Livros Espíritas
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O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tardio, o culpado sofrerá por muito mais tempo. A expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais que são a consequência da falta cometida, seja na vida atual, seja na vida espiritual após a morte, ou ainda em nova existência corpórea, até que os últimos vestígios da falta tenham desaparecido. A reparação consiste em fazer o bem a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros nesta vida, por fraqueza ou má vontade, achar-se-á numa existência posterior em contato com as mesmas pessoas a quem prejudicou, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes o seu devotamento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito. Nem todas as faltas acarretam prejuízo direto e efetivo. Em tais casos a reparação se opera fazendo-se o que se deveria fazer e não foi feito; cumprindo os deveres desprezados, as missões não executadas; praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se foi orgulhoso, amável se foi austero, caridoso se foi egoísta, benevolente se foi perverso, laborioso se foi ocioso, útil se foi inútil, moderado se foi dissoluto, exemplar se foi mau etc. É assim que o Espírito progride, aproveitando-se do próprio passado.⁵⁹
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(⁵⁹) Nota de Allan Kardec: A necessidade da reparação é um princípio de rigorosa justiça, que se pode considerar como a verdadeira lei de reabilitação moral dos Espíritos. Entretanto, até agora é uma doutrina que religião alguma proclamou. Algumas pessoas a repelem porque acham mais cômodo se quitarem das más ações por um simples arrependimento, mediante algumas fórmulas que não custam mais que palavras. Crendo-se quites com isso, só mais tarde verão que não bastava apenas o arrependimento. Nós poderíamos lhes perguntar se esse princípio não é consagrado pela lei humana e se a Justiça divina pode ser inferior à dos homens. E mais, se essas leis se dariam por desafrontadas, desde que o indivíduo que as transgredisse, por abuso de confiança, se limitasse a dizer que as respeita infinitamente. Por que recuariam diante da obrigação que todo homem honesto se impõe como dever, segundo o grau de suas forças? Quando esta perspectiva de reparação for inculcada na crença das massas, será um outro freio aos seus desmandos, e bem mais poderoso que o inferno e as penas eternas, porque interessa à vida em sua plena atualidade, podendo o homem compreender a procedência das circunstâncias que a tornam penosa ou a sua verdadeira situação.
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