Livros Espíritas
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Há um fluido etéreo que enche o espaço e penetra os corpos. Esse fluido é o éter, ou matéria cósmica primitiva, geradora do mundo e dos seres. São inerentes ao éter as forças que presidiram às metamorfoses da matéria, as leis imutáveis e necessárias que regem o mundo. Essas formas múltiplas, indefinidamente variadas segundo as combinações da matéria, localizadas segundo as massas, diversificadas em seus modos de ação, de acordo com as circunstâncias e os meios, são conhecidas na Terra sob os nomes de gravidade, coesão, afinidade, atração, magnetismo, eletricidade ativa. Os movimentos vibratórios do agente são conhecidos sob os nomes de som, calor, luz etc. Em outros mundos, elas se apresentam sob outros aspectos, revelam outros caracteres desconhecidos na Terra e, na imensa amplidão dos céus, forças em número indefinido se têm desenvolvido em escala inimaginável, cuja grandeza somos tão incapazes de avaliar quanto o crustáceo, no fundo do oceano, para apreender a universalidade dos-fenômenos terrestres.⁴³ Ora, assim como só há uma substância simples, primitiva, geradora de todos os corpos, porém diversificada em suas combinações, também todas essas forças dependem de uma lei universal diversificada em seus efeitos e que, pelos desígnios eternos, foi soberanamente imposta à Criação, para lhe imprimir harmonia e estabilidade.
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(⁴³) Nota de Allan Kardec: Só nos reportamos ao que conhecemos, porquanto, do que escapa à percepção dos nossos sentidos não compreendemos mais do que compreende o cego de nascença acerca dos efeitos da luz e da utilidade dos olhos. É possível, pois, que em outros meios o fluido cósmico tenha propriedades, seja suscetível de combinações de que não fazemos nenhuma ideia, facultando percepções novas ou outros modos de percepção. Não compreendemos, por exemplo, que se possa ver sem os olhos do corpo e sem luz. Quem nos diz, porém, que não existam outros agentes que não a luz, aos quais são adequados organismos especiais? A vista sonambúlica, que não é detida nem pelos obstáculos materiais nem pela obscuridade, nos oferece um exemplo disso. Suponhamos que, num mundo qualquer, os seres sejam normalmente o que só excepcionalmente o são os nossos sonâmbulos; eles, sem precisarem da nossa luz, nem dos nossos olhos, verão o que não podemos ver. Dá-se o mesmo com todas as outras sensações. As condições de vitalidade e de percepção, as sensações e as necessidades variam de conformidade com os meios.
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