Livros Espíritas
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Laboraríamos em erro se inferíssemos do que precede que os habitantes das diferentes esferas, do ponto de vista onde estão, lançam um olhar investigativo sobre o que se passa nos outros mundos, e que os acontecimentos que aí se realizam passam sob seus olhos como no campo de uma luneta. Aliás, cada mundo tem suas preocupações especiais, que cativam a atenção de seus habitantes, conforme suas próprias necessidades, seus costumes completamente diferentes e seu grau de adiantamento. Quando os Espíritos encarnados num planeta têm motivos pessoais para se interessarem pelo que se passa em outro mundo, ou por alguns dos que o habitam, sua alma para lá se transporta, como fez a de Lúmen, em estado de desprendimento, e então se tornam momentaneamente, a bem dizer, habitantes espirituais desse mundo, ou aí se encarnam em missão. Eis, pelo menos, o que resulta do ensinamento dos Espíritos. Esta última parte do relato de Lúmen carece, pois, de exatidão; mas não se deve perder de vista que esta história não passa de uma hipótese, destinada a tornar mais acessíveis à inteligência e, de certo modo, palpáveis pela entrada em ação, da demonstração de uma teoria científica, como fizemos observar em nosso artigo precedente. Chamamos a atenção para o parágrafo acima, no qual é dito que: “As grandes perturbações físicas e morais de um mundo produzem sobre os mundos vizinhos uma espécie de comoção íntima, como uma corda vibrante faz vibrar uma outra corda colocada a distância.” O autor, que em matéria de ciência não fala levianamente, anuncia aí um princípio que um dia bem poderia ser convertido em lei. A Ciência já admite, como resultado da observação, a ação recíproca material dos astros. Se, como se começa a suspeitar, esta ação, aumentada pelo fato de certas circunstâncias, pode ocasionar perturbações e cataclismos, nada haveria de impossível que essas mesmas perturbações tivessem seu contragolpe. Até o presente a Ciência considerou apenas o princípio material; mas, se se levar em conta o princípio espiritual como elemento ativo do Universo, e se se pensar que esse princípio é tão geral e tão essencial quanto o princípio material, conceber-se-á que uma grande efervescência deste elemento e as modificações que ele sofre num ponto dado possam ter sua reação, por força da correlação necessária que existe entre a matéria e o espírito. Há certamente nesta idéia o germe de um princípio fecundo e de um estudo sério para o qual o Espiritismo abre caminho. Dissertações Espíritas
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(14) N. do T.: Flammarion se refere à execução de Luís XVI, ocorrida em 21 de janeiro de 1793.
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(15) Segundo o cálculo, e em razão da distância do Sol, que é de 38 milhões e 230 mil léguas de 4 quilômetros, a luz desse astro nos chega em 8 minutos e 13 segundos. Disso resulta que um fenômeno que se passasse em sua superfície só nos chegaria 8 minutos e 13 segundos mais tarde, e se tal fenômeno fosse instantâneo, já não existiria mais quando o víssemos. Sendo a distância da Lua de apenas 85.000 léguas, sua luz nos chega mais ou menos em um segundo e um quarto; por conseguinte, as perturbações que aí pudessem acontecer nos apareceriam pouco depois do momento em que ocorressem. Se Lúmen estivesse na Lua, teria visto a Paris de 1864, e não de 1793. Se estivesse num mundo duas vezes mais afastado do que Capela, teria visto a Regência.
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(16) 170 trilhões e 392 bilhões de léguas! Pela distância que separa as estrelas vizinhas pode-se julgar a extensão ocupada pelo conjunto das que, entretanto, nos parecem à vista tão perto umas das outras, sem contar o número infinitamente maior das que só são perceptíveis com o auxílio do telescópio e que não são, elas próprias, senão uma ínfima fração das que, perdidas nas profundezas do infinito, escapam a todos os nossos meios de investigação. Se se considerar que cada estrela é um sol, centro de um turbilhão planetário, compreender-se-á que o nosso próprio turbilhão não passa de um ponto nessa imensidade. Que é, pois, nosso globo de 3.000 léguas de diâmetro, entre esses bilhões de mundos? Que são seus habitantes, que durante muito tempo acreditaram que seu pequeno mundo era o ponto central do Universo, e eles próprios se crerem os únicos seres vivos da criação, concentrando apenas em si as preocupações e a solicitude do Eterno e crendo de boa-fé que o espetáculo dos céus não tinha sido feito senão para lhes recrear a vista? Todo esse sistema egoísta e mesquinho, que, durante longos séculos, constituiu o fundamento da fé religiosa, desmoronou-se diante das descobertas de Galileu.
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