Livros Espíritas
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Todavia, o Cristo não pôde revelar aos seus contemporâneos todos os mistérios do futuro. Ele próprio o disse: “Muitas coisas ainda vos diria se as pudésseis compreender, e é por isso que vos falo em parábolas.” Mas o Cristo foi muito explícito sobretudo no que diz respeito à moral, porque, tocando na corda sensível da vida material, sabia fazer-se compreender. Quanto aos outros pontos, limitou-se a semear sob a forma alegórica os germes que deveriam ser desenvolvidos mais tarde. A doutrina das penas e recompensas futuras pertence a esta última ordem de ideias. Sobretudo em relação às penas, Ele não poderia romper bruscamente com as ideias preconcebidas. Vindo traçar aos homens novos deveres, substituir o ódio e a vingança pelo amor do próximo e pela caridade, o egoísmo pela abnegação, já era muito; além disso, não podia racionalmente enfraquecer o temor do castigo reservado aos prevaricadores, sem enfraquecer ao mesmo tempo a ideia do dever. Se prometia o reino dos céus aos bons, esse reino estaria interdito aos maus; para onde iriam estes? Precisava de uma compensação capaz de impressionar inteligências ainda muito rudimentares, de modo que pudessem identificar-se com a vida espiritual, visto que Jesus se dirigia ao povo, à parte menos esclarecida da sociedade, para a qual havia necessidade de imagens de algum modo palpáveis, e não de ideias sutis. Foi esta a razão por que Jesus não entrou em minúcias supérfluas a este respeito; naquela época, bastava-lhe opor uma punição à recompensa.
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