Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
O Pai efetua a organização universal com independência ilimitada no campo da Sabedoria Infalível. Nós cooperamos com relativa liberdade na obra do mundo, sujeitos à necessária e esclarecedora interdependência, em virtude da imperfeição da nossa individualidade. Deus sabe, enquanto nós nem sequer imaginamos saber. E, com expressivo gesto de bom humor, prosseguiu: — Não existe, portanto, novidade propriamente dita. Aliás, é justo considerar que a desencarnação de Albina não é suscetível de ser adiada por muito tempo. O organismo que a serve está gasto e a nova resolução destina-se apenas a remediar difícil situação, de modo a trazer benefícios para muita gente. A prece, em qualquer ocasião, melhora, corrige, eleva e santifica. Mas somente quando estabelece modificação de roteiro, igual à de hoje, é que paira, acima das circunstâncias comuns, o interesse coletivo. Ainda assim, a medida prevalecerá por reduzido tempo, isto é, apenas enquanto perdurar a causa que a motiva. Recordei uma experiência anterior, em que observara certo irmão recebendo alguns dias de acréscimo à existência no corpo, para poder solucionar problemas particulares, e compreendi a alteração havida. De qualquer modo, porém, minha surpresa não era desarrazoada, porque constituíamos comissão de trabalho definido, com atividades traçadas por superiores hierárquicos. No caso a que me reportava, vira amigos de nossa Esfera intercedendo junto de outros amigos, em benefício de terceiro. Todavia, na questão em exame, tratava-se de pedido da Crosta, atuando diretamente em nosso núcleo distante. Conservando, pois, minha curiosidade insatisfeita, acompanhei o Assistente até ao apartamento confortável em que residia a interessada. Os prognósticos acerca do estado físico da enferma eram desanimadores. Seu Espírito, no entanto, mantinha-se calmo e confiante, a despeito da profunda perturbação orgânica. Não só o coração e as artérias apresentavam sintomas graves: também o fígado, os rins, o aparelho gastrintestinal. A dispneia castigava-a, intensamente. Chegáramos no instante em que gracioso grupo de jovens, catorze ao todo, fazia em derredor da enferma o culto doméstico do Evangelho. Enquanto oravam, antes dos comentários construtivos, de alma voltada para a sublime fonte da fé viva, atiramo-nos ao trabalho, seguidos, de perto, por outros amigos de nosso Plano, ligados à missão da nobre educadora. O ambiente equilibrado pela prece e pelos pensamentos de elevação moral contribuíam eficazmente na execução de nossos propósitos. A zona perigosa do corpo abatido era justamente a que situava o aneurisma, provável portador da libertação. O tumor provocara a degenerescência do músculo cardíaco e ameaçava ruptura imediata. Jerônimo, entretanto, revelou-se, mais uma vez, o médico experimentado e competente de nosso Plano de ação. Começou aplicando passes de restauração ao sistema de condução do estímulo, demorando-se, atencioso, sobre os nervos do tônus. Em seguida, forneceu certa quantidade de forças ao pericárdio, bem como às estrias tendinosas, assegurando a resistência do órgão. Logo após, meu orientador magnetizou, longamente, a zona em que se localizava o tumor bastante desenvolvido, isolando certos complexos celulares, e esclareceu: — Poderemos confiar em grande melhora, que persistirá por alguns meses. Com efeito, finda a complexa operação magnética, observei que o coração doente funcionava com diferente equilíbrio. As válvulas cardíacas passaram a denotar regularidade. Cessou a aflição, o que foi atribuído, e de fato, com razões ponderosas, ao efeito da prece. Albina sentiu-se reconfortada, mais calma. Fitou, comovida, as discípulas que se achavam presentes em afetuosa homenagem a ela, e considerou, satisfeita: — Como me sinto melhor! Motivos fortes possuía o apóstolo Tiago, recomendando a prece aos enfermos! () As alunas e as filhas riram-se de contentamento e ergueram, em seguida, formosa oração gratulatória, emocionando-nos o coração. Contrariando a expectativa geral, a enferma aceitou o oferecimento de um caldo confortante. Em face da alegria que a todos empolgava, perguntei de súbito ao Assistente: — Teria sido a súplica das discípulas o móvel da alteração? Quem sabe? Talvez lhes fizesse falta a venerável professora… — Não, não é bem isto, — elucidou o mentor, — a intercessão das meninas trouxe-lhe a cota natural de benefícios comuns; no entanto, acresce notar que Albina já cumpriu tarefa junto delas. Deu-lhes o que pôde, devotou-se quanto devia. Em virtude da abnegação da enferma, as aprendizes trazem o cérebro cheio de boas sementes… Compete agora às interessadas organizar condições favoráveis ao desenvolvimento intensivo dos tesouros espirituais de que são portadoras. Curioso, arrisquei: — Estaríamos, porventura, ante o resultado de requisição sentimental das filhas? Jerônimo fitou ambas as senhoras que assistiam a doente com desvelada ternura, abanou a cabeça com gesto negativo e retrucou: — Também não. Não se trata de resposta a semelhante rogativa. No desempenho dos sagrados deveres de mãe, Albina fez tudo pelo bem-estar das filhas. Desvelou-se, quanto lhe era possível. Por elas perdeu compridas noites de vigília e encheu laboriosos dias de preocupação absorvente e redentora. Educou-as carinhosamente, encaminhou-as na estrada da santificação e, sobretudo, ao prepará-las para a vida, entregou-as ao Pai Eterno, sem egoísmo destruidor. O trabalho materno foi completamente satisfeito. Doravante, cumpre às filhas seguir-lhe o exemplo, imitando-lhe a conduta cristã. Os bons pensamentos de Loide e Eunice envolvem-na toda em repousante atmosfera de amor. Entretanto, não seriam os rogos filiais, em circunstâncias como esta, que modificariam o roteiro das autoridades superiores no cumprimento das leis divinas. As súplicas de ambas partem de esferas de serviço perfeitamente atendidas pela missionária em processo de liberação e de modo algum as filhas poderiam retê-la. Nesse instante, sentindo-se a enferma confortada pela inopinada melhora, dirigiu-se à filha mais velha, indagando: — Loide, acredita você na possibilidade de trazerem o Joãozinho até aqui? À interrogação enternecida, seguiu-se plena aprovação da filha e o telefone tilintou chamando alguém. Ao passo que a senhora se entendia com o esposo, a distância, meu orientador anunciou, bem humorado: — Em breves momentos, receberá você a chave do problema. Continuamos socorrendo a organização fisiológica da enferma, observando a alegria sincera das discípulas, que se retiravam, contentes. Mãe e filhas voltaram a permanecer a sós conosco, junto de outros amigos espirituais que se dedicavam, no compartimento, à tarefa de auxílio, inclusive a simpática irmã que nos acolhera na , falando-nos, aliás, da probabilidade de prorrogação. Processavam-se com extremado carinho os serviços de assistência, quando cavalheiro bem-posto deu entrada, conduzindo um menino miúdo, de oito anos presumíveis. Varando a porta do quarto, o pequeno mostrou-se cônscio do lugar em que se achava, cumprimentou as senhoras, respeitoso, e voltou-se, de olhos ansiosos, para a enferma, beijando-lhe a destra com indescritível ternura. Albina rogou a Deus o abençoasse e o menino perguntou: — Vovó, como vai? Designando-o, o Assistente esclareceu: — A súplica dessa criança alcançou-nos a colônia espiritual e modificou-nos o roteiro. — Quê?… — interroguei, sumamente surpreendido. Jerônimo, todavia, continuou: — Não é neto consanguíneo da doente, embora se considere tal. É órfão que lhe abandonaram à porta, após o nascimento, e que Loide mantém no lar, desde que nossa irmã se recolheu à cama. Não obstante a prova, Joãozinho é grande e abnegado servo de Jesus, reencarnado em missão no Evangelho. Tem largos créditos na retaguarda. Ligado à família de Albina, há alguns séculos, torna ao seio de criaturas muito amadas, a caminho do serviço apostólico do porvir. Ia formular perguntas novas, mas meu orientador, indicando a enferma que se abraçara à criança, aconselhou-me, solícito: — Observe por si mesmo… O diálogo entre ela e o pequenino adquirira encantadora suavidade. — Tenho passado mal, meu filho, — exclamava a respeitável senhora em desabafo. — Oh! Vovó! — Tornou o rapazinho, olhos radiantes de fé, — tenho rezado sempre para que a senhora fique boa, depressa. — Tem fé? — Confio em Jesus. Na última vez em que estive na igreja, pedi a todos me ajudarem a rogar ao Céu pela sua saúde. — E se Deus me chamar? Os olhos se lhe umedeceram, mas acentuou em voz firme: — Precisamos da senhora neste mundo. Albina abraçou-o e beijou-o com meiguice maternal e prosseguiu: — João, tenho sentido muita saudade de seus hinos na escola. Tem louvado o Senhor, pontualmente? — Tenho. — Cante para mim, meu filho. O pequeno sorriu, jubiloso, por haver encontrado motivo de alegrar a doente querida e indagou, com naturalidade: — Qual? A enferma pensou, pensou, e disse: — “Jesus, sendo meu”. O menino modificou a expressão fisionômica, entristeceu-se instantaneamente, mas, colocando-se junto ao leito, e, na postura do crente submisso, ergueu os olhos ao alto e começou a cantar antigo e delicado hino das igrejas evangélicas: “Jesus, sendo meu, Sou muito feliz, Eu vou para o Céu, Meu lindo país…” Expressava-se em voz tão dorida que o hino parecia amarguroso lamento. Finda a primeira quadra, esforçou-se para continuar, mas não conseguiu.
Mais opções
Nota 1:
5000
caracteres restantes
Vide — Nota do Autor espiritual.
Formatar
Nova Nota
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×