Livros Espíritas
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Depois de tudo isso assisti ainda a sessões em que Eusápia Paladino em transe dava respostas exatas e muito sensatas em línguas que ela não conhecia, como, por exemplo, o inglês. Juntando a esses fatos pessoais tudo o que soube das experiências de Crookes com Home e Katie King, das do médium alemão que fazia às escuras as mais curiosas pinturas, adquiri a convicção de que os fenômenos espíritas se explicam, pela maior parte, por forças inerentes ao médium e também, por um lado, pela intervenção de seres supraterrestres, que dispõem de forças das quais as propriedades do radium podem dar idéia, por analogia. ...Um dia, depois do transporte, sem contacto, de um objeto muito pesado, Eusápia, em estado de transe, disse-me: “Por que estás a perder o tempo com bagatelas? Sou capaz de fazer com que vejas tua mãe; mas é necessário que penses nisso com veemência.” Impulsionado por essa promessa, no fim de meia hora de sessão, tomou-me o desejo intenso de vê-la cumprir-se e a mesa, levantando-se com os seus movimentos habituais e sucessivos, parecia dar a sua anuência ao meu pensamento íntimo. De repente, em meia obscuridade, à luz vermelha, vi sair dentre as cortinas uma forma um tanto curvada, como era a da minha mãe, coberta com um véu. Contornou a mesa para chegar até a mim, murmurando palavras que muitos ouviram, mas que a minha meia-surdez não me permitiu escutar. Como, sob a influência de uma viva emoção, eu lhe suplicava que as repetisse, ela me disse: “Cœsar, fiol mio!” o que, confesso, não era costume seu, visto que, sendo de Veneza, dizia mio fiol; depois, afastando o véu, deu-me um beijo.” Lombroso fala, depois, das casas mal-assombradas e diz: “Convém acrescentar que os casos de casas em que, durante anos, se reproduzem aparições ou barulhos, concordando com a narrativa de mortes trágicas e observadas sem a presença de médiuns, pleiteiam contra a ação exclusiva destes em favor da ação dos finados.” (96) No Grupo de estudos que por muito tempo dirigi em Tours, os médiuns descreviam aparições de defuntos visíveis apenas a eles, é verdade, mas que nunca haviam conhecido, de quem nunca tinham visto nenhum retrato, ouvido fazer nenhuma descrição, e que os assistentes reconheciam pelas suas indicações. Às vezes os Espíritos se materializam a ponto de poderem escrever, na presença de pessoas humanas e à sua vista, mensagens numerosas, que ficam como outras tantas provas da sua passagem. Foi o que se deu com a mulher do banqueiro Livermore, cuja letra foi reconhecida como idêntica à que ele possuía durante a sua existência terrestre;(97) mas, muito mais freqüentes vezes, os Espíritos incorporam-se no invólucro de médiuns adormecidos, falam, escrevem, gesticulam, conversam com os assistentes e fornecem-lhes provas certas da sua identidade. Nesses fenômenos, o médium abandona momentaneamente o corpo; a substituição é completa. A linguagem, a atitude, a letra e o jogo de fisionomia são os de um Espírito estranho ao organismo de que dispõe por algum tempo. Os fatos de incorporação da Sra. Piper, minuciosamente observados e comprovados pelo Dr. Hodgson e pelos Profs. Hyslop, W. James, Newbold, O. Lodge e Myers, constituem o complexo de provas mais poderoso em favor da sobrevivência.(98) A personalidade de G. Pelham revelou-se, post mortem, aos seus próprios parentes, a seu pai, a sua mãe, aos seus amigos de infância, cerca de trinta vezes, a tal ponto que não deixou dúvida alguma no espírito deles acerca da causa dessas manifestações. Sucedeu o mesmo com o Prof. Hyslop, que, tendo feito ao Espírito do seu pai 205 perguntas sobre assuntos que ele mesmo ignorava, obteve 152 respostas absolutamente exatas, 16 inexatas e 37 duvidosas, por não poderem ser verificadas. Essas verificações foram feitas no decurso de numerosas viagens efetuadas através dos Estados Unidos para se chegar a conhecer minuciosamente a história da família Hyslop, antes do nascimento do professor, história a que essas perguntas se referiam. Os Annales des Sciences Psychiques de Paris, julho de 1907, lembram o seguinte fato, que igualmente se produziu na América pelo ano de 1860: “O grande juiz Edmonds, presidente do Supremo Tribunal de Justiça do Estado de Nova Iorque, presidente do Senado dos Estados Unidos, tinha uma filha, Laura, em quem surgiu uma mediunidade com fenômenos espontâneos, que se produziram em volta dela e não tardaram a despertar a sua curiosidade, de tal modo, que começou a freqüentar sessões espíritas. Foi então que ela se tornou médium-falante. Quando nela se manifestava outra personalidade, Laura falava por vezes diferentes línguas que ignorava. Numa noite, em que uma dúzia de pessoas estavam reunidas em casa do Sr. Edmonds, em Nova Iorque, o Sr. Green, artista nova-iorquino, veio acompanhado por um homem que ele apresentou com o nome do Sr. Evangelides, da Grécia. Não tardou a manifestar-se na Senhorita Laura uma personalidade, que dirigiu a palavra, em inglês, ao visitante e lhe comunicou grande número de fatos tendentes a provar que a personalidade era a de um amigo falecido em casa dele, havia muitos anos, mas de cuja existência nenhuma das pessoas presentes tinha conhecimento. De tempos a tempos a donzela pronunciava palavras e frases inteiras em grego, o que deu ensejo a que o Sr. Evangelides lhe perguntasse se podia falar grego. Ele falava efetivamente com dificuldade o inglês. A conversação continuou em grego da parte de Evangelides e alternativamente em grego e inglês da parte da Srta. Laura. Momentos houve em que Evangelides parecia muito comovido. No dia seguinte renovou a sua conversação com a Srta. Laura, depois explicou aos assistentes que a personalidade invisível, que parecia manifestar-se com a intervenção da médium, era a de um dos seus amigos íntimos, falecido na Grécia, irmão do patriota grego Marc Bótzaris. Esse amigo informava-o da morte de um filho seu, também de nome Evangelides, que ficara na Grécia e passava bem no momento em que seu pai partira para a América. Evangelides voltou a ter com o Sr. Edmonds várias vezes ainda e, dez dias depois da sua primeira visita, informou-o de que acabava de receber uma carta participando-lhe a morte de seu filho. Essa carta devia vir em caminho quando se realizou a primeira conversa do Sr. Evangelides com a Srta. Laura. “Estimaria – disse o juiz Edmonds a esse respeito – que me dissessem como devo encarar esse fato. Negá-lo é impossível; é demasiado flagrante. Também então podia negar que o Sol nos alumia.” Isso se passou na presença de oito a dez pessoas, todas instruídas, inteligentes, discretas e também capazes todas de fazerem a distinção entre uma ilusão e um fato real.” (99) O Sr. Edmonds informa-nos que sua filha não tinha ouvido até então uma palavra em grego moderno. Acrescenta que em outras ocasiões ela chegou a falar mais de treze línguas diferentes, entre as quais o polonês e o indiano, quando, no seu estado normal, apenas sabia inglês e francês, este último como se pode aprender na escola. É preciso notar que o Sr. J. W. Edmonds não é uma personalidade qualquer. Nunca puseram em dúvida a perfeita integridade do seu caráter e as suas obras provam sua luminosa inteligência. Fenômenos da mesma ordem foram muitas vezes obtidos na Inglaterra. Citemos, nesse número, uma manifestação do célebre Prof. Sidgwick pelo organismo da Sra. Thompson, adormecida. Figura nos Proceedings. O Sr. Piddington, secretário da Sociedade, testemunha do fato, redigiu um relatório que foi lido em sessão de 7 de dezembro de 1903. Fez circular de mão em mão, entre os assistentes, diferentes escritos automáticos, nos quais os amigos e parentes de Sidgwick, o eminente psicólogo que foi o primeiro presidente da Sociedade, reconheceram sua letra. Ao menos uma vez Sidgwick ter-se-ia esforçado por falar pela boca da Sra. Thompson. O Senhor Piddington descreveu essa cena como a experiência mais realista e impressionante que se encontra em todo o curso das suas investigações. “Não era, diz ele, como se tivesse sido Sidgwick; era ele realmente, ao que se podia julgar.” A personalidade de Sidgwick fez alusão, entre outras coisas, a um incidente que se dera numa das reuniões do Conselho de direção da Society, “e do qual, pode-se dizer com certeza quase absoluta, a Sra. Thompson não podia ter conhecimento”. Uma das pessoas que assistiam à sessão, membro do Conselho de direção, o Sr. Arthur Smith, levantou-se para declarar que se lembrava muito bem daquela circunstância.(100) Relataremos ainda um fenômeno de comunicação durante o sono, obtido pelo Sr. Chedo Mijatovitch, ministro plenipotenciário da Sérvia, em Londres, e reproduzido pelos Annales des Sciences Psychiques, de 1º e 16 de janeiro de 1910. “A pedido de espíritas húngaros, para que se pusesse em relação com um médium, a fim de elucidar um ponto de História a respeito de um antigo soberano sérvio, morto em 1350, dirigiu-se à casa do Sr. Vango, de quem muito se falava por essa época e a quem nunca tinha visto até então. Adormecido, o médium anunciou a presença do Espírito de um jovem, ansioso por se fazer ouvir, mas de quem não compreendia a linguagem. No entanto, acabou conseguindo reproduzir algumas palavras. Elas eram em sérvio, sendo esta a tradução: “Peço-te escrever à minha mãe Nathalie, dizendo-lhe que imploro o seu perdão.” O Espírito era o do rei Alexandre. Chedo Mijatovitch não duvidou, ainda mais quando novas provas de identidade logo se ajuntaram à primeira: o médium fez a descrição do defunto e este mostrou seu pesar por não ter seguido um conselho confidencial que lhe havia dado, dois anos antes de ser assassinado, o diplomata consultante.” Na França, entre um certo número de casos, assinalaremos o do abade Grimaud, diretor do asilo dos surdos-mudos de Vaucluse. Por meio dos órgãos da Sra. Gallas, adormecida, recebeu, do Espírito Forcade, falecido havia oito anos, uma mensagem pelo movimento silencioso dos lábios, de acordo com um método especial para surdos-mudos, que esse Espírito
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(96) Recomendamos a leitura da obra Hipnotismo e Mediunidade, de Lombroso. (N.E.)
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(97) Ver Aksakof - Animismo e Espiritismo, págs. 620 e 631.
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(98) Ver o caso de Mrs. Piper. Proceedings, XIII, 284 e 285; XIV, 6 e 49, resumidos na minha obra No Invisível, cap. XIX.
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(99) Havia, entre outras pessoas, Mr. Green, artista; o Sr. Allen, presidente do Banco de Boston; dois empreiteiros de caminhos de ferro nos Estados do Oeste; Miss Jennie Keyer, sobrinha do juiz Edmonds, etc.
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(100) Revue des Etudes Psychiques, Paris, janeiro de 1904.
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