Livros Espíritas
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Dizem que o castigo os segue por toda parte; que eles não têm paz nem repouso. Isto não invalida de modo algum a observação que fizemos sobre o privilégio dos que estão fora do inferno, privilégio tanto mais injustificado, porquanto, estando fora dele, podem fazer muito mais mal. Com toda certeza eles não são felizes como os anjos bons, mas não se deve levar em consideração a sua relativa liberdade? Se não têm a felicidade moral que a virtude confere, são incontestavelmente mais felizes que os seus comparsas que padecem nas chamas. Depois, para os maus, há sempre um certo gozo na liberdade que desfrutam para praticar o mal. Perguntai ao criminoso o que prefere: se ficar na prisão, ou percorrer livremente os campos, agindo à vontade? Pois o caso é exatamente o mesmo. O remorso, afirmam, os persegue sem tréguas nem piedade. Mas esquecem que o remorso é o precursor imediato do arrependimento, quando não é o próprio arrependimento. Dizem: “Tornados perversos, obstinam-se na perversidade e serão malvados para sempre.” Mas desde que se obstinam em ser perversos é que não têm remorsos; se tivessem o menor sentimento de pesar, renunciariam ao mal e pediriam perdão. Logo, o remorso não constitui para eles nenhum castigo.
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