Livros Espíritas
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Conhecemos todos os fluidos da Natureza ou mesmo todas as propriedades daqueles que conhecemos? Seria muita presunção pensar assim. Os exemplos que acabamos de citar são comparações: não dizemos similitudes; é unicamente para mostrar que os fenômenos espíritas, que nos parecem tão estranhos, não o são mais que os mencionados, e que podem ser explicados, se não pelas mesmas causas, ao menos por causas análogas. Com efeito, eis uma mesa que, evidentemente, perde o peso aparente num dado momento e que, em outras circunstâncias, adquire um aumento de peso, não podendo tal fato ser explicado pelas leis conhecidas. No entanto, como se repete, isto prova que está submetido a uma lei que, pelo simples fato de ser desconhecida, não deixa de existir. Que lei é esta? Dão-na os Espíritos. Todavia, em falta da explicação deles, podemos deduzi-la por analogia, sem recorrermos a causas miraculosas ou sobrenaturais. O fluido universal, como o chamam os Espíritos, é o veículo e o agente de todos os fenômenos espíritas. Sabe-se que os Espíritos podem modificar as suas propriedades conforme as circunstâncias; que ele é o elemento constitutivo do perispírito ou envoltório semimaterial do Espírito; que, neste último estado, pode adquirir a visibilidade e mesmo a tangibilidade. É, pois, irracional admitir que, num dado momento, possa um Espírito envolver um corpo sólido numa atmosfera fluídica, cujas propriedades, conseqüentemente modificadas, produzem sobre esse corpo o efeito de um meio mais denso ou mais rarefeito? Nesta hipótese, o levantamento tão fácil de uma pesada mesa pelo Sr. Squire se explica muito naturalmente, assim como todos os fenômenos análogos. A necessidade de escuridão é mais embaraçosa. Por que cessa o efeito ao menor contato da luz? O fluido luminoso exerceria aqui uma ação mecânica qualquer? Isto não é provável, já que fatos do mesmo gênero se produzem perfeitamente em plena luz. Não se pode atribuir esta singularidade senão à natureza toda especial dos Espíritos que se manifestam por esse médium. Mas por que por esse médium, de preferência aos outros? Eis aí um desses mistérios só penetráveis por aqueles que se identificaram com os fenômenos tão numerosos, e muitas vezes tão bizarros, do mundo dos invisíveis. Somente eles podem compreender as simpatias e antipatias existentes entre os mortos e os vivos. Esses Espíritos pertencem a que ordem? São bons ou maus? Sabemos que temos ferido o amor-próprio de certas criaturas terrenas, depreciando o valor dos Espíritos que produzem manifestações físicas; criticaram-nos fortemente porque os qualificamos como saltimbancos do mundo invisível. À guisa de desculpa, diremos que a expressão não é nossa, mas dos próprios Espíritos. Que nos perdoem, mas jamais poderá entrar em nossa cabeça que Espíritos elevados venham divertir-se em fazer proezas ou outras coisas do gênero, do mesmo modo que não nos convencerão de que palhaços, atletas, dançarinos de corda e repentistas de rua sejam membros do Instituto. Quem quer que conheça a hierarquia dos Espíritos sabe que os há de todos os graus de inteligência e de moralidade, e que neles encontramos tantas variedades de aptidões e de caracteres como entre os homens, o que não é de admirar, pois os Espíritos nada mais são que as almas dos que viveram. Ora, até prova em contrário, permitam-nos duvidar de que Espíritos como Pascal, Bossuet e outros, mesmo menos elevados, submetam-se às nossas ordens para fazer girar as mesas e divertir um grupo de curiosos. Perguntamos aos que pensam de modo contrário se julgam que, após a sua morte, iriam resignar-se facilmente a esse papel decorativo. Mesmo entre os que se acham às ordens do Sr. Squire há um servilismo incompatível com a menor superioridade intelectual, donde concluímos que devem pertencer às classes inferiores, o que não quer dizer que sejam maus. Pode-se muito bem ser honesto e bom sem saber ler nem escrever. Os Espíritos maus geralmente são indóceis, coléricos e se comprazem em fazer o mal. Ora, não nos consta que os do Sr. Squire jamais lhe haja pregado uma brincadeira de mau gosto; obedecem com uma docilidade pacífica, que exclui toda suspeita de malevolência, mas nem por isso estão aptos a fazer dissertações filosóficas. Consideramos o Sr. Squire um homem de muito bom-senso para se melindrar com esta apreciação. Essa submissão dos Espíritos que o assistem levou um dos nossos colegas a dizer que certamente aqueles o haviam conhecido numa outra vida, na qual o Sr. Squire teria exercido sobre eles uma grande autoridade, razão por que ainda lhe conservam, na presente existência, uma obediência passiva. Aliás, não se deve confundir os Espíritos que se ocupam de efeitos físicos propriamente ditos, e que são designados mais especialmente por Espíritos batedores, com os que se comunicam por meio de batidas. Sendo este meio uma linguagem, pode ser empregado como escrita pelos Espíritos de qualquer ordem. Como dissemos, vimos muitas pessoas que assistiram às experiências do Sr. Squire; mas entre as que não eram iniciadas na ciência espírita, muitas saíram pouco convencidas, como a mostrar que a simples vista dos mais extraordinários efeitos não é suficiente para levar à convicção. Depois de terem ouvido as explicações que lhes demos, sua maneira de ver modificou-se completamente. Certamente não apresentamos esta teoria como a última palavra, como a solução definitiva. Mas, na impossibilidade de poder explicar esses fatos pelas leis conhecidas, forçoso é convir que o sistema por nós formulado não é destituído de verossimilhança. Vamos admiti-lo, se assim o quiserem, a título de simples hipótese; quando apresentarem uma solução melhor, seremos um dos primeiros a aceitá-la.
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