir? — Dentro de poucos dias — respondeu resoluto. — Impossível — respondeu o médico —, não poderemos concordar com a tua viagem, a pé, a Jerusalém; além de tudo, precisas descansar alguns dias depois de tantas lutas. O ex-rabino refletiu um momento e concordou: — Tens razão. Ficarei em Corinto algumas sema nas; no entanto, pretendo fazer a viagem por etapas, no intuito de visitar as comunidades cristãs, pois tenho a intuição ‘de minha partida breve, para Roma, e de que não mais verei as igrejas amadas, em corpo mortal... Essas palavras eram pronunciadas em tom melan cólico. Lucas e os demais companheiros ficaram silen ciosos e o Apóstolo continuou: — Aproveitarei o tempo instruindo Apólo sobre os trabalhos indi spensáveis do Evangelho, nas diversas re giões da Acaia. Em seguida, desfazendo a impressão de suas afir mativas menos animadoras, no tocante à viagem a Roma, incutiu novo alento ao auditório, emitindo conceitos otimistas e esperançosos. Traçou vasto prog rama para os discípulos, recomendando atividades à maioria, entre as comunidades de toda a Macedônia, a fim de que todos os irmãos estivessem a postos para as suas despedidas; outros foram despachados para a Ásia com idênticas instruções. Decorridos três meses de permanência em Corinto, novas perseguições dos judeus foram desfechadas contra a instituição. A sinagoga principal da Acaia havia recebido secretas notificações de Jerusalém. Nada menos que a eliminação do Apóstolo, a qualquer preço. Paulo percebeu a insídia e despediu-se prudentemente dos corín tios, partindo em companhia de Lucas e Silas, a pé, para visitar as igrejas de Macedônia. Por toda a parte pregou a palavra do Evangelho, convencido de que era a última vez que fixava aquelas paisagens. Despedia-se, comovido, dos velhos amigos de outros tempos. Fazia recomendações, no tom de quem ia partir para sempre. Mulheres reconhecidas, anciães e crianças acorriam a beijar -lhe as mãos com enternecimento. Chegando a Filipes, cuja comunidade fraternal lh e falava mais intimamente ao coração, sua palavra suscitou tor rentes de lágrimas. A igreja amorosa, que vicejava para Jesus à margem do Gangas, consagrava ao Apóstolo dos gentios singular afeição.
Mais opções
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×