Livros Espíritas
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“Mostrai ao homem que ele é imortal. Nada vos pode melhor secundar nessa nobre tarefa do que a comprovação dos Espíritos de além-túmulo e suas manifestações. Só com isso vireis em auxílio da Religião, empenhando ao seu lado os combates de Deus.” O abade Leçanu, em sua História de Satanás, aprecia nestes termos o alcance moral do Espiritismo: “Observando-se as máximas de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, faz-se o bastante para se tornar santo na Terra.” Em suas Cartas à Srta. Th. V., escreve o padre Didon estas palavras, a respeito de uma pessoa recentemente falecida: “...eu, que acredito na ação constante dos Espíritos e dos mortos sobre nós, creio bem que esse desaparecido vos guarda e assiste invisivelmente.”(cliii) E noutro lugar lemos ainda: “Creio na influência divina que sobre nós misteriosamente exercem os mortos e os santos. Vivo em profunda comunhão com esses invisíveis e é delicioso para mim experimentar os benefícios de sua secreta aproximação.”(cliv) O Dr. José Lappôni, médico de dois papas – Leão XIII e Pio X – relata em sua obra Hipnotismo e Espiritismo numerosos fenômenos espíritas, cuja autenticidade admite. Assim, de um lado, na Igreja Católica, condenam o Espiritismo como contrário às leis de Deus e da Igreja, e do outro o consideram como um auxiliar da Religião e o qualificam de “combate de Deus”. Diante de tais contradições, grande deve ser a perplexidade dos crentes. O mesmo acontece no seio das igrejas protestantes. Muitos pastores, e não dos menos eminentes, vão-se chegando sem rodeio ao Espiritismo. O pastor Benezech, de Montauban, nos escrevia, em fevereiro de 1905, a respeito de fenômenos por ele mesmo observados: “Prevejo que o Espiritismo bem pode vir a tornar-se uma religião positiva, não à maneira das religiões reveladas, mas com o caráter de religião estabelecida sobre fatos de experiência e plenamente de acordo com a Ciência e o racionalismo. Estranha coisa! – em nossa época de materialismo, em que as igrejas parecem na iminência de se desorganizar e dissolver-se, o pensamento religioso nos é restituído por sábios, acompanhado pelo maravilhoso dos antigos tempos. Esse maravilhoso, porém, que eu distingo do milagre, pois que não é mais que um natural superior e raro, já não estará ao serviço de uma igreja particularmente distinguida com os favores da divindade; será a propriedade da Humanidade, sem distinção de cultos. Como isso é mais grandioso e também moral!” Em Londres, o reverendo Hawis pregava recentemente a “doutrina dos mortos”, na igreja de Marylebone, e convidava os seus ouvintes a passar pela sacristia depois do sermão, para examinar fotografias de Espíritos. Mais recentemente ainda, na igreja de S. Jaques, o mesmo orador pregava sobre “as tendências do moderno espiritualismo”, e concluía dizendo que “os fatos espíritas oferecem perfeita concordância com o mecanismo geral e as teorias da religião cristã”. (Traduzido da revista Light, de Londres, 7 de agosto 1897) Um certo número de pastores americanos entrou nessa ordem de idéias. As Neue spiritualistische Blatter, de 16 de março 1893, publicam a tradução de um artigo do Sr. Savage, pastor da Igreja Unitária de Boston, no qual esse pensador, esse emérito escritor, bem conhecido nos Estados Unidos, narra as suas investigações no domínio psíquico e conta de que modo foi levado a acreditar nos fatos espíritas. Reproduzimos em seguida esse artigo: “A respeito dessas questões, eu me encontrava como outrora os homens sisudos de Jerusalém, de Corinto e de Roma, relativamente ao Cristianismo: parecia-me que era uma pestífera superstição. Uma vez fundado na minha invencível ignorância, pronunciei contra essas idéias um discurso em quatro lugares, depois do qual muito me admirei de que ainda houvesse, entre as pessoas de meu conhecimento, indivíduos que continuassem a acreditar nisso do mesmo modo. “Há dezessete anos, um membro da minha igreja perdeu o pai. Pouco tempo depois veio ele confiar-me que, tendo ido, com um amigo, procurar um médium, este lhe disse certas coisas convincentes, e pediu-me que lhe desse um conselho. Reconheci então que me não competia dá-lo acerca de uma coisa que eu não conhecia e da qual toda a minha ciência consistia em preconceitos. A rápida propagação do Espiritismo, nas classes ilustradas de Boston, me fez compreender que era necessário submeter a sério exame os fenômenos em questão, porquanto era possível, ou antes provável que ainda outros membros da minha igreja me pedissem explicações sobre isso. “Disse, pois, comigo mesmo: quer sejam falsas, quer verdadeiras, é preciso, em todo caso, que eu estude a fundo essas coisas, para ser bom conselheiro. Reconheci que seria uma vergonha para mim não ter opinião alguma sobre as referências do Antigo e do Novo Testamento às aparições e às influências demoníacas. Por que motivo ser inflexível na minha ignorância a respeito de coisas que tinham uma certa importância para os membros da minha igreja? Convenci-me de que era meu dever estudar conscienciosamente esses fenômenos, até formar uma opinião inteligente quanto ao valor deles. Tais foram os principais motivos que me conduziram a estas longas investigações. “Nelas observei o método científico, único que, a meu ver, conduz ao conhecimento. Mediante uma observação minuciosa, procurei sempre certificar-me de me haver ou não com um fato real e não prestei atenção a nenhuma das manifestações que se produzem às escuras, ou em condições em que eu não podia estar seguro da minha pesquisa. “Sem pretender que as manifestações obtidas em semelhantes condições sejam forçosamente devidas à fraude, não lhes atribuí valor algum; além disso, posto que reconhecesse muito bem que uma coisa reproduzida em outras condições não é uma simples imitação, aprendi a fundo a arte dos escamoteadores, que se me tornou assaz familiar. Na sua maior parte, as manifestações que fui obrigado a reconhecer como reais e que produziram o resultado de me convencer, tiveram lugar em presença de alguns amigos de confiança e sem o concurso de médium de profissão. “Uma vez, certo de que tinha de haver-me com um fato, lancei mão de todas as teorias possíveis para o explicar, sem recorrer à dos Espíritos. Eu não digo ‘sem recorrer a uma explicação sobrenatural’: digo ‘sem recorrer à teoria dos Espíritos’, porque não acredito em nada sobrenatural. Se há Espíritos, a nossa incapacidade de os ver não os torna mais sobrenaturais do que o átomo, para a Ciência, o qual do mesmo modo não vemos. “Ora, eu descobri fatos que provam que o eu não morre e que, depois do que chamamos morte, ainda é capaz, em certas condições, de entrar em comunicação conosco”. O reverendo J. Page Hopps, numa reunião de pastores, em Manchester, afirmava “a comunhão dos Espíritos no visível e no invisível” e propunha a fundação de uma igreja, cujas prédicas seriam “as mensagens lá do alto”. (AURORE, JULHO DE 1893) Em um artigo do Pontefract Express de 20 de janeiro de 1898, o reverendo C. Ware, ministro da Igreja Metodista, fala muito longamente dos Atos dos Apóstolos. Exorta ele os cristãos “a fazer um estudo aprofundado desse livro, no ponto de vista dos inúmeros e maravilhosos fatos que ele relata e que outra coisa não são senão fenômenos espíritas. É preciso notar que, no começo do estabelecimento do Cristianismo, duas classes de cooperadores se acham constantemente em contacto: os Espíritos desencarnados e os encarnados.” O reverendo Ware menciona os fenômenos extraordinários que acompanharam a prédica dos discípulos depois que sobre suas cabeças se derramaram as línguas de fogo, e o ardente fervor comunicado aos primeiros cristãos por esses fenômenos todos, os quais se reproduzem atualmente nas sessões espíritas. O pastor holandês Beversluis pronunciava estas palavras, no Congresso Espírita realizado em 1900, em Paris: “Adquiri a certeza de que o Espiritismo é real... Essa luz celeste faz dissipar-se o medo do inferno, de Satanás e desse Deus terrível do calvinismo, que odeia as suas criaturas e as condena a eterna punição. Em lugar desse terror, o Espiritismo faz nascer uma confiança de filho e uma dedicação enternecida ao Deus de amor”. Finalmente, o venerável arcediago Colley, numa carta publicada no Daily Mail de 1º de fevereiro 1906, assim se exprime: “Sou espírita há mais de trinta e três anos e posso dizer que jamais, ou só muito raramente, vi que o Espiritismo outra coisa produzisse a não ser o bem, mostrando ser um estímulo para a elevação moral e intelectual de quem o professa, para o aperfeiçoamento humano, um alívio na desgraça, um motivo de satisfação na existência... O Espiritismo é, além disso, um meio de cura para a falta de fé, sobretudo porque fornece uma prova científica da continuação da vida além do túmulo.” E prossegue dizendo que, em sua opinião, o Espiritismo é como o coroamento de tudo o que de mais precioso há em cada religião.(clv)
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(cliii) 4 de outubro de 1875.
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(cliv) 4 de agosto de 1876.
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(clv) Ver Annales des Sciences Psychiques, fevereiro de 1906, pág. 120.
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