Livros Espíritas
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Espiritos:
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O Espiritismo fincou as balizas da estrada que conduz aos pés de Deus. Marchemos sem jamais as perder de vista. A linha traçada pelos Espíritos bons, geômetras da Divindade, está rodeada de precipícios; as urzes e os espinhos são as suas margens. Não lhes temamos os ferimentos. Que são tais feridas, comparadas à felicidade eterna, que acolherá o viajor que chegou ao termo de seu percurso? Esse termo, esse objetivo, senhores, há muito é objeto de minhas meditações. Abarcando o meu passado com um olhar, e voltando-me para reconhecer o espinheiro que me havia ferido, o obstáculo que me tinha feito tropeçar no atalho, não deixei de fazer o que faz todo homem, ao menos uma vez na vida: o balanço, por assim dizer, das alegrias e das mágoas, dos bons momentos de coragem e das horas de desânimo. E, com a cabeça sossegada, a alma livre, isto é, concentrada em si mesma, desprendida da matéria, disse de mim para mim: A existência humana não passa de um sonho, mas de um sonho horroroso, que começa quando a alma ou Espírito encarnado da criança se esclarece aos primeiros lampejos da inteligência, para terminar no desfalecimento da morte. A morte! Esta palavra de terror para tanta gente, na verdade é apenas o despertar desse sono horrível, o benfeitor socorrista que nos liberta do pesadelo insuportável que nos acompanha, passo a passo, desde o nascimento. Falo em geral, mas não de maneira absoluta. A vida do homem de bem não tem mais esses mesmos caracteres; aquilo que fez de bom, de grande, de útil, ilumina com puras claridades o sonho de sua existência. Para ele, a passagem da vida à morte é feita sem transição dolorosa; nada deixa atrás de si que possa comprometer o futuro de sua nova existência espiritual, recom-pensa de seus benefícios. Mas, ao contrário, para aqueles que, cegos voluntários, tiverem constantemente fechados os olhos para melhor negarem a existência de Deus, que se tiverem recusado à contemplação do sublime espetáculo de suas obras divinas, provas e manifestações de sua bondade, de sua justiça, de seu poder, direi que terão um terrível despertar, cheio de amargos lamentos, sobretudo por haverem desconhecido os benéficos conselhos de seus irmãos espíritas; o sofrimento moral que terão de suportar durará até o dia em que um arrependimento sincero desperte a piedade divina, que lhes concederá a graça de uma nova encarnação. Muitas pessoas ainda vêem nas comunicações espíritas a obra do demônio; no entanto, seu número diminui cada dia. Essa feliz diminuição deve-se evidentemente à curiosidade, fazendo com que as pessoas visitem os grupos espíritas ou leiam O Livro dos Espíritos e porque no número dos curiosos encontram-se criaturas que se convencem, sobretudo entre as que lêem aquele livro. Porque, senhores, não creiais poder atrair muitos adeptos à nossa sublime doutrina, fazendo-os, primeiramente, assistir às nossas sessões. Não; tenho a íntima convicção de que uma pessoa completamente estranha à doutrina não se convencerá pelo que vir em nossas reuniões; antes estará pronta a rir dos fenômenos do que os levar a sério. Quanto a mim, senhores, terei feito muito mais pela nova doutrina quando, em vez de levar alguém para assistir a uma de nossas sessões, eu fizer com que ele leia O Livro dos Espíritos. Ao ter certeza de que a leitura foi feita e deu os frutos que deveria produzir, oh! então levo com satisfação aquela pessoa a um grupo espírita, porque só nesse momento tenho certeza de que se dará conta de tudo quanto vir e ouvir; e aquele que provavelmente riria antes da leitura desse livro, apresentará efeitos diametralmente opostos. Não quero dizer que chore. E para terminar, senhores, nada melhor que uma citação de O Livro dos Espíritos; ela convencerá, mais do que o permitem os meus fracos argumentos, àqueles que ainda duvidam da verdadeira base sobre a qual repousam as crenças espíritas: “Os que dizem que as crenças espíritas ameaçam invadir o mundo, proclamam, ipso facto, a força do Espiritismo, porque jamais poderia tornar-se universal uma idéia sem fundamento e destituída de lógica. Assim, se o Espiritismo se implanta por toda parte, se, principalmente nas classes cultas, recruta adeptos, como todos facilmente reconhecerão, é que tem um fundo de verdade. Baldados, contra essa tendência, serão todos os esforços dos seus detratores e a prova é que o próprio ridículo, de que procuram cobri-lo, longe de lhe amortecer o ímpeto, parece ter-lhe dado novo vigor, resultado que plenamente justifica o que repetidas vezes os Espíritos hão dito: ‘Não vos inquieteis com a oposição; tudo o que contra vós fizerem se tornará a vosso favor e 35 N. do T: Vide o item V – Conclusão – de O Livro dos Espíritos. os vossos maiores adversários, sem o quererem, servirão à vossa causa. Contra a vontade de Deus não poderá prevalecer a má vontade dos homens.’ Condat
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