Livros Espíritas
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Os exemplos desta natureza são muito numerosos. Um dos mais admiráveis é o do suicida da Samaritana, que referimos no nosso número de junho de 1858. Evocado vários dias após sua morte, esse homem também afirmava estar ainda vivo, embora dissesse: “Entretanto, sinto os vermes a me corroerem.” Como fizemos observar em nosso relato, não se tratava de uma lembrança, desde que em vida não era corroído pelos vermes. Era, pois, um sentimento atual, uma espécie de repercussão, transmitida do corpo ao Espírito pela comunicação fluídica ainda existente entre ambos. Esta comunicação nem sempre se traduz da mesma maneira, mas é sempre mais ou menos penosa, como se fora um primeiro castigo para aquele que em vida se identificou demasiadamente com a matéria. Que diferença da calma, da serenidade, da suave quietude dos que morrem sem remorsos, com a consciência de terem bem empregado seu tempo de estágio na Terra, dos que não se deixaram dominar pelas paixões! A passagem é curta e sem amargura; a morte, para eles, é o retorno do exílio à pátria verdadeira. Haverá nisso uma teoria, um sistema? Não; é o quadro que nos oferece todos os dias nossas comunicações de além-túmulo, quadro cujos aspectos variam ao infinito, e onde cada um pode colher um ensinamento útil, porque encontra exemplos que poderá aproveitar, caso se dê ao trabalho de consultá-los. É um espelho onde se pode reconhecer todo aquele que não se ache enceguecido pelo orgulho.
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