Livros Espíritas
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"Em mesa lautamente provida com fino conhaque, um rapaz, fumando com volúpia e sob o domínio de uma entidade digna de compaixão pelo aspecto repelente em que se mostrava, escrevia, escrevia, escrevia... — Estudemos — recomendou o orientador. O cérebro do moço embebia-se em substância escura e pastosa que escorria das mãos do triste companheiro que o enlaçava. Via-se-lhes a absoluta associação, na autoria dos caracteres escritos. A dupla em trabalho não nos registrou a presença. "Neste instante — anunciou Áulus, atencioso —, nosso irmão desconhecido é hábil médium psicógrafo. Tem as células do pensamento integralmente controladas pelo infeliz cultivador de crueldade sob a nossa vista. Imanta-se-lhe à imaginação e lhe assimila as idéias, atendendo-lhe aos propósitos escusos, através dos princípios da indução magnética, de vez que o rapaz, desejando produzir páginas escabrosas, encontrou quem lhe fortaleça a mente e o ajude nesse mister." Essa transcrição é feita do capítulo "Forças Viciadas" e nos põe em relação com um jornalista amante do escândalo e das reportagens degradantes. Tal jornalista não passa de um médium sem consciência da sua faculdade. Inclinado para os assuntos sensacionalistas, alicia companheiros desencarnados afins que lhe correspondem aos propósitos escabrosos. No caso em tela, é instrumento de um escândalo que envolverá a pessoa de uma jovem num crime, "a cuja margem aparece (a moça) aliada às múltiplas causas em que se formou o deplorável acontecimento". O rapaz observado, "amigo de operoso lidador da imprensa, é de si mesmo dado à malícia". Tendo sido solicitado a colaborar com o seu amigo, encontrou "o concurso de ferrenho e viciado perseguidor da menina em foco, interessado em exagerar-lhe a participação na ocorrência, com o fim de martelar-lhe a mente apreensiva e arrojá-la aos abusos da mocidade"... Eis-nos ante um caso de obsessão que se reveste de impressionante sutileza. A moça tem um perseguidor desencarnado desejoso de arrastá-la à vergonha. Utiliza-se de um jornalista invigilante e malicioso, a fim de, aproveitando-lhe as lastimáveis qualidades do caráter, contribuir, ocultamente, para que uma reportagem a ser levada ao jornal exponha o nome da jovem ao escárnio público. A sutileza do perseguidor justifica um comentário à parte. Tem ele um "programa" traçado, visando, inicialmente, a desmoralizá-la. Conseguido o objetivo, convertê-la-á num instrumento apassivado, após o que completará a sua vingança, vampirizando-a impiedosamente. O assédio se faz, portanto, de modo indireto, revelando, assim, novas e perigosas facetas do problema obsessional. De acordo com o plano elaborado na sombra, espera ele conseguir pleno êxito em sua triste tarefa. Com base nessa ocorrência, dividiremos em quatro fases o pernicioso esforço da entidade nesse estranho e cruel processo de obsessão: 1º — Assédio indireto, utilizando uma terceira pessoa dotada de maus sentimentos. 2º — O aproveitamento do escândalo para: a) — perturbar-lhe a mente, b) — deprimir-lhe o moral, c) — amolecer-lhe o caráter. 3º — Domínio psicofísico. 4º — Concretização da vingança (vampirização). Almas endividadas que somos, a nossa paz está sempre ameaçada ante os compromissos do pretérito, os quais, invariavelmente, vinculam a nossa alma àqueles com quem partilhamos experiências menos dignas. O aperfeiçoamento espiritual constitui, portanto, impositivo relacionado com o problema da nossa felicidade. A elevação da mente, pelo cultivo dos sentimentos enobrecedores, afigura-se-nos, por isso, realização das mais urgentes se desejamos, efetivamente, reajustar o Espírito faltoso. Da atitude mental da jovem dependerá, sem dúvida, o êxito ou o fracasso do perseguidor que age, lúcida e conscientemente, sobre o cérebro do jornalista portador de lastimável indigência moral. "O cérebro do moço embebia-se em substância escura e pastosa que escorria das mãos do triste companheiro que o enlaçava." A posição da jovem é de perigo. "Assim, pois, caso não delibere (a moça) guerrear a influência destrutiva, demorar-se-á por muito tempo nas perturbações a que já se encontra ligada em princípio." "— Tudo isso por quê?" A indagação de Hilário foi atendida por Áulus: "Indiscutivelmente, a jovem e o infeliz que a persegue estão unidos um ao outro, desde muito tempo... Terão estado juntos nas regiões inferiores da vida espiritual, antes da reencarnação com que a menina presentemente vem sendo beneficiada. Reencontrando-a na experiência física, de cujas vantagens ainda não partilha, o desventurado tenta incliná-la, de novo, à desordem emotiva, com o objetivo de explorá-la em atuação vampirizante." Tais observações levam-nos ao encontro da assertiva de Kardec, de que todas as criaturas são médiuns. O jornalista é um médium. É um médium porque transpõe para o papel, em forma de reportagem, simultaneamente com as suas próprias idéias, os planos de vingança do obsessor. É como explica o Assistente Áulus: "Faculdades medianímicas e cooperação do mundo espiritual surgem por toda a parte. Onde há pensamento, há correntes mentais e onde há correntes mentais existe associação. E toda associação é interdependência e influenciação recíproca. Daí concluirmos quanto à necessidade de vida nobre, a fim de atrairmos pensamentos que nos enobreçam." Dispomos, exuberantemente, de meios para associar a nossa mente com as forças superiores, livrando-nos, assim, do assédio das entidades ignorantes. Esses meios são, entre outros, os seguintes: a) — Bondade com todos. b) — Consciência reta. c) — Estudo e trabalho. d) — Compreensão e tolerância. e) — Oração sincera e serviço aos semelhantes. Ante a tempestade de provações que a nossa alma invigilante promoveu no passado, Jesus oferece-nos, hoje, o abrigo seguro do dever bem cumprido, na pauta de nossos compromissos...
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