Livros Espíritas
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Isto é estritamente verdadeiro. A mediunidade deve resultar, sempre, de uma equilibrada interação entre passividade e resistência ou, para dizer de outra maneira, permitir, mas vigiar, coibindo abusos, sempre indesejáveis ou declaradamente perniciosos. Mas não apenas vigiar ou policiar as manifestações, como também não permitir que elas ocorram em qualquer lugar, a qualquer momento e de qualquer maneira. Assim como o médium adequadamente treinado acaba por distinguir, naquilo que fala ou escreve, o que são idéias pessoais suas do que é alheio, também aprende, logo de início ou pouco mais adiante, a regulamentar o exercício de suas faculdades, recusando-se a passar o controle de seus dispositivos de manifestações quando entender que não é oportuno ou aconselhável fazê-la. Isto é particularmente desejável - indispensável mesmo - quando ele trabalha em grupo, cabendo-lhe impedir, a não ser sob condições reconhecidamente excepcionais, que uma entidade lhe imponha uma manifestação enquanto ainda está com a palavra outro espírito, através de outro médium. O apóstolo Paulo - a maior autoridade em mediunidade nos remotos tempos do cristianismo primitivo - dizia que o espírito do médium deve estar sujeito ao médium (disciplina mediúnica), e mais: só deve falar um de cada vez. Como este e demais aspectos da magnífica Epístola aos coríntios foram tratados em meu livro As marcas do Cristo, abstenho-me de sobrecarregar este estudo com a repetição das observações que o leitor poderá encontrar naquela obra. O importante é lembrar - como já assinalava Paulo, com outras palavras - que o médium deve saber quando é chegado o momento de oferecer sua passividade e quando deve reagir, com bloqueio da resistência que iniba a manifestação indesejável ou inoportuna. Em suma: resistir é tão importante quanto ceder. Cada uma dessas atitudes tem seu momento certo. Acho que sobre essas preliminares da mediunidade ficou dito o essencial. Seja como for, é preciso parar por aqui mesmo, a fim de que o livro não fique grande demais, pois ainda há muito o que dizer. Nossa próxima tarefa é debater a dicotomia mediunidade/animismo, dado que temos aí alguns fantasmas a exorcizar...
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