Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
Pela sua relevante importância no processo mesmo da utilização racional e proveitosa da mediunidade, destacamos, de início, o ponto crítico das primeiras tarefas em grupos nem sempre com preparo adequado para receber os aspirantes ao nobre trabalho mediúnico. Ao discorrer sobre a crítica ao trabalho mediúnico, escreve Boddington: A análise é ( ... ) essencial, mas tem de ser conduzida com tato; do contrário, poderemos sufocar, logo de início, a própria faculdade que estamos desejosos de examinar. Essa é a maior dificuldade. A mais leve sugestão de fraude, consciente ou inconsciente, é suficiente para fazer recuar muitas almas sensíveis, na fase inicial do desenvolvimento e, até mesmo, liquidar (a faculdade) para sempre. (Boddington, Harry, 1949). Encontramos advertências semelhantes em outros autores especializados. Colin Wilson, na obra The psychic detectives, por exemplo, citando Hudson, adverte que as faculdades mediúnicas - ele prefere caracterizá-las como "poderes psíquicos": ... freqüentemente evaporam-se, quando confrontadas com o ceticismo. A mente subjetiva é intensamente sugestionável daí porque a mera insinuação de fraude leva -a a uma catástrofe nervosa. (Wilson, Colin, 1984). 8. O MÉDIUM E O DIRIGENTE Que os médiuns são pessoas de sensibilidade mais aguçada , sabemos todos. Ou não seriam médiuns. E, por isso mesmo, mais sensíveis também à crítica, especialmente quando injusta, grosseira ou mal formulada. É imperioso, contudo, distinguir entre sensibilidade e melindre. O médium responsável e interessado em dar o melhor de si mesmo à tarefa que abraçou não apenas aceita a crítica construtiva e leal, como a procura, desejoso de aperfeiçoar seu desempenho mediúnico. Melindres ficam com os que não admitem a menor observação, a não ser o elogio, o endeusamento, como se fossem infalíveis instrumentos dos mais elevados manifestantes. Vai uma diferença muito grande entre a análise crítica construtiva do trabalho realizado e a implicância, a intolerância, a estreiteza de vistas e até o ciúme. O dirigente equilibrado, sensato, experiente e seguro dos aspectos teóricos e práticos da mediunidade saberá sempre distinguir com clareza entre o médium que está necessitando de reparos e pequenas ou grandes correções, daquele que ouve, em atitude de aparente humildade, mas não aceita qualquer reparo, por achar-se envolvido em uma atmosfera de auto-suficiência e infabilidade que lhe será fatal, mais cedo ou mais tarde. É extremamente delicada a posição do dirigente responsável, nesse terreno. Tem ele de exercer toda sua atenção e bom senso tanto para evitar que se perca ou se iniba um médium que, a despeito de pequenos (ou maiores) equívocos, tem condições de tornar-se eficiente trabalhador, e para auxiliar aquele que pode, igualmente, perder-se pela vaidade se o dirigente não tiver habilidade suficiente ou conhecimento para convencê-lo dos seus equívocos. Convém reconhecer, ainda, que há casos realmente 'irrecuperáveis' de médiuns iniciantes, ou mais experientes, que se deixam envolver pela perniciosa convicção da infabilidade. Cabe, aí, ao dirigente, admitir humildemente que não tem condições de modificar o quadro. Não lhe resta alternativa senão a que costumam adotar os próprios espíritos orientadores, ou seja, a de abandonar o médium assim contaminado pela vaidade aos seus próprios recursos. Não há como violentar seu livre-arbítrio nem como impedir que ele assuma as responsabilidades pelo que fizer de si mesmo e das faculdades que tenha recebido como instrumento de trabalho, a serviço do próximo. Seja como for, os primeiros contatos de um médium iniciante, ou no qual a mediunidade acaba de ser 'diagnosticada', são altamente críticos, É nessa hora que muito se define do futuro. Se for acolhido com a necessária compreensão e adequadamente orientado e instruído, poderá chegar a ser excelente colaborador na tarefa para a qual, evidentemente, veio preparado. Se mal recebido, tratado com condescendente superioridade, aspereza, incompreensão e intolerância, ante as peculiaridades de suas faculdades, é grande a responsabilidade daqueles que não souberam ou não quiseram estender a mão, no momento oportuno, ao que vem precisamente para ser ajudado a servir. No caso da moça de que trata este livro, pudemos observar claramente que foi à custa de impressionante obstinação e humildade que ela conseguiu vencer as barreiras iniciais da rejeição. A reação normal e esperada, numa pessoa tratada da maneira como ela o foi, seria a do desencanto, da decepção, do abandono puro e simples da tarefa, o que seria deveras lamentável não apenas para ela como para todos aqueles aos quais ela viria contribuir para que fossem ajudados ao longo dos anos em que, afinal, conseguisse exercer, com equilíbrio e competência, suas variadas faculdades. Isto nos leva a pensar com uma ponta de angústia na quantidade de pessoas programadas para o exercício da mediunidade, com responsabilidades e compromissos muito sérios nessa área tão crítica, que não conseguem vencer as primeiras dificuldades, derrotadas pelo desencanto com as pessoas que deveriam estar preparadas para ajudá-las e encaminhá-las ao trabalho tão necessário quanto redentor. Isso sem contar os que nem sequer procuram os centros e os grupos por inúmeras e complexas motivações pessoais injustificáveis: temor, preguiça, orgulho, ignorância, indiferença ou vaidade. Pelo menos os que buscam o caminho certo, desejosos de aprender e servir, que sejam recebidos com dignidade, com paciência, com amor. É preciso ouvi-los com atenção, aconselhá-los com serenidade e competência, ajudá-los fraternalmente. É nessa fase inicial que se estabelece a diferença entre um médium equilibrado e devotado à sua tarefa e aquele que recua, desencanta-se, perde-se no emaranhado de suas decepções e nas complexidades de fenômenos que não entende, entregando-se ao exercício desordenado de suas faculdades ou sufocando-as no nascedouro, com imprevisíveis prejuízos para si mesmo e para os outros. Vimos, há pouco, no entanto, que este livro é um relato de uma história pessoal, cuja estrutura será aproveitada para um estudo informal da mediunidade. Precisamos, portanto, começar pelo princípio. É o que faremos a seguir.
Mais opções
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×