Livros Espíritas
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É por isso que Bozzano recorre à hipótese dos" clichês astrais" ou a das "impressões akásicas". E se tais imagens estão gravadas em algum ponto do espaço e não apenas do tempo, somos levados a pensar um tanto a sério a hipótese de que o tempo é também um lugar, como ficou dito em A memória e o Tempo. Um lugar ao qual pessoas devidamente dotadas podem ir e ver, tal, no futuro como no passado. Edgar Cayce, em transe, solicitado a produzir seus readings, ficava em silêncio por um momento e depois dizia uma frase-padrão. "Yes, we have it here". Ou seja, "sim, aqui o temos". Dizia ele recorrer aos registros akásicos para conhecer, no remoto passado das pessoas que o consultavam, que implicações, tinha esse passado nas dificuldades ou talentos do presente. Era como se quele momento de silêncio, estivesse a procurar numa fita magnética o rumo certo em que estivessem grandos os episódios de interesse à sua análise. Era o mesmo que apanhar, numa prateleira, o cassete de uma remota gravação e repassá-la numa aparelhagem eletrônica de reprodução de imagem e som. Escreve Bozzano: "Acolhendo a opinião de Gissing ao admitir que suas visões constituem,: como tudo parece indicar, uma reprodução autenticamente psicométrica dos acontecimentos a que se reportam, não restaria, então, para explicar os fatos, senão recorrer a uma hipótese já precedentemente enunciada, ou seja, aquela pela qual supomos que os sistemas de vibrações correspondentes à atividade dos seres vivos e da matéria inanimada são registrados em um meio etérico. (Bozzano, Ernesto, 1930). Em apoio dessa observação, Bozzano cita comunicação colhida no livro da sra. Elsa Baker, Letters from a living Dead Man: O éter que domina esta quase ilha gloriosa tem nele gravados, em séries ininterruptas, os fatos do seu passado; audácias de pensamento e audácias de execução. E os feitos antigos são de tal arte radiantes, que fulguram através da camada de impressões que se lhes sobrepuseram. (ldem) E insiste ele, páginas adiante: Estas percepçôes não poderiam explicar-se senão admitindo. ou supondo, que os sistemas de vibrações correspondentes à atividade dos seres vivos e à matéria inanimada fossem registrados e conservados por um "meio etérico". (Idem) O que se conjuga, como ele próprio admite, com Ossoviecki, com a "teoria da intercomunicação telepático-subconsciente de todos os seres vivos" . Em A memória e o tempo, ficou igualmente sugerida a hipótese de tais eventos estarem gravados na memória de Deus. Observo com alegria que Bozzano propõe algo parecido na sua idéia de Eter-Deus. Escreve ele: De fato, se conferirmos ao éter do espaço, imanente e imaterial no universo, a função de registrar e conservar todas as vibrações constitutivas da atividade da criação, havemos de atribuir-lhe, cumulativamente, os atributos da onisciência, onipresença e onipotência, o que equivale por dizer a autoconsciência, de vez que aqueles atributos implicam, necessariamente, uma inteligência infinita. Coisa parecida, aliás,é encontrada na obra de Stainton Moses, ditada pelo espírito que se chamava Imperator, que, um dia, cedeu ao apelo de Moses e revelou uma das suas identidades anteriores, como o profeta Malaquias: Todas as inspirações provêm, diretamente, daquele a quem chamais Deus, isto é, do Éter Infinito e Imanente em tudo e por toda parte. Na verdade, vós, como nós, vivemos mergulhados num Oceano Espiritual imensurável, do qual se originam a ciência e a sabedoria possíveis ao espírito humano. (Moses, Stainton. 1981). E mais adiante: Eis a grande verdade da qual já nos ocupamos, isto é, que vós também estais em Deus, visto existir em vós uma parcela deste Espírito Universal Imanente, que é uma manifestação do Ser Supremo. (Idem) À madame d'Esperance, o espírito Sttaford diz coisa semelhante ao declarar que se fosse possível remontar às origens do universo, encontrariam isso a que chamamos de nada, ou seja, "um Nada de matéria, um Nada infinitamente mais maravilhoso, mais poderoso, mais grandioso e sublime do que o universo material que ele produziu". Muitos nomes tem esse poder criador. O último (desses nomes) inventado pelos sábios chama-se "Vontade Cósmica". Outros, menos eruditos, contentaram-se em chamar-lhe familiarmente Deus. Não muito distante dessas concepções fica Boddington. Escreve ele na sua University: Em psicometria percebemos leis aplicáveis a muitas formas de mediunidade. Está provado que todo pensamento é registrado de maneira indelével. Mesmo o pensamento inarticulado inscreve-se no éter psíquico junto com a 'história, nas rochas, nas pedras, nos animais e nos fósseis. Espíritos e psicometras freqüentemente provam isto, ao mencionar idéias e motivações há muito esquecidas ou nunca reveladas. O psicômetra, operando com essas leis cobre a permanência da energia dinâmica da alma e algo análogo à mente do Grande Arquiteto em operação. Toda forma é a expressão de um pensamento de Deus ou do homem. Portanto, aqueles que são capazes de ler a "alma das coisas" não apenas lêem a história, mas realizam-se em Deus. (Boddington Harry, 1948). Segundo Boddington, esse é o verdadeiro sentido da expressão de Jesus ao declarar que Ele e o Pai eram um. Segue-se de tudo isso, que o universo inteiro não é mais que o pensamento de Deus. Ou seja, a sua memória. O ser humano não apenas contribui com as suas gravações pessoais como, sob certas condições, é capaz de fazer passar em replay o video-tape que ele ou outros gravaram, não importa onde ou quando. Dessa maneira, a moderna eletrônica nos proporciona a imagem perfeita ao entendimento desse velho mistério, um dos grandes enigmas que Bozzano identifica com os fenômenos de psicometria. Talvez por isso, Boddington recomenda o desenvolvimento da mediunidade a partir de exercícios de psicometria, como se lê no seu livro Secrets of mediumship. O assunto vem tratado por André luiz no capítulo 26 de Nos domínios da mediunidade; por ali se vê que Todos os objetos ... emoldurados por substâncias fluídicas; acham-se fortemente lembrados ou visitados por aqueles que os possuíram. E mais: Que o pensamento espalha nossas próprias emanações em toda a parte a que se projeta. Deixamos vestígios espirituais onde arremessamos os raios da nossa mente, assim como o animal deixa no próprio rastro o odor que lhe é característico. Ou ainda: As almas e as coisas, cada qual na posição em que se situam, algo conservam do tempo e do espaço, que são eternos na memória da vida. (Xavier, Francisco C./luiz, André). Mais adiante, o mesmo conceito de Bozzano e Ossoviecki de que há em tudo... Uma integração, afinidade, sintonia ... E de uma coisa não tenhamos dúvida: através do pensamento, comungamos uns com os outros, em plena vida universal. Aí está, pois, um vôo rasante sobre o fantasmagórico território da psicometria onde, segundo Bozzano, vemos muito mais enigmas a resolver do que vislumbramos explicações aceitáveis. De certa forma, portanto, esse território inexplorado ainda está, no futuro, à espera dos que vão colonizá-la. Temos, nos documentos científicos, depoimentos de alguns raros desbravadores afoitos que, inconformados com a passividade de apenas assistir ao fenômeno, tentaram explicá-lo. Fizera-no bem, dentro das naturais limitações, como Buchanan, Denton e outros. Parece que tudo isso acontece dentro de um planejamento que só percebemos, nas entrelinhas, muito mais tarde. Denton e Buchanan foram contemporâneos e chegaram a trabalhar juntos. Além disso, tinham, em suas respectivas famílias, pessoas dotadas de faculdades psicométricas. Além de contemporâneos, eram ambos americanos e ambos cientistas de prestígio. É muita coincidência! Penso que tudo foi combinado para que, juntos, chamassem a atenção das pessoas para o fato de que o mundo é pensamento de Deus, é memória viva, onde não apenas se inscreve cada suspiro ou sorriso, batalha ou pensamento puro, em todo o passado vivido desde as origens, mas também o futuro que do lado de lá já é, enquanto aqui ainda não aconteceu. E é por isso, também, que tempo é lugar. Não está tudo numa só memória? Algumas pessoas são dotadas de faculdades para ler essas gravações cósmicas e, às vezes, alguém lá em cima volta o cassete e reproduz para nós cenas esquecidas, apenas para que lembremos de que poderão estar esquecidas, mas não perdidas. Este é um universo em que nada se perde e, ao contrário do que ensinou Lavoisier em relação ao universo físico, nada se transforma. Fica tudo documentado nos imensos arquivos cósmicos. Um dia teremos todos condições de ler essa história que, por enquanto, mal sabemos soletrar. E, então, vamos ficar sabendo como foi que Deus fez o mundo e a nós, pois, afinal de contas, não estaremos fazendo nada mais do que ler a sua própria memória onde a nossa história também está gravada. Para sempre. É que também nós somos imortais, ainda que não eternos, faculdade que Deus reservou, sabiamente, para si mesmo. Do contrário, não haveria quem nos contasse a história de vida que ficou documentada na sua memória. (Não se queixe o leitor de tais transcendências. Não prometi facilidade alguma ao encetar o capítulo sobre psicometria. Ao contrário, pedi que se segurasse bem pois iríamos ter certas turbulências pelo caminho. E olhe que ainda nem tocamos na questão do livre-arbítrio que também está implícito nisso tudo. Fica para outra vez...) 12. HIPÓTESES E IMAGENS
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