Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
Não desejam, de forma alguma, que nos tornemos dependentes deles, para qualquer passo que tenhamos de dar. Dificilmente nos dizem o que fazer, ante duas ou mais alternativas. Devemos ou não acolher um companheiro que se propõe a trabalhar conosco? Devemos ou não excluir outro, que não está se entrosando? São problemas nossos, e temos que resolvê-los dentro do contexto humano, segundo nosso entendimento e bom senso. A função dos orientadores espirituais mais responsáveis não é ditar normas. Mesmo com relação à essência do trabalho, limitam-se a aconselhar e sugerir, mas não impõem a sua vontade. E se insistimos em seguir pelas trilhas que nos afastam do roteiro da verdade e da segurança, não nos faltarão com suas advertências amigas, mas nos deixarão palmilhar os caminhos da nossa preferência. Só que, por esses atalhos, não poderemos continuar contando com o mesmo tipo de apoio e sustentação. Haverão de nos seguir a distância, amorosos e apreensivos, mas respeitando nossas decisões, mesmo erradas. Jamais nos recomendam ritos especiais, nem nos obrigam a fórmulas dogmáticas rígidas e insubstituíveis, como preces exclusivas, ou símbolos místicos e vestimentas características. Nada temos contra os grupos que seguem tais recomendações, sob orientação de seus companheiros desencarnados. Podem ser bem-intencionados e realizar trabalhos de valor, com êxito, mas não são grupos integrados na Doutrina Espírita, entendendo-se como tal a Doutrina contida nos livros básicos da Codificação Kardequiana. Merecem todo o nosso respeito e carinho; nossa experiência ensina, não obstante, que podem realizar o mesmo tipo de trabalho, ou melhor ainda, sem necessidade de recorrer a práticas exteriores de suporte. O suporte de que os grupos mediúnicos necessitam vem do mundo espiritual superior, onde qualquer exteriorização voltada para os aspectos materiais é dispensável. Nada, pois, de velas, símbolos, imagens, ritos ou vestes especiais. Não é preciso. E se um companheiro começar a recomendar tais processos, podemos tranquilamente dissuadi-lo, com bons modos, é claro, mas com firmeza. * Os amigos espirituais que se incumbem de orientar o grupo raramente revelam toda a extensão de suas responsabilidades e encargos. Somente a observação atenta, no decorrer de muito tempo de trabalho, permite-nos avaliar parcialmente a importância de suas presenças junto de nós. Geralmente fazem parte de amplas organizações socorristas, que se incumbem de orientar e assistir inúmeros grupos, onde se reúnem pessoas de boa-vontade, ainda que de limitados recursos. O trabalho que nos trazem obedece a planejamentos cuidadosos, cuja vastidão e seriedade nem podemos alcançar, para entender. Todo o seu esforço é conjugado com o de outros Espíritos, encarnados e desencarnados. São eles os preparadores das tarefas específicas do grupo, e são eles que se incumbem de dar continuidade ao serviço, depois que o Espírito necessitado é atendido. Sabemos muito bem que a maior parte do trabalho, a mais delicada e de maior responsabilidade, é feita no mundo espiritual. Os Espíritos desarvorados, seja por que razão for, já vêm para a manifestação mediúnica com um certo preparo prévio. Os benfeitores espirituais é que se incumbiram de localizá-los e desalojá-los de suas posições, muitas vezes tidas por inexpugnáveis, para trazê-los até nós. Inúmeros recursos são utilizados para isso. Técnicas de magnetização e persuasão, ainda desconhecidas de nós, são aplicadas com enorme competência e sentimento da mais funda fraternidade. Frequentemente, os Espíritos atormentados nem sabem por que se acham numa sessão, falando através de um médium. Ignoram como foram trazidos, ou se dizem convidados, julgando que vieram por livre e espontânea vontade. Muitas vezes admitem estar constrangidos, contidos, sob controle, mas não sabem de onde vem a força que os contém. Os benfeitores assistem à sessão, socorrem-nos com seus recursos, nos momentos críticos, fazem pequenas recomendações ou dão indicações sumárias, através da intuição ou da mediunidade ostensiva de algum companheiro. De outras vezes, em casos mais difíceis, incorporam-se em outro médium, para ajudar no trabalho de doutrinação ou de passes. Encerrada a sessão, cabe-lhes recolher os companheiros aflitos, estejam ou não despertados para a realidade maior. Os Espíritos arrependidos e dispostos à recuperação são levados a centros de reeducação e tratamento, e entregues a outras equipes espirituais, já adestradas para esse tipo de encargo, enquanto a tarefa no grupo mediúnico prossegue. Durante a noite, enquanto adormecemos no corpo físico, nossos Espíritos, desprendidos, parcialmente libertos, juntam-se aos benfeitores, para o preparo das futuras tarefas mediúnicas. Descemos, com eles, às profundezas da dor e, muitas vezes, realizamos, com eles, autênticas sessões em pleno Espaço, para o tratamento preliminar de companheiros já selecionados para a experiência mediúnica, ou irmãos que, já atendidos por nós, necessitam, mais do que nunca, de assistência e amparo, para as readaptações e o aprendizado que os levará à reconstrução de suas vidas, desde o descondicionamento a dolorosas e lamentáveis concepções, até o preparo de uma nova encarnação. Cabe às equipes de esclarecidos companheiros desencarnados todo esse trabalho invisível, do qual participamos, às vezes, como figuras sempre secundárias, em nossos desprendimentos. O nível espiritual e o “status” moral desses companheiros revela-se na sua maneira de agir e falar. Temos que aprender a formular sobre eles o nosso próprio juízo. Com algum tempo de vivência na tarefa mediúnica, estaremos em condições de fazê-lo com relativa segurança, se nos mantivermos atentos e vigilantes. O grupo bem orientado, e sustentado pela prece, pelo conhecimento doutrinário e pela prática evangélica, contará sempre com o apoio de companheiros desencarnados esclarecidos. Isto não quer dizer, porém, que deveremos aceitar tudo quanto nos vem do mundo espiritual, sem análise critica. A Doutrina Espírita não recomenda a aceitação cega de coisa alguma; ao contrário, incentiva-nos a tudo examinar, para acolher apenas o que a razão sancionar. Os Espíritos esclarecidos não se aborrecem nem se irritam com esses cuidados, que entendem necessários. É preciso, entretanto, não cair no extremo oposto de tratar qualquer companheiro espiritual com aspereza e desconfiança injustificáveis. Ao cabo de algum tempo de convivência, formulado o juízo sobre os nossos orientadores, saberemos identificá-los e conheceremos seus métodos de ação. A delicadeza do trabalho e seu ponto crítico estão exatamente nesse balanceamento entre vigilância e confiança. Sem um perfeito entendimento entre as equipes encarnada e desencarnada, é impraticável um trabalho produtivo e positivo. Temos que buscar o terreno comum da harmonização e da integração, o que não é o mesmo que aceitar tudo sem exame. Essa vigilância, insistimos, é indispensável. Se o grupo transvia-se, e vai insensivelmente afastando-se das boas práticas doutrinárias, fica entregue à sua própria sorte. Esse é o momento em que outros companheiros desencarnados se aproximam, para substituir os mais esclarecidos. Em casos assim, poderão tentar assumir também a identidade dos que se afastaram. Não nos esqueçamos de que todos os métodos são válidos para aqueles que se enquistaram no transviamento moral. Se não estivermos atentos, nem sentiremos a mudança, e, dentro em pouco, estaremos inteiramente dominados, exatamente por aqueles que se opõem aos nossos planos, envolvidos numa vasta e bem urdida mistificação, quando não desarvorados também, com o grupo em vias de desagregação, e até obsidiados ou fascinados por Espíritos que se apresentam com nomes importantes. * Os orientadores do grupo geralmente dirigem uma breve palavra de saudação, no princípio da reunião, e uma ou outra recomendação sumária. Fazem isso mais para marcar sua presença, como se desejassem simplesmente dizer: “Estamos aqui, amigos. Não temam.” Durante o desenrolar dos trabalhos, portam-se com discrição e serenidade, interferindo o mínimo possível, sem, no entanto, deixarem de nos proporcionar toda a assistência de que necessitamos. Em casos extremos podem provocar a contenção do manifestante, com seus recursos magnéticos, ou incorporarem-se para um diálogo mais direto com o Espírito, mas isto não é comum. Ao final da sessão, cessado o trabalho de atendimento aos sofredores, comparecem para uma palavra de estímulo e de consolo. É esta a mensagem que, se possível, deve ser gravada, porque contém, usualmente, preciosos esclarecimentos acerca dos trabalhos, em particular, e sobre a Doutrina, em geral. Nenhum trabalho mediúnico sério é possível sem o apoio desses dedicados e muitas vezes anônimos companheiros, que, situados, quase sempre, em planos muito superiores aos nossos, concordam em voltar sobre seus passos e vir nos estender as mãos generosas e seguras. A colaboração que lhes emprestamos é mínima, em relação à que eles nos oferecem. Fazem muito mais por nós do que nós por eles. E tudo no silêncio e na segurança daqueles que não buscam reconhecimento nem aplausos. Se tiverem que nos transmitir alguma instrução específica, utilizar- se-ão preferentemente do tempo destinado à comunicação inicial. “Essa medida — escreve André Luiz, em DESOBSESSÃO —é necessária, porquanto existem situações e problemas, estritamente relacionados com a ordem doutrinária do serviço, apenas visíveis a ele, e o amigo espiritual, na condição de condutor do agrupamento, perante a Vida Maior, precisará dirigir-se ao conjunto, lembrando minudências e respondendo a alguma consulta ocasional que o dirigente lhe queira fazer, transmitindo algum aviso ou propondo determinadas medidas.”
Mais opções
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×